Etelvina Maria Tenório Vaz escolheu, em cada bifurcação da carreira, o caminho onde havia mais resistência. Primordialmente, nascida em Arcoverde, no sertão pernambucano, partiu ainda na adolescência para o Recife com a obstinação de quem já sabe o preço de chegar. Formada em Medicina pela Universidade de Pernambuco. Tornou-se uma das três primeiras mulheres ortopedistas do estado, num campo onde as cadeiras eram, à época, quase todas masculinas. Antes de mais nada, a paixão pelas mãos, acumulada durante anos de ortopedia geral, ganhou forma quando o Dr. Alain Gilbert, o maior nome mundial em cirurgia da mão, a convidou para estudar em Paris.
Em seguida, ela foi. Deixou os filhos Luís Eduardo e Letícia no Brasil, enfrentou o francês, idioma que não falava, e concluiu três cursos no Institut de la Main de Paris e na Universidade Pierre e Marie Curie. Logo depois, voltou com três diplomas e a convicção de que tecnologia de ponta não resolve o que a prevenção pode evitar.
O Cuidado com as Mãos como Missão
No Brasil, uma mão é lesionada a cada dois minutos. Essa estatística a perturbou tanto quanto a impulsionou. Nesse sentido, em Garanhuns, fundou a Ortotrauma e, ao lado, o Hospital Monte Sinai, polo médico que funciona há 30 anos. No Recife, criou o Instituto Help Your Hands, obteve a lei estadual que institui o Dia do Cuidado com as Mãos, celebrado em 11 de junho, na data de nascimento de Francisco Brennand, e reuniu embaixadores como Ronald Cavalcanti e Cecília Brennand em torno de uma causa que poucas pessoas percebem como urgente até precisar dela.
Longevidade e Medicina Integral
Depois de 40 dias percorrendo Paris, Itália e Grécia, trouxe da viagem Conexão Helênica uma metodologia própria: a Longevidade Helênica, que une a medicina de Hipócrates, a filosofia grega e o mapeamento genético em cinco colunas de saúde integral. Aos 33 anos de medicina, Etelvina pratica a saúde que se promove antes do adoecimento. Em suma, sua obra diz que cuidar das mãos é, antes de tudo, uma forma de devolver ao mundo o que há de mais precioso: a capacidade de criar, construir e tocar o outro.




