Carlos Alberto Bezerra de Queiroz Filho habita a fronteira rara onde a ética deixa de ser custo e passa a ser capital. Criado em Olinda sob o rumor atlântico, ele aprendeu cedo que a natureza e o Direito operam pela mesma lógica. Em outras palavras, ambos formam sistemas vivos que entram em colapso quando um componente nega sua função. Essa percepção dupla, enraizada entre o mangue e a norma, acompanha o advogado e consultor de Compliance. Atualmente, ele comanda a CR3 Compliance & Results, o Villa Pier Gourmet, o Museu do Caranguejo Vivo e o escritório Carlos Queiroz Advogados.
Da Tecnologia ao Direito
Antes de dominar parágrafos, ele dominou processadores. Como gestor de tecnologia no ADC Advogados, observava a advocacia pela lente da eficiência sistêmica. Consequentemente, compreendeu que as máquinas eram o meio e a justiça era o fim. Aos trinta e seis anos, com os cabelos brancos de quem sabe que recomeçar exige mais coragem do que começar, concluiu o curso de Direito. A influência de Andréa Karla Reinaldo, sua esposa e Promotora de Justiça, foi o espelho que revelou a dimensão ética de sua inquietação. Além disso, bebeu do rigor penal de Dr. Bóris Trindade e da sofisticação empresarial dos mestres da ADC para consolidar uma tese que o mercado ainda reluta em aceitar: o programa de integridade que não gera retorno financeiro é um erro de execução, não de princípio.
Preservação e Empreendedorismo no Rio Timbó
No Rio Timbó, o apelido “Velho do Mangue” carrega mais autoridade do que qualquer título acadêmico. Ali, o terno dá lugar à lama, e a intenção é tão rigorosa quanto a técnica. O Villa Pier Gourmet prova, com biodigestores e lama fértil, que o empreendimento e a preservação ambiental não disputam o mesmo campo. Da mesma forma, a ONG Museu do Caranguejo Vivo é a extensão prática de uma consciência que recusa a postura de proprietário para adotar a de guardião.
Legado e Visão de Futuro
Trabalhando com sócios que têm quase metade de sua idade e utilizando uma metodologia que descarta o “jeitinho” como estratégia, o advogado de Olinda advoga, ensina e planta raízes com a serenidade de quem entende que a integridade, quando praticada com rigor e sem pose, é o único ativo que não deprecia. Em suma, quem trocou o silício pelo parágrafo descobriu que ambos operam pela mesma lógica: a excelência do conjunto depende da honestidade de cada parte.




