Pedro Silveira chegou à presidência da CAAPE com a bagagem de quem entendeu, ainda como estagiário, que o direito que se repete sem questionar a si mesmo apenas engrossa o arquivo morto. Ele dedicou nove anos ao mesmo escritório, passando do estágio à sociedade e do Direito Imobiliário aos contratos de shopping centers. Foi nessa progressão longa que ele aprendeu o custo real da burocracia. Por um lado, percebeu que ela não é apenas uma abstração acadêmica, mas sim horas perdidas, processos emperrados e cidadãos aguardando. A ineficiência tem, sem dúvida, um preço social que a leitura dos códigos não revela. Contudo, a vivência dentro deles revela essa realidade com clareza.
Pedro Silveira: Tecnologia e Inovação na Prática Jurídica
Esse aprendizado retornou em 2019, quando fundou a LegalPromo, posicionando a advocacia dentro da lógica das startups. Posteriormente, publicou “A LGPD Comentada” no momento em que o mercado mais precisava de orientação clara. Além disso, coordenou “Startups – Desafios Jurídicos” para oferecer ao ecossistema de inovação a segurança jurídica necessária para que ideias se tornem negócios. Ele também atuou como diretor de inovação na Escola Superior de Advocacia e como docente na UNINASSAU, levando o debate tecnológico aos centros de formação. Finalmente, participou do Recife Legal Hackers, onde direito e código-fonte se encontram para resolver, em horas, o que o sistema levaria meses para encaminhar.
Visão de Gestão e Eficiência na CAAPE
“O uso da tecnologia para potencializar o exercício da nossa profissão é uma prioridade”, declarou ao assumir a CAAPE. A frase vale pelo que afirma e, igualmente, pelo que exclui, indicando que não há espaço nessa gestão para o conforto da continuidade administrativa. “É fundamental para a advocacia, para a sociedade, que exista uma celeridade processual, ou seja, que os processos andem de forma rápida”, completa, conectando o arcabouço técnico ao impacto direto no cotidiano de quem busca justiça.
Sua nomeação para coordenador da CONCAD Gestão e Eficiência, chancelada pelo presidente Rodrigo Farias, confirmou que Pernambuco exporta modelos. Silveira está, portanto, reescrevendo o que significa ser útil à classe advocatícia. Para quem passou anos decifrando, por dentro, o custo da morosidade, a urgência por velocidade nunca foi apenas uma postura de gestão. Em suma, é, há muito tempo, a única resposta que o sistema ainda deve à advocacia pernambucana.



