Thiago Carvalho Bezerra de Melo prova que as vocações mais precisas brotam nos lugares mais improváveis. De antemão, vale notar que não foi numa sala de aula, nem num tribunal, que a bússola de um dos pioneiros do Direito Espacial brasileiro se fixou. A princípio, tudo começou no telhado de uma casa em Caruaru. Ali, um menino deitado sobre as telhas apontava um binóculo para o céu. Nesse meio tempo, naquele silêncio de estrelas, algo se plantou. Posteriormente, seria o próprio Direito que o devolveria àquele céu.
A Descoberta do Direito Espacial
O ponto de inflexão chegou entre 2015 e 2016, durante dificuldades de saúde que forçaram um estado de reflexão. Ao buscar propósito, ele digitou no computador as duas palavras que mudariam seu percurso: “Direito Espacial”. A descoberta foi avassaladora. Com efeito, havia um campo vasto, pouco mapeado, aguardando quem tivesse coragem de habitá-lo. A humanidade caminhava para o espaço, e alguém precisava garantir as regras de convivência lá em cima. Ele compreendeu que esse alguém poderia ser ele.
Pioneirismo Sistemático em Pernambuco
O que se seguiu foi pioneirismo sistemático: a parceria com Ana Cristina Galhego Rosa, a primeira palestra sobre Direito Espacial na Faculdade de Direito do Recife em 2018, e a criação da Comissão de Direito Aeronáutico, Aeroportuário e Espacial na OAB de Pernambuco. Desde 2018, ele vem atuando também na criação de um ecossistema aeroespacial em Pernambuco, único na América Latina. Trata-se de tecnologia de transformação digital espacial, ou seja, a transformação de dados de satélites em informação útil e inovadora para diversos segmentos. Como coroamento de toda essa trajetória, destaca-se a fundação da Academia do Espaço. Em suma, é um ecossistema educacional dedicado à diplomacia espacial e à space economy, com o propósito de preparar o que ele chama de “gerações das estrelas”.
Ética, Humanidade e Visión de Futuro
O que distingue Thiago não é apenas o ineditismo do campo. Acima de tudo, é a ética que o sustenta. Pai de um filho atípico, aprendeu a enxergar o mundo por prismas que a maioria descarte. Essa lição de humanidade veio antes de qualquer conquista profissional e permanece como filtro de tudo que faz. “Os grandes”, afirma ele, “não foram prudentes. Eles calcularam o risco, agiram com ousadia.” Em sua própria trajetória, essa ousadia tem um nome mais exato: responsabilidade.
Atualmente, o advogado defende que o universo não é um território para conquistar, mas um espaço que a humanidade precisa aprender a habitar com consciência.



