Expressão

Marcelo Krause: A Trajetória de Inovação e Excelência na Ortopedia

Um robô comprado de presente virava peças em menos de uma hora. Apesar disso, sobravam parafusos, sempre sobravam, e Marcelo Carvalho Krause Gonçalves entendia isso como prova de abundância. Nesse sentido, a engenharia do mundo tem mais do que o manual mostra. Essa lógica de desmontar para entender atravessou a infância em Recife, cruzou o Atlântico numa quarentena londrina aos três anos, pousou num high school em Atlanta e chegou, intacta, às salas de cirurgia da USP.

Da Engenharia à Ortopedia de Excelência

A medicina quase não aconteceu. Engenharia era o plano, eletrotécnica a rota provável. Contudo, dentro da medicina havia ortopedia, e dentro da ortopedia havia física aplicada, biomecânica de materiais, o cálculo das forças sobre uma articulação reconstruída. “Existia sempre aquela lenda de que o ortopedista não pega em livro”, lembra o médico. Ele entrou na especialidade disposto a provar o contrário.

De Hosana, sua mãe, herdou o amor pelos números e a paciência para encontrar padrões onde outros veem ruído. Ainda mais, do pai, Romeu, herdou a vocação para o bisturi e a exigência de nunca ser mais um. Fez residência no Hospital das Clínicas da USP, bem como subespecializou em traumatologia desportiva com André Pedrinelli, ombro e cotovelo com Américo Zoppi e joelho com René Abdalla. Do mesmo modo, cinco anos em São Paulo, um acervo técnico de engenheiro, e voltou para Recife com a passagem vencida nos concursos públicos do Estado. Nesse sentido, o mestrado que iniciara ficou pendente. Ou seja, na escolha entre a tese e o plantão, o plantão ganhou por força maior.

Empreendedorismo e Gestão em Saúde

Posteriormente, o retorno foi intenso: Hospital Getúlio Vargas, Otávio de Freitas, IMIP, Hospital de Esperança. Em primeiro lugar, o médico operava, atendia e já ensaiava o próximo movimento. Eventualmente, ao lado de Romeu Krause e do amigo Luciano Conde, reestruturaram o ITORK. Com Luciano abriu a CK Consultoria, voltada à gestão em saúde. Depois vieram a TOPE (Traumatologia e Ortopedia de Pernambuco), clínica associada ao Hospital Português, e a Clínica Nova, plataforma de multiespecialidades com telemedicina prestes a ser inaugurada.

Cada empresa obedece à mesma curva: protocolos, tecnologia e excelência. O caminho teve desvios. Com Luciano e com Romeu, o trio chegou a lançar a Medzine, uma das primeiras revistas médicas de divulgação em Pernambuco, e a SmarK, pioneiro em marcação de consultas online no estado. Nenhum dos dois sobreviveu ao mercado. “É feito de fluxo de alta e baixa”, lembra o empresário, sem lamentação.

Atuação Institucional e Ensino

No meio desse mapa de clínicas, o ortopedista presidiu a Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia (SBOT) Pernambuco. Além disso, foi diretor nacional da SBOT por duas gestões, integrou comissões de TI, ensino, defesa profissional e educação continuada. Hoje ocupa a diretoria do CREMEPE como primeiro tesoureiro e coordena a cadeira de ortopedia e traumatologia na UniNassau. “Adoro dar aula, adoro ensinar”, diz, com a facilidade de quem faz isso por convicção.

Grandes Eventos Internacionais

O capítulo mais inesperado é o dos grandes eventos locais. A credibilidade da família Krause com São Paulo trouxe a gestão de saúde do Cirque du Soleil (nas duas passagens por Recife), Jogos Universitários Brasileiros (JUBS 2005), da Copa das Confederações (Recife, 2013) e da Copa do Mundo FIFA (Recife, 2014). O protocolo envolve escolher hospitais de referência, traçar fluxos de ambulância, montar hospitais de campanha. Em 2027, a equipe estará novamente posicionada na Copa do Mundo Feminina, quando Recife recebe pelo menos oito partidas. Cirurgião de articulações durante a semana, gestor de arena nos grandes fins de semana.

Tecnologia, Automação e Família

O que explica toda essa amplitude é a curiosidade, essa curiosidade que desmontava o robô da cozinha. A mesma que hoje estuda agentes de inteligência artificial, faz cursos de programação e auxilia no desenvolvimento do FluxSign, plataforma de automações e dashboards para gestão hospitalar. “Será que não tem um caminho melhor? Será que não tem uma forma de fazer diferente?”, pergunta-se com frequência. A resposta, quase sempre, abre uma nova empresa.

Quem olha a lista (clínicas, sociedades médicas, eventos internacionais, sala de aula, conselho regional) pode imaginar um homem que vive no trabalho. O próprio Marcelo imaginou isso e mudou de curso depois da pandemia: recusou congressos, priorizou viagens com os filhos Igor e Lana e com Janaína Ventura, sua esposa. Canadá, Dubai, Egito, Turquia, Bariloche, entre outros destinos. “O que a gente tem que dar pros filhos é atenção, amor e experiências”, resume. Por muito que ele desmonte, desse princípio nunca sobram peças.

Keplinho Lafayette
Editor Executivo do Grupo Paradigma, empreende em novas ideias e novos horizontes estratégicos e operacionais através da congruência entre criatividade e imaginação.

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