Nomes que Honram Pernambuco

Tita Loyo: Da Crise à Inovação, a Jornada de Empreendedorismo no Mercado de Pescados de Recife

Tita Loyo, com a sagacidade de uma comerciante nata, redefiniu sua trajetória profissional em meio a uma das maiores crises sanitárias globais. Ela residia em Natal quando a pandemia alterou o curso de sua vida e a de seu marido, Rômulo. Após ele enfrentar a contaminação do covid, a decisão de retornar ao Recife foi imediata. Contudo, esbarrava em um obstáculo financeiro: o custo da mudança. Foi nesse cenário de incerteza que uma oportunidade singular se apresentou. Um conhecido ofereceu lagosta a um preço bem atrativo. De imediato, a mente de Tita, instintivamente voltada para o comércio, detectou o potencial.

Sem capital para investir, ela ativou sua mais valiosa ferramenta: uma extensa rede de relacionamentos em Pernambuco, herança de laços familiares e de uma vida inteira conectada ao estado. A estratégia, portanto, foi audaciosa e dependia inteiramente da confiança. Ela ofereceu o produto aos seus contatos e solicitou o pagamento adiantado. Apenas com o dinheiro arrecadado, ela compraria o estoque. O plano funcionou. Dessa forma, a venda de aproximadamente setenta quilos de lagosta financiou o retorno para casa.

O Início Modesto e a Força do Relacionamento

De volta a Recife, o casal se viu diante de um novo aperto. “A gente vai viver de quê?”, era a pergunta que ecoava. As entrevistas de emprego revelavam salários insuficientes para o sustento da família. A solução, mais uma vez, veio do mar. Os clientes que compraram a lagosta começaram a demandar outros itens: camarão, patola de caranguejo, sururu, marisco. Assim, Rômulo passou a buscar novos produtos para incrementar o portfólio. O negócio começou de forma modesta, operando de dentro de uma casa emprestada. Além disso, a logística era baseada puramente no “boca a boca”.

A força desse relacionamento interpessoal, cultivado por anos, foi o motor de arranque. Naquela fase inicial, não havia redes sociais impulsionando as vendas. Havia apenas a indicação direta, um cliente satisfeito falando para outro. O crescimento foi orgânico, mas veloz. A estrutura caseira logo se tornou insuficiente. Os clientes queriam ver os produtos. A demanda por um ponto físico a levou, por conseguinte, ao Mercado de Boa Viagem. Lá, ela assumiu uma peixaria que existia há quarenta anos. O local, embora tradicional, recebeu uma reforma completa. Como resultado, ganhou uma estética moderna que atraiu visibilidade.

A Virada com o Marketing Digital

Foi então que ela, formada em Letras e com experiência em jornalismo e docência, começou a usar as redes sociais, em especial o Instagram. Sem qualquer receio das câmeras, passou a comunicar-se diretamente com o público. Isso aumentou gradualmente sua base de seguidores para mais de trinta mil. O “Pescado da Tita” estava estabilizado. Contudo, a calmaria precedeu a maior tempestade que o negócio enfrentaria.

A Quase Falência e o Legado de Credibilidade

O período pós Semana Santa revelou uma armadilha sazonal. A demanda por peixes despencou. “Parece que as pessoas não querem ver peixe na frente”, recorda. Sem capital de giro para suportar a baixa, a empresa praticamente quebrou. A única saída foi vender o carro da família, o único bem que possuíam. Foi preciso injetar metade do valor na loja apenas para conseguir “respirar”. O episódio foi traumático. Todavia, foi nesse ponto de fratura que uma figura fundamental interveio: seu pai, Guilherme Loyo. Falecido recentemente, ele foi, nas palavras dela, seu maior admirador, fã e incentivador.

Foi ele quem a ajudou a reerguer a empresa, com um conselho que definiria a recuperação. “Minha filha, a gente pode até quebrar, mas a gente não pode perder a credibilidade com nossos fornecedores”. Ele a orientou a visitar cada dono de empresa individualmente e negociar os débitos. O conselho provou-se correto. “Hoje, todos confiam em mim”, afirma Tita. Durante essa fase de reconstrução, que coincidiu com os dois anos em que ele lutou contra um câncer, ele vivia a loja com ela. Ele estabelecia metas diárias de faturamento, criava programações de pagamento e vibrava com cada conquista, torcendo para que ela honrasse seus compromissos. “Ele chorava”, lembra. Onde Tita e Rômulo chegaram hoje é, por conseguinte, parte desse legado paterno de resiliência e honra.

A Inovação com o “Monte o Seu Sushi em Casa”

Foi então que a necessidade de criar uma nova fonte de receita, que sobrevivesse à sazonalidade, tornou-se uma obsessão. Em maio de 2025, durante uma conversa com Rômulo, surgiu a ideia que mudaria tudo. Apaixonados por culinária japonesa, eles desenvolveram o “Monte o Seu Sushi em Casa”. A sacada foi identificar que nenhuma outra peixaria em Recife oferecia cortes específicos para sushi. Além disso, eles já possuíam a matéria-prima principal: o peixe fresco.

Eles começaram a oferecer lâminas desde sashimi a cortes para jojo e niguiri. A proposta de valor era clara: ao comprar o pedaço do salmão, a peixaria absorvia a perda de 20% (pele e aparas) e entregava o restante perfeitamente fatiado. Tudo isso por um preço muito inferior ao de qualquer restaurante. Um vídeo no Instagram alcançou um milhão de visualizações. Como resultado, o negócio explodiu.

Expansão e Impacto Social

A demanda superou todas as projeções. A equipe saltou de dois para oito funcionários. O Dia dos Namorados foi um caos positivo, com oitenta entregas simultâneas e filas na loja. Por isso, foi preciso contratar dois sushimen profissionais para dar conta. O projeto evoluiu para um kit completo: passaram a vender o arroz shari já pronto, sunomono, shoyu, tarê, esteiras, algas e todos os insumos necessários. A promessa era simples: “Podia até não ficar tão bonito, mas bom ele ia ficar”.

O sucesso, porém, transcendeu o produto. Tita se emociona ao relatar o verdadeiro impacto do projeto. A empresa estava proporcionando momentos. Ela recebia vídeos de famílias reunidas, montando seus próprios sushis. O relato mais tocante, aliás, veio de mães de crianças autistas. Estas historicamente apresentavam enorme resistência alimentar, mas que, pelo simples fato de participarem ativamente da montagem, passavam a querer comer o que haviam preparado.

Essa resposta do público ditou o próximo passo. Muitos clientes queriam os combinados já prontos. A qualidade do arroz, a matéria prima fresca e o segredo do sushi já estavam validados. Assim, nasceu a decisão de abrir o “Sushi da Tita”. Esta é uma operação de delivery que, embora recém inaugurada, já conta com a experiência de maestria que o Pescados da Tita carrega em sua essência.

Conclusão: Resiliência e Inovação Pernambucana

Em conclusão, Tita Loyo honra Pernambuco por sua capacidade de transformar adversidade em oportunidade. Ela utiliza a criatividade como ferramenta de sobrevivência e a inovação como pilar de crescimento. Seu percurso é, portanto, a própria definição da resiliência local. Ela enfrentou a luta da quase falência, aplicou a criatividade para inventar um novo mercado e incorporou a inovação como segredo do sucesso. Em suma, provou que, para se sobressair, é preciso fazer algo diferente.

Não é por acaso que ela admira a jornalista Vivi Rolemberg. Assim como Rolemberg, que ela descreve como uma pessoa de inteligência ímpar e defensora da cultura e essência pernambucana, Tita Loyo também se tornou uma comunicadora que, através de seu empreendedorismo, celebra e fortalece a identidade do estado. Isso prova que a capacidade de se reinventar é a marca registrada de quem nasce aqui.

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