Mentes Extraordinárias

Daniel Lima: Mentes Extraordinárias

Ao Leitor: O Mapa das Mentes Extraordinárias

O que define uma Mente Extraordinária?

Não é um único feito, um golpe de genialidade isolado ou uma conquista singular. Descobrimos, ao longo de nossa jornada editorial, que a verdadeira excepcionalidade reside na coerência entre quatro dimensões distintas, porém inseparáveis: a jornada que molda o caráter, a filosofia que guia a mente, a disciplina que move a ação e o impacto que define o legado.

Para capturar a essência completa de cada coautor presente nesta obra, não nos contentamos com uma biografia linear. Fomos mais fundo. Estruturamos cada capítulo como um mergulho em quatro atos, permitindo ao leitor não apenas conhecer a história, mas dissecar o mecanismo por trás das realizações.

Ao navegar por este livro, você encontrará cada perfil dividido da seguinte forma:

  1. Trajetória
    Aqui, estabelecemos a fundação. Esta seção é a bússola que nos situa, apresentando uma descrição pessoal e profissional que revela as origens, os valores absorvidos e os pontos de virada que forjaram a identidade do indivíduo. É o mapa de onde ele veio e quem ele se tornou.
  2. Pensar
    Esta é a arquitetura da mente. Mergulhamos no mundo interno, explorando os modelos mentais, as crenças inegociáveis e a filosofia que serve como alicerce para todas as decisões. É aqui que entendemos por que eles fazem o que fazem.
  3. Agir
    Se “Pensar” é a estratégia, “Agir” é a execução. Investigamos a ponte entre a ideia e a realidade: os hábitos, a gestão do risco, a tomada de decisão sob pressão e a disciplina diária que transforma visão em movimento concreto.
  4. Realizar
    Este é o resultado, o impacto tangível no mundo. Analisamos as conquistas não como um ponto final, mas como a manifestação de tudo o que veio antes. É a prova viva do alinhamento entre sua trajetória, seu pensamento e suas ações, consolidando o seu legado.

Ao seguir esta estrutura, convidamos você a fazer mais do que admirar; convidamos você a compreender. Bem-vindo às Mentes Extraordinárias.

1. Trajetória: O Alicerce da Essência

A existência de Daniel Lima não se inaugura sob a quietude dos escritórios jurídicos ou no estridor dos tribunais contemporâneos, mas sob o signo de uma renúncia sagrada que antecedeu sua própria vida. O percurso deste advogado criminalista começa em uma convergência improvável, onde o claustro cedeu lugar ao mundo e a devoção mística se transmutou em dedicação civil. Seus pais, César Augusto Sales de Araújo e Maria Luzete de Lima, personificam essa gênese de contrastes. Ele, um cearense que aportou no Recife como seminarista marista e assessor de Dom Helder Câmara; ela, vinda de Vitória de Santo Antão como noviça das Damas da Instrução Cristã. O encontro ocorrido na Juventude Católica não foi apenas o prefácio de uma família, mas a fundação de um rigor ético que o acompanharia em cada defesa criminal. A decisão de ambos em abandonar o projeto eclesiástico para constituir um clã, onde Daniel despontou como o primogênito, estabeleceu o primeiro grande paradigma de sua história: a liberdade é uma escolha que exige a coragem de romper com o destino traçado por terceiros.

Crescer como o mais velho de uma linhagem numerosa, cercado por irmãos e sob a égide de uma mãe que elencava educação, saúde, alimentação, cultura e lazer como pilares inegociáveis, esculpiu nele uma maturidade precoce. Contudo, a verdadeira escola de Daniel não estava limitada às paredes domésticas ou aos bancos do Colégio Marista e do Colégio Contato. Sua formação mais visceral ocorreu na horizontalidade do asfalto recifense, dentro do transporte público que cruzava a cidade. Esta vivência, que ele define com precisão como uma mola propulsora, foi o laboratório onde a paciência se converteu em estratégia e o desconforto em ambição. Quem andou de ônibus compreende o tempo de forma distinta; quem enfrentou a chuva a pé valoriza o abrigo da conquista; quem buscou o próprio espaço na multidão aprende a defender o espaço do indivíduo perante o Estado. A escassez financeira de outrora não produziu uma alma ressentida, mas um intelecto afiado pela necessidade de superação, provando que o ponto de partida não dita a linha de chegada, mas qualifica o vigor da caminhada.

Ao ingressar na Faculdade de Direito do Recife, Daniel não buscava apenas um diploma, mas a ferramenta técnica para operacionalizar sua inquietude nata. A vocação para a área criminal, manifesta desde os quatorze anos, encontrou seu cadinho de prova no estágio com Lúcio Jatobá. Na convivência com o mestre, Daniel absorveu lições que transcendiam a dogmática jurídica e alcançavam a disciplina operacional. Lúcio ensinou que a falta de uma genialidade pretensiosa deve ser compensada por uma organização implacável e por um labor incansável. Esta humildade estratégica tornou-se a bússola de Daniel: a compreensão de que o sucesso na advocacia de elite é o subproduto de ser mais ordenado e mais trabalhador que a média. Em 1996, ao lançar-se profissionalmente, ele já não era apenas um bacharel, mas um operador do Direito ciente de que a justiça se faz com suor, método e uma vigilância constante sobre os detalhes que a burocracia insiste em ignorar.

A consolidação de seu escritório, o Daniel Lima Advocacia, ocorreu em paralelo a um envolvimento profundo com as principais operações da Polícia Federal no Nordeste. Atuar no epicentro desses embates exigiu dele mais do que o conhecimento dos códigos; exigiu a capacidade de decifrar o ser humano sitiado pela acusação. Daniel percebeu que a defesa criminal mais eficaz é aquela que não perde de vista o indivíduo, tratando cada caso como uma unidade de vida e não apenas como um número de processo. No entanto, o sucesso profissional, marcado por vitórias significativas e pelo reconhecimento de seus pares, foi posto à prova pela fragilidade da própria carne. A trajetória de Daniel é pontuada por encontros com a finitude que o forçaram a recalibrar o sentido da existência. De arritmias severas causadas pelo estresse de causas complexas a uma queda de cavalo e uma apendicite com peritonite, ele experimentou o isolamento das unidades de terapia intensiva como salas de aula sobre o que é essencial.

O teste supremo, contudo, manifestou-se durante a pandemia de COVID-19. Quinze dias entubado e outros quinze em recuperação intensiva transmutaram o advogado combativo em um observador da própria impotência. Acordar em um estado de paralisia física total, onde apenas o olhar podia se mover, foi o rito de passagem para uma nova dimensão de consciência. Ali, diante do vácuo da posse material, Daniel compreendeu que o verdadeiro patrimônio de um homem é composto exclusivamente pelo que ele viveu e pelas relações que cultivou. O desapego não surgiu como uma teoria filosófica, mas como uma constatação biológica. Ao retornar do abismo, ele trouxe consigo uma urgência de presente, uma recusa em viver de glórias passadas e uma valorização absoluta do comprometimento. A UTI não o enfraqueceu; ela o cristalizou como um homem de pedra, cuja firmeza nasce da consciência de que a vida é um fôlego que deve ser honrado com verdade, comprometimento e liberdade.

Hoje, ao olhar para o filho Antônio e para a esposa Brena, que define como sua melhor amiga e sócia na vida, Daniel Lima enxerga a síntese de sua construção. Ele é o resultado de uma trajetória que soube integrar a disciplina do seminarista, a resiliência do passageiro de ônibus e a combatividade do criminalista calejado pela dor. O sucesso, para ele, despojou-se da vaidade do acúmulo para habitar a liberdade de fazer o que se quer e ser fiel ao que se pensa. Sua história demonstra que a mente extraordinária é aquela que consegue transformar o “não” do sistema e o “não” da biologia em um “sim” de propósito. Ele continua sendo o inquieto que estuda o novo, o conservador que não abre mão do terno e da palavra empenhada, e o sobrevivente que sabe que o maior triunfo não é apenas vencer a causa, mas chegar ao final do dia com a clareza de ter sido um portal de resolução e dignidade para aqueles que confiaram em sua batuta.

2. Pensar: O Desenho da Liberdade e a Engenharia do Consentimento

Para compreender a estrutura intelectual que sustenta as decisões de Daniel Lima, é preciso abandonar a ideia de que o Direito Penal é apenas uma disputa de teses estáticas. Em seu sistema operacional interno, a justiça é um organismo vivo que respira, prioritariamente, o oxigênio da liberdade. O seu axioma fundamental, a bússola que orienta cada estratégia de defesa, reside na convicção de que o direito ao pensamento divergente é a pedra angular de qualquer civilização. Ele não defende apenas o cliente; ele protege a sacralidade da discordância. Este princípio não é uma abstração acadêmica, mas um compromisso existencial: ele lutaria até o fim pelo direito de alguém divergir dele, com a mesma intensidade com que lutaria para que sua própria convicção prevalecesse sobre a alheia. Pensar, para este criminalista, é um ato de resistência contra a uniformidade forçada; falar é uma ferramenta de demarcação de território; divergir é a prova de que a mente permanece soberana.

Essa arquitetura mental opera através de um filtro de coerência que ele define como comprometimento. Em um mundo onde o discurso frequentemente se descola da prática, o pensamento de Daniel exige uma simetria rigorosa entre a palavra empenhada e o ato executado. Ele identifica na ausência de compromisso a maior patologia das relações contemporâneas. Se o combinado não é cumprido, a confiança se dissolve; se a confiança se dissolve, a estrutura social desaba. O seu pensamento é, portanto, binário e direto: o que foi pactuado deve ser honrado, independentemente da religião, da orientação sexual ou da ideologia do interlocutor. A mente dele não se ocupa das escolhas íntimas do outro, pois compreende que a liberdade alheia é o limite onde começa a sua própria. O compromisso é o que se planeja, o compromisso é o que se verbaliza, o compromisso é o que se entrega.

Um dos modelos mentais mais sofisticados de sua psique é a Heurística da Frustração Pedagógica. Daniel observa com lucidez crítica uma geração que se recusa a amadurecer porque foi poupada da dor do “não”. Em sua análise, a maturidade é uma conquista que exige o atrito do impedimento. Pais que eliminam os obstáculos do caminho dos filhos não estão criando vencedores; estão fabricando adultos frágeis que sucumbem ao primeiro revés. Para ele, a frustração não é um castigo, mas o solo onde se planta a resiliência. A maturidade exige a perda. A perda gera o reconhecimento da finitude. A finitude produz a urgência do esforço. Ao aceitar que as coisas nem sempre acontecem conforme o desejo, o indivíduo deixa de ser refém do próprio ego para se tornar senhor de sua história. Esta lógica ele aplica no seu ofício diário: ele habita o domínio do “não” proferido por delegados, promotores e magistrados, utilizando cada negativa como o combustível necessário para a busca incessante pelo “sim” da justiça.

Interconectado a essa percepção, reside o modelo do Realismo Econômico Universal. Influenciado pela história, ele compreende que, embora os sentimentos e as ideologias ocupem o palco principal das narrativas humanas, o regente silencioso de cada conflito é, invariavelmente, a economia. “O maior general de toda guerra é o bolso” poderia ser o lema de sua visão geopolítica e interpessoal. Ele não se ilude com retóricas de libertação que não tragam em seu núcleo um interesse financeiro ou de poder. Essa frieza analítica permite que ele decifre as motivações ocultas por trás de uma acusação ou de um litígio empresarial. Ele enxerga o mundo como um tabuleiro de interesses onde o interesse ideológico é nobre, mas o interesse econômico é o que move as peças. Pensar estrategicamente, para Daniel, é seguir o rastro do benefício material para entender onde a verdade foi enterrada.

A relação com a inovação e a tecnologia revela uma mente que prefere a utilidade à pirotecnia. Embora se defina com humor como um analfabeto digital, ele utiliza a Inteligência Artificial não como uma substituta da cognição humana, mas como um oráculo veloz e um compilador de precedentes. Ele percebe na ferramenta tecnológica um espelho de autoridade: muitas vezes, o cliente só aceita a verdade jurídica quando esta é referendada pela resposta instantânea de um algoritmo. A Inteligência Artificial é um repositório vasto, a Inteligência Artificial é um compilado técnico, a Inteligência Artificial é uma rapidez surda. Ela sabe tudo sobre a regra, mas não sabe nada sobre o cheiro das pessoas ou sobre as nuances da alma que somente o olhar experiente do advogado consegue captar. Ele usa a máquina para iluminar o caminho, mas guarda para si a bússola da interpretação.

O processo decisório de Daniel Lima foi profundamente refinado pela barreira dos cinquenta anos. Se a juventude foi marcada pela ousadia absoluta, a maturidade instaurou a ditadura da prudência proporcional. Ele opera agora sob uma máxima de paz interior: “é preferível ser feliz a ter razão”. Este modelo mental altera a natureza do embate jurídico. Ganhar uma causa, para ele, não significa esmagar o oponente sob o peso de sua verdade pessoal, mas retirar o cliente do problema da forma mais eficaz e menos traumática possível. Ele questiona o constituinte: você quer a vitória técnica ou quer a solução da angústia? Frequentemente, ter razão é um cárcere de orgulho, enquanto ser feliz é a liberdade de encerrar o conflito. A razão aprisiona o rancor; a felicidade liberta o futuro.

No centro dessa engrenagem mental, existe um diálogo constante com o medo e com o controle. Ele confessa o pavor de ficar “na mão dos outros”, uma metáfora que utiliza para explicar desde o seu receio de voar até a sua postura diante de autoridades. A incerteza é o único adversário que ele ainda não conseguiu domesticar completamente. Quando o imponderável se apresenta, sua estratégia é o recolhimento tático e o silêncio do sono, permitindo que o inconsciente processe o que a lógica consciente não consegue organizar. Ele entende que, na advocacia criminal, o advogado é um instrumento de meio, mas o resultado final reside na interpretação alheia. Essa dependência do julgamento do outro é o que mantém sua mente em estado de vigília permanente.

Ao projetar o futuro, Daniel não se perde em utopias. Ele enxerga o mundo em ciclos de polarização e equilíbrio, ciente de que a humanidade caminha para um patamar onde o virtual ameaça devorar o humano. Sua visão de mundo em dez anos é cautelosa, mas sua atuação presente é focada na preservação da essência. Ele busca em sua esposa, Brena, o contraponto de amizade e liberdade que permite que sua mente descanse. Ao filho, Antônio, ele tenta transferir a lição de que o afeto não anula a firmeza e que o pai não é um parceiro de brincadeiras, mas um guia de valores. O pensamento de Daniel é, em última análise, um elogio ao indivíduo soberano. Ele pensa para defender, pensa para pacificar e, acima de tudo, pensa para garantir que a liberdade de ser e de divergir continue sendo o bem mais precioso do patrimônio humano.

3. Agir: A Orquestração da Vontade e a Prática do Acolhimento

O agir de Daniel Lima não é um impulso errático, mas a materialização de uma arquitetura ética que recusa a passividade. Se no domínio do pensar a liberdade é o axioma, no território da ação o comprometimento é a ferramenta. A transição da filosofia para a prática ocorre sob uma regra que ele aplica com rigor monástico: o domínio da execução sobre a hesitação. Para este criminalista, o movimento precede a clareza; o movimento gera a oportunidade; o movimento consolida a defesa. A sua forma de operar o mundo jurídico evidencia que a eficácia reside na simetria entre o que se pactua e o que se entrega, uma coordenação que ele exerce com a precisão de quem sabe que cada telefonema seu pode alterar o destino de uma existência.

A metodologia de sua atuação profissional revela-se na condução do Daniel Lima Advocacia. O que hoje é uma estrutura consolidada teve sua semente plantada na disciplina herdada de Lúcio Jatobá, mestre que lhe ensinou que o trabalho supera o talento. Ali, o agir é um exercício de restauração. Ao se debruçar sobre uma causa, ele não manipula apenas códigos e normas, mas lida com o patrimônio existencial de indivíduos sob o cerco estatal. A sua ação é cirúrgica: ele identifica a falha na acusação, elabora a estratégia de defesa e executa o pleito com o objetivo de devolver a autonomia ao cliente. Nesse cenário, o agir é a materialização de seu senso de ordem. Ele entende que a verdadeira eficácia na advocacia não reside na pirotecnia oratória, mas na organização implacável dos fatos. O sucesso de sua operação é medido pela paz que retorna ao lar do constituinte e pela justiça que se manifesta na interrupção da angústia.

A execução de sua visão manifesta-se através de uma ferramenta que une a tradição do Direito à rapidez da modernidade: o uso de códigos de resposta rápida em suas peças processuais. Em um sistema judiciário sitiado pelo volume de processos, Daniel compreendeu que a atenção do magistrado é o ativo mais escasso. Ao inserir vídeos de depoimentos e momentos cruciais da audiência diretamente nas alegações finais, ele não está apenas inovando tecnologicamente; ele está agindo para humanizar a prova. Ele traz a voz do réu para a tela do juiz; traz o olhar da testemunha para o gabinete do desembargador; traz a temperatura do fato para a frieza do gabinete. Esta ação demonstra sua crença de que a tecnologia deve ser um acessório à inteligência, e não uma substituta do olhar clínico. Ele age para que o processo deixe de ser um amontoado de papéis e se torne uma narrativa de vida que exige uma escuta atenta.

A sua forma de comando é despida de vaidade hierárquica, pautada pela máxima de que o exemplo arrasta. Ele rejeita a figura do regente que aponta o caminho sem percorrê-lo. Em sua filosofia operacional, a liderança é um reflexo das relações domésticas e dos valores herdados de seus pais. Ele é o primeiro a chegar, o mais atento ao estudo e o mais zeloso com a palavra empenhada. Ao oferecer o seu próprio comportamento como padrão, ele elimina a necessidade de ordens bruscas. A equipe o segue porque reconhece nele a consistência entre o que é pregado e o que é vivido. Esse agir por contágio é o que garante a harmonia de sua banca, onde a inteligência coletiva é ativada através de ligações diretas. Ele recusa a impessoalidade das mensagens de texto, preferindo a vibração da voz humana para compartilhar ideias e desmiuçar estratégias com seu sócio Victor Trajano e parceiros como Paulo César Maia Porto e André Caúla.

Nenhum evento testou essa resiliência operativa com mais vigor do que os episódios de crise de saúde que o levaram à UTI. Diante do colapso físico provocado por arritmias ou pela peritonite, o seu agir não foi o da lamentação, mas o do enfrentamento silencioso. Ele encarou a dor sem notificar o entorno para evitar a espetacularização do sofrimento. Esta postura revela um processo de gestão de si mesmo: ele trata a crise pessoal como trata a causa jurídica — com discrição, firmeza e uma vontade de vencer que ignora o pavor. A superação das internações tornou-se um vetor de autoridade, permitindo que ele aja junto aos seus clientes com a segurança de quem já conheceu o abismo e decidiu não habitar nele. Ele utiliza a sua própria finitude como um lembrete para não adiar a felicidade, praticando a coragem de ser feliz mesmo quando o cenário sugere o conflito.

Daniel Lima age com a precisão de um criminalista e a paciência de um negociador. Ele entende que a pressa é a inimiga da solução profunda. O seu método de ação é, em última análise, um ato de respeito ao tempo e às pessoas. Ele planeja o risco quando a segurança é baixa; pondera o passo quando a incerteza é alta; decide a rota quando a intuição aponta o norte. Na arena da vida, onde tantos se perdem no ruído da ação sem propósito, ele se destaca pelo movimento calculado, honesto e profundamente comprometido com o bem-estar do outro. O seu agir é o selo de sua determinação: ele vai atrás do sim porque o não ele já recebeu, transformando cada negativa do sistema em uma nova e vigorosa oportunidade de realização.

4. Realizar: O Estuário da Memória e a Perenidade do Viver

A culminância de uma existência devotada à defesa da liberdade e ao rigor do compromisso não se quantifica em metros quadrados de escritório ou na frieza dos balanços patrimoniais. Ao observarmos a totalidade do percurso percorrido, percebemos que a mentalidade voltada para a soberania do pensamento e a execução pautada na presença absoluta confluem para uma realização que excede a própria técnica jurídica. A contribuição duradoura deste criminalista é a reumanização do processo penal, transformando a prática de balcão em um exercício sagrado de dignidade individual. A sua assinatura inconfundível é a pedagogia do comprometimento: a convicção de que a justiça, para ser plena, exige que a palavra dada seja o alicerce de cada movimento, que o acordo seja o norte da paz e que o ser humano seja o centro de gravidade de qualquer demanda.

Seu legado já respira fora dos limites dos tribunais, habitando a consciência daqueles que descobriram, sob sua orientação, que a maturidade nasce da aceitação da perda. O sucesso, sob sua ótica amadurecida, despojou-se da vaidade de ter razão para abraçar a plenitude de ser feliz. Esta realização manifesta-se na tranquilidade com que ele transita entre causas de repercussão nacional e os dilemas simples do microempreendedor da esquina. Ele provou que a advocacia de elite não deve ser um reduto de arrogância, mas um canal de resolução. Recentemente, a consciência de que o verdadeiro patrimônio é composto pelo que se viveu, e não pelo que se acumulou, consolidou-se como sua verdade mais profunda. A vivência no abismo das unidades de terapia intensiva não foi um hiato, mas a consagração de sua obra: ele retornou da paralisia para ensinar que a vida é um fôlego que não admite o adiamento da alegria.

A realização, contudo, possui sua face mais luminosa voltada para o santuário doméstico. O seu triunfo de maior orgulho, aquele que eleva o tom de sua voz e traz um brilho inédito ao olhar, reside na parceria com sua esposa, Brena, e no desenvolvimento de seu filho, Antônio. Para ele, a estabilidade alcançada ao lado de Brena, que define como sua melhor amiga e o porto onde sua inquietação encontra o descanso, é a validação definitiva de suas escolhas. Ao ver o filho crescer com a firmeza de quem compreende o valor do afeto e a necessidade da disciplina, ele percebe a multiplicação de sua própria essência. A herança que ele deixa para Antônio não são ativos financeiros que o tempo consome, mas o lastro de união e felicidade que recebeu de seus pais, César e Maria Luzete. Ele honra a memória de Césa e a sabedoria de Maria Luzete ao provar que o sucesso público é estéril se não irrigar a paz no lar.

O impacto de sua atuação é palpável na gratidão de quem recuperou o sono através de uma defesa justa ou de uma intermediação pacificadora. A ligação de reconhecimento dos amigos de Antônio no Dia dos Pais são os selos de autenticidade de sua existência. Naqueles pequenos gestos, a grandiosidade de sua missão revela-se por inteiro: ele não se limitou a advogar, ele se tornou um portal de transformação. Ele compreendeu que a autoridade do jurista possui o peso de restaurar destinos e usou essa influência com a sobriedade de quem sabe que está apenas de passagem. O seu trabalho não apenas resolveu lides judiciais; ele restaurou a esperança de que a ética e o trabalho duro são as únicas moedas que não sofrem a corrosão da história.

A projeção dos próximos anos está ancorada na recusa absoluta da inércia. Aos cinquenta e três anos, o seu horizonte não é o da aposentadoria contemplativa, mas o da permanência produtiva. Ele deseja que o seu fim o encontre no exercício pleno do ofício, preferindo a morte sobre o birô à quietude do desânimo. Ele planeja continuar desbravando novos campos do saber, como o Direito Eleitoral, movido pela mesma curiosidade que o levava aos ônibus lotados na juventude. Sua visão de futuro é a continuidade do presente: ser útil, ser livre e ser verdadeiro. Ele não vislumbra o descanso da estagnação, mas o vigor de quem sabe que cada novo processo é uma oportunidade de honrar a liberdade de pensamento que tanto defende.

Esta biografia, iniciada sob o signo da renúncia e elevada pela filosofia do comprometimento, encontra sua paz na certeza de que nada foi em vão. O advogado que buscou o sim onde o sistema impunha o não é hoje a voz que acalma a angústia alheia. O seu sucesso é a harmonia entre o que ele sente, o que ele pactua e o que ele faz. Ele não mede o êxito pelo aplauso da multidão, avalia o triunfo pelo veredito do próprio travesseiro. Daniel Lima é a prova de que a inteligência, quando banhada em resiliência e honestidade, torna-se sabedoria. A sua vitória não está nos troféus de papel, mas na calma com que deita a cabeça ao fim da jornada, sabendo que cumpriu o propósito de ser um instrumento de ordem e um guardião da soberania humana.

Ao encerrarmos este capítulo, retornamos à imagem do passageiro que cruzava o Recife sob o sol e sob a chuva. Aquele jovem inquieto transformou o desconforto em potência e o medo em método. O homem que sobreviveu à intubação e ao silêncio da paralisia é agora o estopim para a coragem de tantos outros. O parágrafo final de sua biografia ainda está longe de ser escrito, pois ele acredita que cada amanhecer exige uma nova e vigorosa entrega ao trabalho. Ele habita o agora com a lucidez de quem compreendeu que a maior conquista de uma mente extraordinária é, simplesmente, nunca se trair. E nesse ato de permanência junto à própria verdade, ele ensina que o legado não é o que deixamos para trás, mas o que carregamos conosco na dignidade do fôlego presente.

Keplinho Lafayette
Editor Executivo do Grupo Paradigma, empreende em novas ideias e novos horizontes estratégicos e operacionais através da congruência entre criatividade e imaginação.

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