Érika de Barros Lima Ferraz opera uma mudança fundamental nos espaços de poder do Direito. Para isso, ela utiliza o peso da tradição como alavanca para a ruptura. Sua biografia profissional demonstra, assim, como o respeito às raízes pode alimentar a coragem para o pioneirismo. Ela inscreveu seu nome na história como a primeira advogada a ascender ao posto de desembargadora titular no Tribunal Regional Eleitoral de Pernambuco (TRE-PE) através do quinto constitucional. Nesse sentido, ela permaneceu por dois biênios consecutivos (2015-2019).
O feito, por si só monumental, foi ampliado ao se tornar também a primeira mulher a comandar a Ouvidoria daquela corte. Desse modo, ela desbravou territórios historicamente masculinos.
Legado Familiar e Formação na UFPE
Essa capacidade de ocupar e ressignificar instituições vem de uma linhagem de profundo respeito pelo saber jurídico. A sua ligação com a advocacia é um legado direto de seu pai, o juiz Eriberto de Barros Lima.
O ponto central dessa sucessão intelectual é a histórica Faculdade de Direito do Recife (UFPE). O local não é apenas sua alma mater; é um solo que formou três gerações da família: seu pai, ela própria e sua filha Catarina. Sobre a instituição, ela reflete: “É um lugar que eu tenho muita identificação e que só me trouxe aprendizado”.
Visão Ampliada e Atuação Multifacetada
Contudo, Érika prova que ter raízes profundas não significa permanecer imóvel. Pelo contrário, ela expandiu sua atuação para além das fronteiras estaduais, com forte presença em São Paulo. Além disso, concluiu um mestrado em Direito Comercial pela USP. Essa visão ampla, que conecta Recife ao centro econômico do país, sustenta sua multifacetada atuação contemporânea.
Ela articula com rara competência os domínios do Direito Empresarial e de Família com a complexa esfera Eleitoral, adquirida em sua passagem pela magistratura.
Liderança e Inovação Institucional
Sua liderança se manifesta em múltiplas frentes. Como Diretora da Federação Nacional dos Institutos de Advogados do Brasil (FENIA), por exemplo, ela influencia o debate sobre as atividades dos Institutos que representam a advocacia no Brasil.
De forma ainda mais emblemática, assumiu a presidência do Instituto de Advogados de Pernambuco (IAP). Assim, ela se tornou a primeira mulher a ocupar o cargo em 173 anos de existência da entidade.
As condecorações recebidas da OAB, Defensoria Pública, TJPE, Câmara Municipal do Recife e Assembleia Legislativa de Pernambuco são a confirmação pública de um percurso que valida sua competência.
O Equilíbrio entre Reverência e Subversão
Em conclusão, sua contribuição honra Pernambuco ao provar que o legado inovador do estado se constrói no equilíbrio entre reverência e subversão. Ela utiliza o prestígio de uma formação clássica pernambucana como plataforma para quebrar paradigmas. Portanto, ela garante que as portas que abriu não se fechem mais.
Sua atuação se assemelha à de Cristina Tavares, outra pernambucana que usou sua voz para romper o silêncio em arenas de poder. Em suma, prova que a presença feminina redefine a própria estrutura da justiça e da política.






