Henrique Costa da Veiga Seixas atende quem o sistema raramente consegue alcançar. Nascido em Recife, ele é filho de Clara Maria Soares da Costa, professora paraibana que criou três filhos após perder o marido, Antônio José de Andrade da Veiga Seixas, quando Henrique tinha apenas 9 anos. Desde cedo, aprendeu que recursos escassos nunca impedem escolhas certas. Por exemplo, pagou a faculdade trabalhando em uma livraria. Adicionalmente, estagiou no Tribunal de Justiça, exerceu a advocacia autônoma por quase cinco anos e serviu como servidor no próprio Tribunal antes de ingressar na Defensoria Pública do Estado de Pernambuco, onde completa atualmente 16 anos.
A Escuta como Método na Defensoria
Na Defensoria, ele ouviu Camaragibe, ouviu o interior e ouviu o corredor das varas criminais. Esse verbo, ouvir, constitui o fio que atravessa toda a sua atuação. “Só entende quem atende”, repete o Defensor com a segurança de quem testou a frase na prática. A escuta nunca se reduz a uma postura de protocolo. Pelo contrário, funciona como método, norte e resposta imediata às pessoas que chegam à instituição sem outra alternativa. Ser, às vezes, a única oportunidade que alguém tem de acessar um direito básico moldou a maneira como conduz cada caso. Como 92% da população pernambucana figura como potencial usuária da Defensoria, o peso da representatividade não permite atendimento genérico.
Gestão e a Defesa do Contato Presencial
Nos anos à frente da gestão como Defensor Público-Geral, Henrique precisou conciliar o ritmo acelerado das ferramentas digitais com a defesa intransigente do contato presencial. O escopo das articulações abrangia OAB, Poder Judiciário, Ministério Público, Poder Executivo e sociedade civil. Tratava-se de um mapa amplo de interlocutores, cada um com urgências distintas. No entanto, a tecnologia que aproxima o processo sem aproximar as pessoas resolve a metade errada do problema. Com efeito, a celeridade importa, mas o fator humano importa ainda mais.
Valores e Legado Profissional
Gratidão, empatia e a recusa em julgar antes de compreender formam o trio de valores que guia a conduta do Defensor fora e dentro dos corredores do sistema de justiça. Como costumava dizer o juiz Clicerio Bezerra e Silva, com quem fez seu primeiro estágio, a medida de um profissional não reside nos processos que ganhou, mas nas pessoas que foi capaz de enxergar. Em suma, quem aprende a ouvir aprende, enfim, a servir.


