Gaudêncio Rodrigues Vilela é a síntese do empreendedorismo e da cidadania ativa que florescem no interior. Filho natural de Belo Jardim (1950) e filho cultural de Arcoverde desde 1958, sua trajetória é, de fato, uma composição de múltiplas vocações.
Ele iniciou aos 18 anos na indústria de doces da família (Doces Arcoverde), ao lado do pai, Joel Vilela. Após casado com Maria Solange Padilha Vilela, com quem tem mais de 60 anos de convivência e três filhos (Renata, Saulo, Joel Neto), decidiu retomar os estudos. Consequentemente, cursou Técnico em Contabilidade e iniciou Letras. No entanto, foi o Direito, concluído em 1983 na Faculdade de Caruaru, que redefiniu seu rumo. Conforme relata, buscou o curso inicialmente “para adquirir cultura” enquanto ainda era industrial. Somente após a graduação, em 1984, deixou as fábricas e abraçou a advocacia.
Carreira Profissional Multifacetada
Sua carreira, contudo, nunca foi linear. Ele foi também empresário nos setores de combustíveis (G. Vilela), construção (Jogauma) e pecuarista, além de agente financeiro do Banco Crefisul (Cre$Vila). A partir de 1987, ingressou no funcionalismo público estadual. Isso culminou em sua atuação como Coordenador do Procon de Arcoverde até sua aposentadoria em 2019.
Liderança e Inovação na OAB-Arcoverde
Na prática jurídica, onde milita há mais de 40 anos, sua atuação mais profunda foi institucional. Sob a inspiração de mentores éticos, os advogados José Rabelo e João Belarmino, ele foi eleito presidente da OAB Subsecção de Arcoverde por dois mandatos (1995-1998). Sua gestão foi marcada pela modernização. Em uma época analógica, foi pioneiro na informatização da profissão jurídica. Não parou aí: na OAB de Arcoverde, criou um consórcio para informatizar a classe. Além disso, disponibilizou toda a legislação brasileira, em CD, à disposição dos colegas, para “tornar todos iguais”, combatendo a retenção de informação.
Fundou, assim, o informativo “A Ética”, disseminando o preceito de que “advogados somos adversários, mas não somos inimigos”.
Espírito Participativo e Ação Comunitária
Esse espírito participativo definiu sua vida. De fato, o que o faz até hoje, aos 75 anos, continuar militando no Judiciário. Ele foi líder do Rotary Club aos 23 anos, presidente do Esporte Clube de Arcoverde (onde ampliou o salão para 2.000 foliões), e sócio fundador de inúmeras entidades sociais, como o Projeto V.I.D.A Voluntários Independentes de Arcoverde, AMAR – Amigos de Arcoverde, a SOLEART – Sociedade de Letras e Artes de Arcoverde, e COCAR – Coletivo Cultural de Arcoverde. Este último, por exemplo, é vital para a Caminhada do Forró, no São João e o FELIS. Como cidadão, combate a poluição sonora e visual, sugerindo que muros públicos sejam entregues aos poetas locais.
Legado de Cidadania e Inovação
Em suma, Gaudêncio Rodrigues Vilela honra Pernambuco ao converter sua erudição em ação comunitária. Ele utilizou a inovação não como fim, mas como ferramenta de democratização e ética. Desse modo, garantiu que o Agreste tivesse acesso igualitário ao conhecimento jurídico. Assim também, como Chico Science conectou sua terra às novas linguagens, ele provou que a verdadeira vanguarda é aquela que eleva a coletividade.





