Mentes Extraordinárias

Gerardyne Bessone – Mentes Extraordinárias

Ao Leitor: O Mapa das Mentes Extraordinárias

O que define uma Mente Extraordinária?

Não é um único feito, um golpe de genialidade isolado ou uma conquista singular. Descobrimos, ao longo de nossa jornada editorial, que a verdadeira excepcionalidade reside na coerência entre quatro dimensões distintas, porém inseparáveis: a jornada que molda o caráter, a filosofia que guia a mente, a disciplina que move a ação e o impacto que define o legado.

Para capturar a essência completa de cada coautor presente nesta obra, não nos contentamos com uma biografia linear. Fomos mais fundo. Estruturamos cada capítulo como um mergulho em quatro atos, permitindo ao leitor não apenas conhecer a história, mas dissecar o mecanismo por trás das realizações.

Ao navegar por este livro, você encontrará cada perfil dividido da seguinte forma:

  1. Trajetória
    Aqui, estabelecemos a fundação. Esta seção é a bússola que nos situa, apresentando uma descrição pessoal e profissional que revela as origens, os valores absorvidos e os pontos de virada que forjaram a identidade do indivíduo. É o mapa de onde ele veio e quem ele se tornou.
  2. Pensar
    Esta é a arquitetura da mente. Mergulhamos no mundo interno, explorando os modelos mentais, as crenças inegociáveis e a filosofia que serve como alicerce para todas as decisões. É aqui que entendemos por que eles fazem o que fazem.
  3. Agir
    Se “Pensar” é a estratégia, “Agir” é a execução. Investigamos a ponte entre a ideia e a realidade: os hábitos, a gestão do risco, a tomada de decisão sob pressão e a disciplina diária que transforma visão em movimento concreto.
  4. Realizar
    Este é o resultado, o impacto tangível no mundo. Analisamos as conquistas não como um ponto final, mas como a manifestação de tudo o que veio antes. É a prova viva do alinhamento entre sua trajetória, seu pensamento e suas ações, consolidando o seu legado.

Ao seguir esta estrutura, convidamos você a fazer mais do que admirar; convidamos você a compreender. Bem-vindo às Mentes Extraordinárias.

1. Trajetória: O Labirinto do Dever e a Alvorada do Afeto

A lei é uma promessa de ordem, um sistema de pesos e um clamor por equidade. No entanto, para quem habita as entranhas do Direito por quase três décadas, a norma deixa de ser apenas um texto gélido para tornar-se o espelho de uma vontade soberana. A história que aqui se descortina não é o relato de uma ascensão linear, mas a crônica de um desvio necessário, onde a técnica se curvou à ternura e o lucro cedeu lugar ao propósito. Esta é a narrativa de uma metamorfose que não buscou a luz de holofotes, mas a claridade da consciência, transformando uma carreira consolidada em um exercício de amparo.

O solo onde essa sensibilidade germinou era um cenário de contrastes eloquentes e silêncios fundadores. No ambiente doméstico, a presença de Gerardina, uma mulher de raízes italianas e temperamento vívido, ditava a cadência da disciplina e da retidão. Cuidado, cuidado ético e cuidado humano eram os pilares invisíveis que sustentavam o lar. Essa herança, de vigor e quietude, de audácia e calma, preparou o terreno para um ingresso precoce na vida acadêmica. Aos dezessete anos, quando a maioria dos jovens ainda tateia as incertezas do destino, Gerardyne Bessone já cruzava os portais da universidade, antecipando uma dedicação que não admitiria o amadorismo ou a hesitação.

Contudo, antes dos tribunais, a juventude foi o palco de uma versatilidade audaz para assegurar a autonomia financeira. Em um esforço múltiplo para “botar dinheiro no bolso”, ela comercializou desde capinhas de celular e aparelhos móveis até peças de vestuário íntimo, revelando uma face batalhadora que não temia o balcão. Essa vivacidade de quem “corre” atrás do sustento forjou a musculatura de quem entende o valor de cada centavo muito antes de assinar contratos vultosos.

As duas décadas seguintes foram consumidas pela engrenagem implacável do mundo corporativo, um domínio onde o tempo é devorado por algoritmos de produtividade e a alma é sitiada por planilhas áridas. A advocacia empresarial não foi um exercício teórico, mas uma imersão na gestão de passivos e estratégias para colossos como a Odebrecht, a Transnordestina e o Grupo M. Dias Branco. Neste período de alta voltagem, ela percorreu quase toda a extensão do território brasileiro a trabalho, além de compartilhar seu conhecimento nas salas de aula como docente universitária. O preço da excelência executiva, no entanto, manifestava-se na fadiga do espírito. Embora o sucesso fosse um dado adquirido, a satisfação pessoal permanecia em um exílio profundo. Era uma existência pautada por metas que, embora vultosas, não dialogavam com a essência de servir que pulsava sob o jaleco jurídico.

O ano de 2019 funcionou como uma fenda no tempo, um ponto de ruptura que exigiu o desmantelamento do ego em prol da verdade. A advogada que dominava as salas de reuniões percebeu que a sua alegria estava sufocada pela inércia de um êxito sem sentido. Trabalho, trabalho duro e trabalho constante já não eram combustíveis suficientes para a caminhada. Houve a necessidade de cessar o ruído exterior para ouvir o grito interior que pedia por utilidade humana. A decisão de abandonar a segurança das grandes estruturas não foi um ato de rebeldia infantil, mas um resgate de si mesma. Onde o mercado via uma carreira consolidada, ela enxergava um aprisionamento; onde o sistema via estabilidade, ela sentia a urgência de respirar um novo ar.

A dor alheia tornou-se a sua maior professora, e o diagnóstico de Alzheimer da mãe agiu como o reagente definitivo dessa transformação. Confrontada com a fragilidade daquela que fora o seu símbolo de firmeza e sitiada por reajustes abusivos nos planos de saúde, a jurista descobriu um novo campo de batalha. A indignação transmutou-se em especialidade. O Direito Médico e da Saúde surgiu não como uma alternativa estratégica de negócio, mas como uma resposta ética à injustiça que ela assistia dentro da própria casa. Ela entendeu que lutar pela dignidade de Gerardina era o prelúdio de sua luta pela dignidade de milhares de cidadãos invisíveis. O sofrimento doméstico conferiu-lhe a visão necessária para enxergar o invisível… o que a lei ignora, o coração reconhece.

Hoje, a união com Débora Cidrim é o estaleiro onde essa nova visão é executada com precisão e doçura. A escuta ativa substituiu a análise seca; o acolhimento superou o protocolo burocrático. Atender mães atípicas, que buscam os direitos de seus filhos autistas, ou socorrer idosos que aguardam cirurgias urgentes sob o açoite da dor, conferiu ao seu cotidiano uma pulsação que a advocacia empresarial jamais possuiu. No passado, ela operava para a empresa; no presente, ela atua para a vida. O triunfo deixou de ser uma cifra no balanço para tornar-se o alento de uma liminar concedida em tempo recorde, devolvendo a esperança a quem já não tinha fôlego para lutar.

Essa reorientação existencial exigiu, contudo, o sacrifício temporário de seu tempo biológico e de suas aspirações mais íntimas. Durante anos, as viagens incessantes, as estradas infinitas e o voo do dever profissional adiaram o desejo da maternidade. Duas perdas dolorosas aos trinta e dois e aos trinta e cinco anos foram as cicatrizes de um período em que a profissão parecia exigir a totalidade de suas células. No entanto, o universo, em sua justiça poética, reservou a plenitude para o momento de maior maturidade. A gravidez de gêmeos aos quarenta e nove anos, após um planejamento técnico rigoroso que envolveu o congelamento de óvulos por quatorze anos, é o selo de sua resiliência indomável. É a prova de que o tempo do afeto possui uma cronologia própria, que não se submete à pressa ou aos vereditos do mundo exterior.

Ao olhar para o itinerário percorrido, percebe-se que a trajetória desta jurista é o triunfo da reinvenção sobre a estagnação. Ela não apenas mudou de área; ela mudou de mundo. A coragem de deixar para trás o prestígio corporativo para abraçar a causa de quem clama por socorro é o que explica o seu vigor atual. Ela habita agora uma prática que inspira coragem com delicadeza, provando que o acesso à justiça é um ato supremo de zelo. A sua história é o testemunho de que a lei, quando banhada em humanidade, deixa de ser uma armadura pesada para tornar-se a mão que ampara. Ampara o desvalido. Protege o vulnerável. Salva o futuro. Na quietude de sua nova missão, ela descobriu que a vida é, essencialmente, movimento e cuidado.

2. Pensar: O Teorema do Significado e a Geometria do Amparo

Se a razão pura dita a norma, é a intenção profunda que dita a vida. Na estrutura intelectual de quem opera o Direito sob o signo da sensibilidade, o pensamento não é um depósito de certezas, mas um filtro de utilidade humana. Para esta mente, o intelecto funciona como um mecanismo de decifração que rejeita o resultado oco em favor do sentido pleno. O pensamento que cura, a palavra que salva, a escuta que acolhe. Esta tríade não é um adorno ético, mas o axioma central de uma filosofia que compreendeu que o êxito desprovido de propósito é apenas uma forma sofisticada de indigência espiritual. O sentido gera a ação; a ação gera o amparo; o amparo gera a dignidade.

A arquitetura cognitiva que governa as decisões de Gerardyne sustenta-se sobre um modelo mental que poderíamos designar como a Primazia da Substância Existencial. No tribunal de sua consciência, o lucro foi destituído de sua soberania para tornar-se um súdito da realização. Ela amarrou o seu pensar ao preenchimento da alma, recusando-se a habitar o deserto de uma advocacia que apenas soma dígitos mas subtrai humanidade. Ganhar a vida ou viver o ganho? A pergunta não é retórica; é o divisor que separou o seu passado corporativo de sua atual vocação. Essa busca por estímulos e renovação intelectual manifesta-se em um hábito peculiar: sempre que o desânimo profissional se aproximava, ela buscava abrigo no estudo, acumulando ao todo seis pós-graduações como ferramenta de oxigenação mental. Ela optou pela advocacia que transforma, pela advocacia que restaura, pela advocacia que sente. Ao desvincular o sucesso do balanço contábil, ela alcançou uma liberdade que o mercado tradicional desconhece. O objetivo tornou-se o meio, e o propósito tornou-se o fim.

A fonte de sua criatividade, paradoxalmente, reside no solo árido da vulnerabilidade. Quando as defesas caem, o entendimento ascende. No momento em que a fragilidade se manifesta, o seu intelecto não se retrai; ele se expande em busca de novos horizontes. Ela descobriu que as melhores teses não nascem da segurança, mas do atrito com a necessidade real. É o silêncio da pesquisa que precede o grito da justiça. A dor de quem espera por uma cirurgia ou a angústia da mãe atípica são os reagentes que ativam a sua engenharia de soluções. Diante do vácuo de amparo, ela projeta pontes. Através da fragilidade, ela descobre a força. Onde o sistema enxerga um impedimento, ela vislumbra uma fresta de luz. É uma inteligência que toca o caos para organizar o socorro.

Um dos pilares mais robustos de sua psique é o que poderíamos chamar de Framework da Redundância Estratégica. Ela opera sob o domínio absoluto da duplicidade de rotas: o Plano A e o Plano B. Para esta mente, a unicidade de saída é uma imprudência que ela não se permite assinar. Ela estuda o risco para não ser escrava dele; ela antecipa a falha para neutralizar o seu efeito. Se a via principal se fecha, a alternativa já está desenhada. Esta mentalidade de “pedidos subsidiários” — transposta do Direito para a existência — confere-lhe uma resiliência que beira o invulnerável. A incerteza não gera paralisia, pois a variação de caminhos já foi mapeada. O plano protege a vontade; a vontade sustenta o plano. Não se trata de falta de fé, mas de excesso de zelo com o destino de quem nela confia.

Essa cautela técnica convive com uma coragem que desafia a cronologia. O seu diálogo interno diante do temor não é de recuo, mas de enfrentamento orientado. Se o medo se instala, ela o convida para a caminhada, pois sabe que a hesitação é o prelúdio da obsolescência. Ir com medo, agir com medo, vencer com medo. Esta progressão define a sua postura diante dos grandes hiatos da vida. Ela compreende que o receio é um sinal de alerta, não uma ordem de parada. A sua segurança não nasce da ausência de perigo, mas da presença de convicção. Ao enfrentar a incerteza com a calma de quem possui um alicerce de valores, ela transforma o pavor em prontidão. O medo não a paralisa; ele a afia.

No centro desse sistema de pensamento, reside a lógica da Graça Operativa. Para ela, o esforço humano é o ordinário que prepara o terreno para o extraordinário divino. Ela faz o seu melhor na terra para que a providência faça o impossível no céu. É uma teologia da decisão que remove o peso da onipotência de seus ombros. Ao reconhecer-se como um instrumento, ela amplia a sua eficácia. A pressão por resultados é mitigada pela entrega espiritual. Ela vigia os detalhes, ela monitora os prazos, ela estuda as leis. Contudo, ela descansa na certeza de que o plano maior não está em suas mãos. A paz de espírito é, em última análise, a sua maior vantagem competitiva. O homem propõe, o Direito dispõe, mas Deus compõe.

Sua visão do coletivo projeta-se para um amanhã onde a humanização não seja uma exceção, mas a regra. Ao olhar para os próximos dez anos, ela não antevê apenas progressos tecnológicos ou vitórias processuais; ela vislumbra o florescimento de uma sociedade que saiba acolher o que não é padrão. O seu pensar é orientado pela esperança racional de que o seu trabalho atual seja a semente de uma nova cultura jurídica. Ela deseja deixar um rastro de integridade, de trabalho honesto e de valores familiares inegociáveis. Família, Direito, Verdade. Estes termos não são isolados; são as faces de uma mesma moeda de honra. O seu sucesso é a tranquilidade de deitar a cabeça no travesseiro com a certeza de que a lei serviu à vida e o afeto governou a norma. A mente extraordinária é, para ela, aquela que consegue ser simples em sua bondade e complexa em sua proteção.

3. Agir: A Cinética do Amparo e a Orquestração do Possível

O movimento sucede ao sentido; o sentido fundamenta a coragem; a coragem autoriza o recomeço. Na gramática operacional de quem compreendeu que o Direito é um exercício de alma, a execução não admite o hiato da dúvida nem a paralisia do cálculo excessivo. Se o pensar é o mapa da dignidade, o agir é o passo firme que desbrava o terreno da necessidade. Ela opera sob a égide de uma ousadia técnica, onde a prudência não funciona como um freio, mas como um sistema de ancoragem que permite voos mais altos. Ser ousada sem ser impulsiva, ser firme sem ser rígida, ser ágil sem ser apressada. Esta trindade tática define a sua forma de intervir na realidade, garantindo que o seu “all-in” existencial, como a transição radical de carreira ou a maternidade tardia, seja sustentado por uma engenharia de viabilidade absoluta.

Do estudo profundo emerge a ação refinada. Na artesania de seus projetos, a originalidade curva-se à eficácia da adaptação inteligente. Pesquisar o mercado, analisar o precedente, dissecar o êxito alheio para elevá-lo a um novo patamar de utilidade. Ao se inspirar com maestria nos processos que funcionam, ela na verdade traduz a eficiência para a linguagem do seu próprio propósito. No mundo saturado de informação, o conhecimento é o mármore; o seu olhar atento é o cinzel. Onde outros buscam o ineditismo vazio, ela busca o resultado sólido, convertendo o exemplo de mentes brilhantes em jurisprudência própria para o acolhimento humano. A ação é, portanto, uma síntese entre a herança da técnica e a urgência da vida.

Conquista. Conquista. Conquista. A autoridade, em sua visão administrativa, é um território que se habita pelo exemplo e pela conduta, jamais uma patente que se ostenta pelo grito ou pela imposição hierárquica. Influenciada pela memória de quem liderava com a suavidade da competência e a firmeza da retidão, ela aboliu a soberba de sua gestão cotidiana. Liderar é ouvir; liderar é respeitar; liderar é inspirar. Enquanto o comando arcaico se perde no estridor da prepotência, o seu agir manifesta-se na dignidade do silêncio operante e na força da palavra empenhada. Ela compreendeu que o respeito da equipe é o subproduto de uma postura que não exige o espelhamento forçado, mas que convoca todos à excelência espontânea. A sua liderança é uma influência que ocorre por osmose ética, transformando o ambiente de trabalho em um ecossistema de confiança mútua.

Há um tempo para a norma e há um tempo para a dor. No gabinete de crise onde a saúde é o bem supremo tutelado, o seu agir é uma corrida contra o relógio biológico que ignora os fusos horários da burocracia. Um idoso em agonia com o fêmur fraturado, uma mãe em desespero por um tratamento negado, um filho autista cujo direito é sitiado pela negligência do sistema. Para todos, ela oferece a rapidez da liminar e a calma da presença constante. O tempo para ela é elástico; ela perde a noção das horas atendendo um cliente para que ele não perca a esperança na vida. Atender é cuidar. Atender é salvar. Atender é persistir. No momento em que ela se debruça sobre uma causa, o tecnicismo desvanece e a humanidade assume o manche, provando que a eficácia jurídica reside na capacidade de sentir a pressa de quem sofre. O seu agir é cirúrgico na eliminação da angústia alheia.

Sem a ordem do método, o progresso da obra é uma quimera estéril. Fivelada à lição materna que via no estandarte nacional um código de conduta para o lar, ela instaurou um regime de organização absoluta em sua prática. Se a mente planeja o voo de longo curso, a estrutura logística garante a segurança do pouso. Ela organizou a vida financeira, as obrigações tributárias e as táticas processuais com a mesma precisão com que o mestre orquestra os seus instrumentos. Quando a desordem tenta ocupar espaço, a sua produtividade vacila; quando o rigor impera, a sua influência se expande. A organização é a sua armadura contra o caos, permitindo que a ousadia do espírito encontre solo fértil para frutificar. Ela não apenas faz; ela ordena o fazer para que o resultado seja perene.

Mudança gera vigor, e vigor exige mudança. A transição para o Direito da Saúde aos quarenta e cinco anos foi o seu mergulho renovador, uma ruptura que exigiu o descarte de identidades obsoletas para a fundação de um novo eu profissional. Resiliência, esforço, suor, verdade. Onde os medíocres enxergam o fim de um ciclo, ela vislumbra a fertilidade de um recomeço ousado. Ela não aceita o raso; ela não tolera o morno. Ao recusar-se a sucumbir à exaustão emocional do passado empresarial, ela construiu uma ponte sobre o abismo da estagnação, provando que a capacidade de se reinventar é o músculo mais potente de uma biografia. O trabalho é a sua oração diária; a persistência é o seu altar sagrado. Ela age como quem sabe que o sucesso é um verbo que se conjuga no presente do indicativo.

Movimento incessante. Alma solar. Voz vibrante. O seu agir transborda as paredes do escritório para habitar o vigor do corpo e a fluidez do diálogo social. As raízes de sua disciplina física residem na prática do jazz, cultivada até os vinte e dois anos, e na graduação como faixa roxa de kickboxing, artes que moldaram sua postura diante dos embates. Atualmente, mesmo lidando com as limitações da gravidez, ela mantém a resistência através da hidroginástica e natação, recusando a inércia do corpo. Ela é a comunicadora nata que encontra no outro um espelho necessário, a tagarela convicta que transmuta o silêncio de um corredor em uma sinfonia de conexões humanas. Para ela, relacionar-se é oxigenar a alma e ampliar a visão. A sua performance profissional é alimentada por esse intercâmbio de humanidades, onde o estranho torna-se aliado e o diálogo torna-se o lubrificante da engrenagem vital. Ela age para ser ponte entre mundos, movida sempre pelo calor do encontro e pela luz da verdade. Cada gesto seu é uma semente de utilidade, cada passo é uma afirmação de que a vida extraordinária é aquela que se coloca, integralmente, a serviço do próximo.

4. Realizar: A Consagração do Sentido e o Estuário do Amparo

O êxito de uma existência não se deixa capturar pela geometria fria dos gráficos de produtividade, nem se resume ao acúmulo estático de títulos que o tempo costuma corroer. A realização, para quem compreendeu que a essência precede a norma, reside na densidade do impacto que uma alma exerce sobre o seu entorno. Ao analisarmos a síntese deste percurso, percebe-se que o teorema do significado (Pensar) encontrou a sua validade máxima na cinética do zelo (Agir), resultando em uma obra que transcende a técnica jurídica para tocar o sagrado da existência humana. Onde antes havia o estridor de metas corporativas, agora habita o silêncio operante da cura social. Atender o desamparo, restaurar o direito, devolver a dignidade. Esta tríade é o selo de um legado que trocou a segurança do porto conhecido pela audácia de salvar vidas.

A assinatura inconfundível que se estabelece neste campo de atuação é a humanização absoluta do acesso à justiça. Ela operou uma mudança de paradigma no Direito Médico e da Saúde em Pernambuco, transformando o advogado de um mero articulador de códigos em um sentinela da vida. Onde o sistema impunha a frieza da negação burocrática, ela inseriu o calor da urgência ética. O seu maior triunfo profissional não reside nos anais dos tribunais, mas no alento das famílias que, sob a sua tutela, reencontraram o rumo após o naufrágio de um diagnóstico. Ser a ponte entre o abismo da doença e a margem da solução é a sua forma definitiva de utilidade. O sucesso, sob esta ótica, é a paz de quem entrega a melhor solução técnica, sabendo que a prosperidade do próximo é o único solo fértil para a própria plenitude.

Contudo, para esta alma inquieta, o monumento mais vibrante de sua trajetória não foi erguido com tijolos ou contratos, mas com a resiliência da própria carne. O maior orgulho, a conquista que desafia a lógica do cansaço e a tirania do relógio, atende pelos nomes de Antônio e João Gabriel. A maternidade de gêmeos aos quarenta e nove anos é o seu milagre particular, a prova física de que a vontade soberana não se submete aos vereditos da biologia convencional. Foram quinze anos de espera, de perdas, de silêncios e de preces. Pelo filho ela lutou, pelo filho ela esperou, pelo filho ela venceu. Esta realização pessoal é o espelho de sua prática profissional: uma recusa obstinada em aceitar o “não” como destino final. Ela legará aos herdeiros não apenas um patrimônio de honra, mas o exemplo de quem soube esperar o tempo da graça sem jamais desertar da trincheira do trabalho.

A projeção de seu futuro desenha-se como um horizonte de transbordamento e testemunho. O desejo de ampliar o alcance de sua voz através de publicações e eventos sugere uma nova fase: a de guiar outras mulheres para além das sombras da exaustão e do desânimo. Ela vislumbra um amanhã onde a sua experiência com a maternidade atípica e com a gestão da saúde mental sirva de mapa para quem ainda se perde no deserto da desorientação. A produção de conteúdo educativo, que já rompe as barreiras formais da advocacia, é a semente de um projeto maior de emancipação social. Ela pretende transformar a sua autoridade técnica em um recurso público de cuidado, provando que a dor só é redimida quando se torna remédio para a ferida alheia. A missão agora é ensinar, é acolher e é propagar a coragem que ela mesma teve de buscar no fundo da alma.

Vozes em uníssono. Mães em vigília. Destinos restaurados. Nesse porto seguro da maturidade, ela encontra equilíbrio na convivência com Alexandre Percínio, o marido que personifica o silêncio reflexivo e funciona como o contraponto calmo para sua natureza tagarela e expansiva. Uma união que exige a presença de amigos em viagens para que o fluxo do diálogo nunca cesse, provando que a harmonia reside no respeito aos opostos. A força desta realização reside na harmonia de uma tríade inegociável: o rigor do método, a profundidade da fé e a doçura do vínculo familiar. Ela compreendeu que a pressa do mundo é inimiga da perfeição da vida, e que o segredo da alta performance não está na velocidade do passo, mas na firmeza da direção. A sua vida é o triunfo da intencionalidade sobre o acaso. Ela não é um náufrago das circunstâncias; é a comandante de sua própria nau, navegando com a certeza de que as águas podem ser revoltas, mas o porto é seguro. O seu realizar é um fluxo contínuo de impacto que não busca o aplauso fácil, mas a permanência do bem. Ela joga o jogo infinito: onde outros buscam a vitória rápida, ela estabelece o amparo duradouro.

Ao encerrarmos este perfil extraordinário, retornamos à premissa que ecoa em cada capítulo de sua história: a sorte segue a coragem. Mas não a coragem imprudente dos insensatos, e sim a coragem serena de quem sabe que está sendo vigiada por uma inteligência superior. O itinerário da advogada que se tornou o pilar de uma nova advocacia de cuidado ensina que a mente extraordinária é aquela que consegue enxergar a oportunidade na crise e o sagrado no cotidiano. Ela habita agora a plenitude de quem descobriu que a vida não é o que nos acontece, mas o que fazemos com o que nos acontece. Se a juventude buscou a lei para ordenar o mundo, a maturidade encontrou o amor para salvar as pessoas. Não vivemos para a norma, fazemos a norma viver para o humano. O livro de sua vida continua a ser escrito com as tintas da verdade e do afeto, garantindo que o seu nome seja lembrado não pelo que acumulou, mas pelo tanto que soube, enfim, amparar.

Keplinho Lafayette
Editor Executivo do Grupo Paradigma, empreende em novas ideias e novos horizontes estratégicos e operacionais através da congruência entre criatividade e imaginação.

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