Mirna Rezende da Rocha Cavalcanti transita pelo mundo material com a bússola permanentemente ajustada ao invisível. Sua trajetória, que inicialmente uniu administração de empresas e teologia, foi abruptamente redefinida aos 30 anos. Uma vida de múltiplas atividades profissionais, incluindo uma loja de confecção e o ensino, interrompeu-a uma enfermidade severa, decorrente de jejuns extremos, que a levou a um quadro crítico de saúde. Em suma, essa pausa forçada a reconectou com um dom que possuía desde a infância: a capacidade de dialogar com o divino, que ela acreditava ser comum a todos.
A Promessa e o Dom da Arte
Após se recuperar e não ser aprovada no vestibular de Belas Artes, ela fez um pedido direto a Jesus: que Ele a ensinasse a pintar, prometendo dedicar sua arte a Ele. Dito e feito: sem qualquer instrução formal, ela pintou um São Francisco com uma perfeição técnica que nem ela compreendia. Por exemplo, ela demonstrou um domínio de rosto e mãos que, na academia, levaria cinco anos para dominar. Sua missão estava iniciada.
O Método Único de Criação
A técnica evoluiu anos depois, em Minas Gerais. Ao tentar replicar um fundo artístico, Mirna usou uma bucha natural e tintas a óleo muito diluídas. Ao secar, a mancha revelou figuras nítidas: Jesus, Irmã Faustina e a história da Divina Misericórdia. Nesse ínterim, ela buscou sua antiga amiga, Denise Queiroz, e através dela, que atuava como um “microfone do céu”, recebeu a confirmação do Anjo Gabriel. O anjo explicou que ele imprimia as imagens. Assim, ele criava um evangelho em forma de figuras.
Seu método tornou-se único: ela mancha a tela de joelhos, com múltiplas cores, e pressiona um papel. A imagem, que revela passado, presente e futuro, surge na tela e no papel. Ela, então, apenas contorna o que foi divinamente revelado. Além disso, este dom se tornou sua ferramenta para levantar as pessoas. Por conseguinte, ela oferece esperança e cura, incluindo o dom de rezar por casais inférteis, com diversos milagres relatados.
O Epicentro da Fé em Pernambuco
Artista plástica, escritora e palestrante, sua obra se aprofunda em Pernambuco. Mais precisamente, na Muribeca, onde vive por determinação divina. Ali, onde “o céu está aberto”, ela ergueu, em um mês, o Santuário da Santíssima Face de Deus. Isto é, no local exato onde profetiza que ocorrerá a sétima e última descida da Virgem Maria à Terra.
A trajetória de Mirna da Santíssima Trindade honra Pernambuco. Como resultado, ela posiciona o estado como um epicentro de fé, um solo privilegiado que escolheram para um evento de magnitude global. Ela prova que a verdadeira vocação não é escolhida, mas revelada. Analogamente, sua obra se assemelha à de Ariano Suassuna. Se Ariano utilizou sua genialidade para revelar a beleza e a profundidade mística do sertanejo, Mirna usa sua arte singular para decodificar mensagens celestes. Em outras palavras, ela prova que Pernambuco é um território onde o real e o maravilhoso coexistem.






