Rogério de Castro e Silva sustenta, sobre cada estrutura que a Tecla ergueu em cinco décadas, um conjunto de valores raro no mercado imobiliário pernambucano. Primeiramente, ele prioriza o pioneirismo técnico e uma ética irredutível. Além disso, mantém a convicção de que gerar emprego é um ato de serviço ao próximo, e não apenas um dado contábil. Sócio-fundador da Tecla, Técnica Construções Ltda., ele acumulou um histórico de inovação que alterou o padrão construtivo do estado.
Como exemplo, podemos citar o primeiro residencial pernambucano em concreto protendido, o Edifício Vereda do Mar, na orla de Boa Viagem. Do mesmo modo, destacam-se a adoção de estruturas metálicas em residenciais e a industrialização absoluta no Novotel Recife Marina. Nesta obra, os banheiros chegavam prontos de fábrica e as lajes pré-moldadas dispensaram quase toda a madeira.
Desafios e Superação na Construção Civil
O caminho até esses marcos não foi linear. O fechamento do BNH em 1983 expulsou-o temporariamente do Recife. Nesse meio tempo, a temporada em Manaus tornou-se seu laboratório de resistência. Posteriormente, de volta ao solo natal, transformou a construtora em referência técnica e ética ao lado do pai, Isnard, e dos irmãos. A operação Build to Suit para a Caixa Econômica Federal revela sua vocação singular. Nesse sentido, ele consegue enxergar o custo antes da obra, a solução antes do contrato e o legado antes do lucro.
Disciplina e Legado Familiar
Aos setenta e um anos, o engenheiro mantém uma rotina imutável. Às quatro e meia da manhã, no Caxangá Golf & Country Club, o cavalo espera. São cinquenta e sete anos de hipismo, um pacto silencioso com a disciplina e a clareza que o relógio corporativo raramente oferece. Ao lado de sua esposa, Simone Távora, e com o filho Rogério Filho como parceiro no cotidiano da empresa, ele cuida para que a Tecla chegue ao centenário com o mesmo registro fiscal da fundação.
O Compromisso com o Serviço
Duzentos colaboradores passam pelo canteiro diariamente. Eles estão lá não apenas para cumprir um turno, mas para exercer o que o próprio Rogério chama de ato cristão: gerar emprego, dignificar o trabalho e sustentar a família do outro. Em suma, a vida é linda e, simultaneamente, dura. A grandeza de quem compreende essas duas faces reside em continuar erguendo, todos os dias, o seu trabalho antes mesmo do sol.


