Mentes Extraordinárias

Socorro Maia Gomes – Mentes Extraordinárias

Ao Leitor: O Mapa das Mentes Extraordinárias

O que define uma Mente Extraordinária?

Não é um único feito, um golpe de genialidade isolado ou uma conquista singular. Descobrimos, ao longo de nossa jornada editorial, que a verdadeira excepcionalidade reside na coerência entre quatro dimensões distintas, porém inseparáveis: a jornada que molda o caráter, a filosofia que guia a mente, a disciplina que move a ação e o impacto que define o legado.

Para capturar a essência completa de cada coautor presente nesta obra, não nos contentamos com uma biografia linear. Fomos mais fundo. Estruturamos cada capítulo como um mergulho em quatro atos, permitindo ao leitor não apenas conhecer a história, mas dissecar o mecanismo por trás das realizações.

Ao navegar por este livro, você encontrará cada perfil dividido da seguinte forma:

  1. Trajetória
    Aqui, estabelecemos a fundação. Esta seção é a bússola que nos situa, apresentando uma descrição pessoal e profissional que revela as origens, os valores absorvidos e os pontos de virada que forjaram a identidade do indivíduo. É o mapa de onde ele veio e quem ele se tornou.
  2. Pensar
    Esta é a arquitetura da mente. Mergulhamos no mundo interno, explorando os modelos mentais, as crenças inegociáveis e a filosofia que serve como alicerce para todas as decisões. É aqui que entendemos por que eles fazem o que fazem.
  3. Agir
    Se “Pensar” é a estratégia, “Agir” é a execução. Investigamos a ponte entre a ideia e a realidade: os hábitos, a gestão do risco, a tomada de decisão sob pressão e a disciplina diária que transforma visão em movimento concreto.
  4. Realizar
    Este é o resultado, o impacto tangível no mundo. Analisamos as conquistas não como um ponto final, mas como a manifestação de tudo o que veio antes. É a prova viva do alinhamento entre sua trajetória, seu pensamento e suas ações, consolidando o seu legado.

Ao seguir esta estrutura, convidamos você a fazer mais do que admirar; convidamos você a compreender. Bem-vindo às Mentes Extraordinárias.

1. Trajetória: A Clivagem do Interior e a Estatura da Resolutividade

A coragem exige um rompimento. O rompimento exige uma direção. A direção exige a clareza de quem compreende, desde o alvorecer da consciência, que o destino não é um território a ser herdado, mas um solo a ser conquistado. Na biografia de Socorro Maia Gomes, a existência não se submeteu à inércia das facilidades ou ao acaso das marés. A sua história é o registro de uma construção autônoma, iniciada sob o sol do agreste e refinada no estridor da capital, onde cada escolha funcionou como um cinzel moldando a estatura da mulher que hoje comanda estruturas jurídicas de alta complexidade num dos escritórios de advocacia mais consolidados do país. Se o sucesso é uma ciência, a sua trajetória é o laboratório onde a resiliência foi testada, validada e, por fim, convertida em método de vida.

As raízes dessa mentalidade encontram-se na Caruaru da juventude, um cenário que lhe ofertou a base, o valor e o senso de comunidade. Ali, no seio de uma família de cinco filhos, ela cresceu sob a égide de seu pai, Arnaud Maia dos Santos, um homem que personificava o rigor e a autoridade como diretor de uma junta do Tribunal Regional do Trabalho. A vida era confortável, marcada pela estabilidade da classe média, mas o conforto, para aquela menina de espírito inquieto, assemelhava-se a uma moldura estreita demais para a vastidão de seus sonhos. Ela habitava um ambiente protegido por sua mãe, Raimunda Ferreira Maia, mas sentia que a verdadeira maturidade exigia o atrito com o desconhecido. A ambição, em Socorro, manifestou-se de forma precoce; ela não buscava a fuga, buscava a expansão.

Aos dezesseis anos, ocorreu o primeiro grande gesto de audácia que definiria a sua biografia. Em uma conversa que não foi um ato de rebeldia, mas um manifesto de independência, ela apresentou ao pai um plano de vida: queria morar no Recife. Deixar a proteção do lar de Arnaud e Raimunda para habitar a simplicidade da casa de seus avós, Moisés Cajá e Maria Maia Cajá, na capital, foi o seu rito de passagem voluntário. Ela trocou o automóvel que a levava à porta do colégio pelas longas jornadas nos ônibus recifenses, enfrentando a umidade do litoral com a mesma tenacidade com que cruzava os corredores do Colégio Contato. Onde outros veriam um sacrifício de status, ela enxergava o investimento em liberdade. A autonomia, para Socorro, nunca foi um conceito abstrato; foi o asfalto percorrido, o tempo calculado e a responsabilidade de ser a única regente de sua própria logística.

Foi nesse cenário de transição, entre a saudade do interior e a conquista da metrópole, que o destino operou uma de suas ironias mais poéticas. Logo que se mudou para Recife, foi passar o carnaval  na Ilha de Itamaracá com amigas de Caruaru e suas famílias. Foi quando a jovem de dezesseis anos encontrou o parceiro que caminharia ao seu lado pelas quatro décadas seguintes: George Adelino Cavalcante Gomes. O encontro não foi um mero idílio de juventude, mas a fundação de um pilar emocional que sustentaria todas as suas futuras batalhas profissionais. George, então um estudante de Administração de Empresas na UFPE, tornou-se o espelho onde ela validava sua força e o porto onde ancorava suas incertezas. A relação com ele é o testemunho de que a estabilidade afetiva não é um freio para o crescimento, mas o combustível que permite voos mais ousados. Eles cresceram juntos e enfrentaram, de mãos dadas, as turbulências que a vida reservava.

Contudo, a solidez desse percurso enfrentou o seu abalo mais sísmico quando Socorro contava apenas dezenove anos. A morte súbita de seu pai, Arnaud, vítima de um infarto fulminante pouco antes de seu casamento, foi o abismo que se abriu sob os pés da primogênita. Em um instante, a segurança paterna dissipou-se, deixando sua mãe, Raimunda, viúva aos quarenta anos com cinco filhos para criar, sendo Socorro a única filha maior de idade. Ali, no epicentro da tragédia, a necessidade transmutou-se em imperativo. Socorro não teve o luxo de apenas vivenciar o luto; ela precisou assumir a dianteira da sobrevivência emocional e prática da linhagem. A dor foi o catalisador que acelerou sua maturidade, tornando-a uma figura resolutiva por força das circunstâncias. Se antes ela buscava a independência como um desejo, agora ela a exercia como um dever. Ela resolve, ela decide, ela avança (porque a estagnação, naquele momento, seria o colapso de todo o ecossistema familiar).

Essa urgência refletiu-se em sua vida acadêmica na Universidade Católica de Pernambuco (UNICAP). Contrariando o desejo inicial do pai, que preconizava a dedicação exclusiva aos livros, Socorro lançou-se ao mercado de trabalho ainda estudante. A sua trajetória inicial na área comercial de multinacionais de tecnologia e marketing foi uma escola de guerra disfarçada de carreira corporativa. Ela não apenas vendia; ela vencia. Acumulou prêmios, conquistou carros e viagens, dominando a arte da persuasão e do relacionamento muito antes de vestir o terno da advocacia. Essa imersão no mundo dos negócios deu-lhe uma visão que a maioria dos juristas jamais alcança: a compreensão de que o Direito deve servir à viabilidade das empresas, e não apenas à técnica das normas. Ela aprendeu a ler o cliente, a identificar a dor do mercado e a entregar resultados que o Excel conseguisse traduzir.

Ela viajava grávida, enfrentando estradas sob o peso da gestação de sete meses, para atender clientes em Campina Grande/PB, provando que a maternidade não era uma limitação, mas um novo estrato de eficiência. O nascimento de seu filho, George Arnaud Maia Gomes (nome que homenageia o pai e honra a memória do avô), trouxe a clareza definitiva de seu propósito: ela não trabalhava apenas para si, mas para a perpetuidade de um legado que unia o nome do passado ao vigor do futuro.

A entrada no escritório Vicente Gouveia Advogados (que em 2004 veio a fundir-se com Martorelli Advogados), em 2001, como estagiária, marcou o início de uma nova e definitiva arquitetura. Ela ingressou em uma estrutura que estava prestes a passar por fusões e transformações profundas, e soube navegar por essas mudanças com a mesma resiliência que aprendera no interior. A ascensão de estagiária a sócia patrimonial não foi um salto de sorte, mas uma escalada de fidelidade. Socorro Maia Gomes compreendeu que a advocacia de alto nível exige uma entrega irrestrita. Hoje, ao olhar para a estrutura que ajudou a erguer e para a equipe de quase  duzentas pessoas que lidera, ela reconhece que o seu grande voo é o voo deles. A trajetória de Socorro é a prova de que a sensibilidade é a ferramenta mais afiada da competência. Ela transformou o jargão jurídico em linguagem prática, a crise familiar em autoridade moral e o silêncio da ausência paterna em uma voz que ecoa segurança para os maiores grupos empresariais do país. A menina que saiu de Caruaru com um plano na mão é a advogada que hoje garante a autonomia de quem confia em seu olhar. A arquitetura de seu “Eu” é feita de rocha e afeto, de lei e de vida, provando que o extraordinário habita naqueles que, diante do impossível, simplesmente decidem resolver.

2. Pensar: A Axiologia do Amparo e o Filtro da Reconfiguração

Se a base biográfica estabeleceu o solo firme da resiliência, o pensamento de Socorro Maia Gomes desenha o horizonte da estratégia. A mente não apenas reage aos estímulos; ela precede as circunstâncias. Ela antecipa os movimentos. Ela governa os resultados. Para a jurista, o intelecto funciona como um filtro de alta precisão, onde a experiência acumulada nas ruas do Recife e nas salas de aula da UNICAP e da AESO não é apenas memória, mas combustível para uma metodologia de clareza inegociável. Onde o mercado jurídico muitas vezes se perde no ruído da disputa, a sua arquitetura cognitiva busca o silêncio da solução. A sofisticação desse pensar não reside na erudição oca, mas na capacidade de converter a complexidade do Direito em uma ferramenta de preservação de valor para o outro.

O primeiro pilar desse sistema operacional é o que poderíamos denominar de Alquimia da Ressignificação. Socorro Maia Gomes opera sob a convicção de que uma mente fora do comum não é aquela que ignora os obstáculos, mas aquela que os utiliza como matéria-prima para a expansão. Em seu tribunal interno, o problema não é um sinal de pare; o problema é um convite à invenção. A invenção nasce da necessidade, a necessidade exige a ação e a ação consolida a competência. Essa lógica de transformar a crise em ativo estratégico foi amadurecida na dor da perda precoce de seu pai, Arnaud. A tragédia não gerou paralisia, mas instalou um senso de urgência que se tornou o seu principal cronômetro intelectual. Hoje, diante de um impasse corporativo, o seu pensamento não busca culpados; busca a funcionalidade. Para ela, o erro é apenas um dado desordenado esperando por uma nova interpretação que o transforme em progresso.

Dessa postura resiliente emana o segundo modelo mental: o Framework da Imersão Empática. A criatividade de Socorro Maia Gomes não habita a quietude do isolamento acadêmico, mas o estridor da realidade do cliente. Ela compreende que o insight jurídico mais potente nasce de uma preocupação genuína, profunda e irrestrita com o negócio alheio. O cliente não é um processo; o cliente é a fonte. O cliente é o mestre. O cliente é o destino. Ao mergulhar nas dores operacionais de uma empresa, ela não busca apenas a conformidade legal, mas a eficácia do fluxo. O seu pensamento é intrinsecamente relacional. Ela escuta o que não foi dito, mapeia os riscos que ainda não se manifestaram e utiliza Dashboards e evidências para fundamentar decisões que outros tomariam apenas por instinto. A tecnologia, em sua visão, é o hardware que permite à sensibilidade humana operar em larga escala. Ela utiliza o dado para validar o afeto, provando que a precisão numérica é o melhor anteparo para o cuidado com o patrimônio do próximo.

A terceira âncora de sua arquitetura intelectual é a Dialética da Repercussão Ética. A decisão estratégica não é um ato isolado; é uma pedra lançada ao lago da sociedade cujas ondas atingirão pessoas, empresas e o próprio tempo. Socorro rejeita a vitória de curto prazo que compromete a perenidade da reputação. No seu processo de tomada de decisão, o critério de avaliação é triplo: a eficácia imediata, o reflexo humano e a sustentabilidade moral. Ela se pergunta constantemente se a escolha presente honraria o legado de retidão de seus pais, Arnaud e Raimunda, e se serviria de bússola para o futuro de seu filho, George. Esse compromisso com o entorno transforma a advocacia em um exercício de diplomacia preventiva. A sua inteligência é voltada para a pacificação, partindo do princípio de que o sucesso real é aquele que distribui segurança jurídica enquanto preserva a dignidade das relações.

No centro dessa engrenagem mental, existe uma relação de mútua alimentação entre a segurança histórica e a prontidão para o inédito. A advogada não teme o avanço da inteligência artificial porque compreende que o código binário jamais replicará o “cheiro de gente” que a sua intuição capta. Ela vê o futuro com um otimismo cauteloso, onde a tecnologia assume o fardo da repetição para devolver ao ser humano a nobreza do pensar criativo. A sua autoridade intelectual é sustentada por uma base emocional sólida, construída ao lado de seu parceiro de vida, George. Essa estabilidade permite que ela ouse sem ser imprudente, que avance sem perder o chão e que lidere sem oprimir. O seu “pensar” é, portanto, um ato de serviço: ela refina a ideia para que o agir seja cirúrgico, garantindo que a estrutura que comanda permaneça sendo um porto seguro em meio à volatilidade do mercado.

Finalmente, a filosofia que rege essa mente é a da contribuição constante através da mentoria. Socorro Maia Gomes entende que o conhecimento que não transborda é um saber que definha. O seu foco atual é a formação de novas lideranças, assegurando que os valores de ética e excelência que recebeu continuem pulsando nas próximas décadas. Ela não busca apenas formar advogados técnicos; ela busca despertar consciências resolutivas. O seu pensamento é projetado para a posteridade, transformando cada conversa em uma lição e cada desafio em um currículo de superação. Ela pensa para incluir, pensa para proteger e pensa para realizar, preparando agora o terreno para que o seu agir seja a tradução exata dessa essência que se recusa a ser apenas funcional para tornar-se transformadora.

3. Agir: A Logística da Paz e a Prática da Sensibilidade Operacional

Se o pensamento é o mapa das intenções, o agir é a ocupação resoluta do território. A transição da filosofia da ressignificação para a crueza do resultado não admite hiatos na conduta de Socorro Maia Gomes. A ação sucede ao plano. O plano fundamenta a obra. A obra valida a existência. Para quem compreendeu que a segurança jurídica é um ativo de sobrevivência empresarial, a execução torna-se uma liturgia de precisão. Ela não aguarda o conflito para exercer o Direito; ela exerce o Direito para que o conflito jamais encontre oxigênio. A sua atuação pragmática é a tradução de uma vontade que se recusa a ser meramente reativa. Onde outros buscam o veredito nos tribunais, ela estabelece a harmonia nas salas de estratégia, provando que a eficácia da gestão reside na capacidade de antecipar o atrito antes mesmo que a primeira faísca se manifeste.

A metodologia operacional que rege a sua entrega sustenta-se sobre o rigor do ciclo de validação. Socorro Maia Gomes abomina o improviso desprovido de lastro. Antes que uma ideia ganhe as ruas ou os balcões dos clientes, ela é submetida a um escrutínio técnico exaustivo: o mapeamento de riscos precede o roteiro, o roteiro desenha o cronograma e o cronograma desagua no Produto Mínimo Viável. Ela aprendeu cedo que o ótimo costuma ser o carrasco do bom, e que a agilidade exigida pelo mercado demanda uma musculatura resolutiva que não se perde em perfeccionismos estéreis. A execução, em sua ótica, é um processo de homologação constante. Ela lança o projeto em escala reduzida, assegura a aderência da solução e, somente após a prova de fogo dos resultados positivos, autoriza a implementação plena. É a ciência da gestão aplicada à urgência da advocacia, garantindo que cada passo possua a firmeza necessária para sustentar o peso das decisões de alta pressão.

Essa excelência executiva manifesta-se, de forma mais contundente, na condução de sua equipe de duzentas mentes. Para a gestora, a ação mais importante de quem conduz não é o comando, mas a escuta qualificada. Ela compreende que liderar sem ouvir é navegar às cegas. Ouvir para entender as nuances. Ouvir para identificar talentos. Ouvir para alinhar propósitos. Ao transformar a escuta em ferramenta de diagnóstico, ela descarta a hierarquia opressora em favor da mentoria próxima. Socorro atua como um instrumento para o crescimento alheio, oferecendo a mão onde o mercado costuma oferecer apenas exigências. Ela instituiu um regime de feedbacks constantes e diálogos francos, ciente de que a carreira de seus advogados e advogadas é um patrimônio que exige zelo. Ao investir no desenvolvimento técnico e emocional de seu time, ela não apenas delega tarefas; ela distribui autoridade e autonomia, assegurando que o sucesso da instituição seja a soma orgânica dos êxitos individuais.

A relação dessa mente com o risco é mediada por uma prudência que ela define como estratégica. Ela não se lança ao abismo por adrenalina, mas caminha em direção ao novo com a segurança de quem já calculou a profundidade do salto. Ela se percebe como uma gestora que equilibra a cautela necessária para proteger o patrimônio do cliente com a audácia indispensável para inovar no serviço. A sua ousadia é temperada pelo mapeamento de repercussões. Ela avalia como cada decisão ecoará nas pessoas, na empresa e na sociedade, recusando o movimento cego da pressa. A segurança não é ausência de movimento, mas a qualidade da direção escolhida, fundamentada em dados legítimos e na percepção aguçada que as décadas de militância lhe conferiram.

A transição da advocacia de balcão para a inteligência de Dashboards reflete essa prontidão tecnológica. Socorro deixou a sala de audiências para habitar o epicentro das evidências. A sua execução atual utiliza a análise de padrões para fundamentar decisões preventivas, convertendo insights complexos em treinamentos que efetivamente empoderam a linha de frente de seus clientes. Ela compreendeu que a defesa mais sólida de uma organização não está nos autos do processo, mas no vocabulário e na segurança dos colaboradores que atendem o público. Ao traduzir o hermetismo das leis em ações práticas e acessíveis, ela retira o jurídico da redoma de vidro para colocá-lo no cotidiano da operação. A inovação, em suas mãos, é o ato de tornar o complexo simples, o técnico humano e o risco gerenciável.

Para sustentar esse nível de performance e preservar a lucidez em um ambiente de exigência hercúlea, ela recorre a um ritual de introspecção e vigor. O hábito de pedalar não é um lazer passivo, mas uma prática de contemplação ativa. Na bicicleta, ela encontra a liberdade que o estresse tenta confiscar. Pedalar é contemplar o mar. Pedalar é sentir o sol. Pedalar é fortalecer o músculo mental que sustenta a jornada diária. É nesse movimento cíclico e solitário que ela recarrega as energias e limpa a visão das toxinas corporativas. A disciplina física é a moldura que garante a saúde emocional, permitindo que ela retorne à mesa de negociação com a calma de quem aprendeu a respirar em meio ao esforço. A bicicleta ensina que a vida, assim como o Direito, exige equilíbrio constante e a coragem de continuar avançando, mesmo quando o vento sopra em direção contrária.

O agir de Socorro Maia Gomes é, portanto, uma sucessão de atos de coragem fundamentados na verdade e na eficiência. Ela não é uma executora de tarefas burocráticas; ela é uma artífice de sistemas de autonomia. Cada mentoria que realiza, cada Dashboard que analisa e cada projeto que valida são partes de uma construção maior que visa a transformação da realidade jurídica ao seu redor. A sua execução é o eco de sua história: direta, inabalável e profundamente comprometida com a geração de valor. O ciclo da eficiência está em pleno movimento, preparando agora o terreno para a última e mais solene etapa de seu percurso: a consolidação do seu legado e a projeção de uma influência que aspira à eternidade.

4. Realizar: A Apoteose da Mentoria e o Testamento do Voo Alheio

A culminância de uma existência que se recusou ao repouso não se quantifica pelo acúmulo de ativos, mas pela densidade do impacto que uma alma exerce sobre o seu entorno. Ao analisarmos a síntese do itinerário de Socorro Maia Gomes, percebemos que a vontade de vencer (vontade que brotou no solo árido de Caruaru) encontrou a sua validade máxima numa execução pautada pela ética e pela eficácia. O percurso que partiu da coragem de desbravar o Recife, amadureceu na dor da perda de seu pai, Arnaud, e consolidou-se na estruturação de um pensamento preventivo, desagua agora numa realização que excede a técnica jurídica. Seu realizar constitui o desfecho orgânico de uma vida que decidiu, deliberadamente, que a utilidade seria o seu norte e a retidão, o seu escudo. Do sol do interior ao estridor da capital, da segurança do lar paterno à fragilidade dos ônibus lotados, ela não apenas alcançou o topo; ela elevou o patamar do próprio cume.

A herança duradoura que a sócia patrimonial estabelece no cenário jurídico nacional é definida pela normalização da antecipação. Sua assinatura inconfundível manifestou-se na mudança de paradigma que ela impõe ao ofício: ela retirou o Direito das prateleiras empoeiradas dos tribunais para instalá-lo no centro nervoso das decisões empresariais. Onde o mercado via processos, ela instalou sistemas de autonomia; onde se buscava o litígio, ela plantou a conciliação fundamentada em dados. Seu maior triunfo profissional é a transmutação do papel do advogado, que deixa de ser um bombeiro de crises para tornar-se um engenheiro da estabilidade (pois a estabilidade protege o patrimônio, a estabilidade garante o emprego e a estabilidade pacifica o comércio). Ao ajudar grupos econômicos a operarem com menos atrito, ela exerce uma forma de justiça social que preserva a saúde financeira de milhares de famílias. O sucesso, sob sua ótica, é a paz de espírito de quem entrega a melhor solução, sabendo que a prosperidade do próximo é o único solo fértil para a sua própria abundância.

Para esta mente resolutiva, o monumento mais sagrado não é feito de títulos ou placas de bronze, mas de gente que cresce e prospera. Sua realização máxima é o desenvolvimento de novas vozes no Martorelli Advogados. Ela compreendeu que a autoridade real reside na capacidade de se tornar desnecessária através do ensino. Seu legado mais vibrante reside na formação de sucessores que carregam o seu DNA de resiliência e foco no resultado. Ela atua como um solo fértil onde novos talentos deitam raízes. Como ela mesma define, seu grande voo, hoje, é o voo deles. A vitória do mestre é a autonomia do aprendiz; a glória da guia é a segurança do guiado; o triunfo da mentora é o êxito do mentorado.

O reconhecimento externo, manifestado em premiações recorrentes como o selo da Análise 500, é apenas o reflexo visível de uma profundidade invisível. Socorro Maia Gomes habita a lista das advogadas mais admiradas do país há quase uma década, mas sua reação a essa glória revela a sua essência: a felicidade do reconhecimento é sucedida, imediatamente, pelo peso da responsabilidade renovada. Ela não se acomoda nos louros do passado; ela utiliza o aplauso como combustível para reinventar a roda anualmente. Ela estuda o mercado, mergulha na dor do cliente e busca surpreender quem já se habituou à sua excelência. O prestígio, para ela, constitui um contrato de confiança que exige uma entrega cada vez mais sofisticada. Ela provou que é possível ser uma protagonista do mercado mantendo a humildade de quem serve à comunidade (comunidade que ela preserva no afeto por suas raízes e no cuidado com a equipe).

A projeção de seu futuro desenha-se como um horizonte de expansão da consciência e da contribuição social. Nos próximos dez anos, o seu papel será o de uma guardiã da cultura organizacional e de uma semeadora de propósitos. Ela vislumbra um amanhã onde a tecnologia, embora onipresente, sirva exclusivamente para potencializar o que há de mais humano: o pensar criativo e a ética do relacionamento. A sua próxima fronteira não é geográfica, embora o seu nome já ecoe em todo o país; a sua fronteira é a da longevidade com significado. Ela pretende continuar pedalando em direção ao amanhã, mantendo o vigor físico e mental que a bicicleta lhe confere, enquanto assegura que o seu filho, George, e as futuras gerações enxerguem nela o exemplo de que o trabalho duro, quando banhado em amor, torna-se transcendência.

No parágrafo final desta biografia, retornamos à premissa que ecoou em cada escolha: resiliência vale a pena. Mas não a resiliência passiva de quem apenas suporta o peso, e sim a resiliência ativa de quem utiliza o peso para ganhar tração. O itinerário da menina de Caruaru que conquistou o Recife ensina que a mente extraordinária é aquela que consegue enxergar a oportunidade na crise e o sagrado no cotidiano. Ela habita agora a plenitude de quem descobriu que o sucesso começa no lar estável ao lado de George e transborda para o mundo em forma de utilidade pública. Seu livro está sendo escrito com a tinta da persistência e a clareza da verdade. Para quem aprendeu a transformar o silêncio da saudade na voz do comando ético, o horizonte não é um limite, mas um convite eterno para o próximo e mais extraordinário recomeço. Foco na solução. Força na caminhada. Resiliência no ser.

Keplinho Lafayette
Editor Executivo do Grupo Paradigma, empreende em novas ideias e novos horizontes estratégicos e operacionais através da congruência entre criatividade e imaginação.

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