Mentes Extraordinárias

Fabiana Nunes – Mentes Extraordinárias

Ao Leitor: O Mapa das Mentes Extraordinárias

O que define uma Mente Extraordinária?

Não é um único feito, um golpe de genialidade isolado ou uma conquista singular. Descobrimos, ao longo de nossa jornada editorial, que a verdadeira excepcionalidade reside na coerência entre quatro dimensões distintas, porém inseparáveis: a jornada que molda o caráter, a filosofia que guia a mente, a disciplina que move a ação e o impacto que define o legado.

Para capturar a essência completa de cada coautor presente nesta obra, não nos contentamos com uma biografia linear. Fomos mais fundo. Estruturamos cada capítulo como um mergulho em quatro atos, permitindo ao leitor não apenas conhecer a história, mas dissecar o mecanismo por trás das realizações.

Ao navegar por este livro, você encontrará cada perfil dividido da seguinte forma:

  1. Trajetória
    Aqui, estabelecemos a fundação. Esta seção é a bússola que nos situa, apresentando uma descrição pessoal e profissional que revela as origens, os valores absorvidos e os pontos de virada que forjaram a identidade do indivíduo. É o mapa de onde ele veio e quem ele se tornou.
  2. Pensar
    Esta é a arquitetura da mente. Mergulhamos no mundo interno, explorando os modelos mentais, as crenças inegociáveis e a filosofia que serve como alicerce para todas as decisões. É aqui que entendemos por que eles fazem o que fazem.
  3. Agir
    Se “Pensar” é a estratégia, “Agir” é a execução. Investigamos a ponte entre a ideia e a realidade: os hábitos, a gestão do risco, a tomada de decisão sob pressão e a disciplina diária que transforma visão em movimento concreto.
  4. Realizar
    Este é o resultado, o impacto tangível no mundo. Analisamos as conquistas não como um ponto final, mas como a manifestação de tudo o que veio antes. É a prova viva do alinhamento entre sua trajetória, seu pensamento e suas ações, consolidando o seu legado.

Ao seguir esta estrutura, convidamos você a fazer mais do que admirar; convidamos você a compreender. Bem-vindo às Mentes Extraordinárias.

1. Trajetória: O Elo de Vidro e a Forja do Valor

O solo vermelho de Carpina não oferecia apenas o sustento da cana ou o abrigo das fazendas; oferecia, primordialmente, uma pedagogia do olhar. Fabiana Nunes habita o contraste entre a aspereza telúrica da zona da mata pernambucana e o polimento gélido das salas de negociação londrinas. Enquanto a maioria busca o sucesso como um destino geográfico, ela o compreendeu como um estado de prontidão mental. A sua história não se inicia na academia, mas na poeira dos feirões de automóveis, onde a menina de dez anos não observava apenas trocas comerciais, mas sim o nascimento da confiança através do verbo. Ali, sob a égide do avô materno, Severino Belo, a negociação não era um exercício de astúcia, mas um rito de credibilidade. Onde o mercado via mercadoria, Severino via oportunidade; onde a cidade terminava, ele via o início de uma avenida. Ao fundar a lendária Caxangá Veículos e prever o eixo de crescimento do Recife, o patriarca não legou à neta apenas um sobrenome, mas a consciência de que a visão precede a matéria.

A arquitetura moral deste percurso foi consolidada no ambiente doméstico, um território regido pelo equilíbrio entre o afeto de Josiane e o rigor de José Alberto. Seus pais, que assumiram a missão da maternidade e paternidade aos vinte e dois anos, instauraram uma cultura onde a primogenitura era sinônimo de responsabilidade educadora. Como a irmã mais velha, Fabiana aprendeu cedo que o cuidado é uma forma de comando. O zelo pelos três irmãos transmutou-se em uma liderança natural que, décadas depois, os faria entregar presentes de Dia das Mães àquela que sempre foi o porto seguro da linhagem. No entanto, o privilégio da estabilidade nunca foi um convite à inércia. José Alberto, o homem que dominava os engenhos e o gado, era a personificação da ética do suor. Ele ensinou que a única ascensão legítima é aquela pavimentada pelo trabalho; ele provou que o nome só possui peso se for sustentado pelo caráter.

Nesta forja de valores, a figura de sua avó Ester surge como a filósofa da resiliência. A despeito das cicatrizes que a vida lhe impôs, Ester professava que a felicidade não é uma contingência, mas uma decisão deliberada. “A alegria é um compromisso matinal”, dizia. Essa lição de autonomia emocional tornou-se o software básico de Fabiana. A herança de Ester não estava em ativos financeiros, mas na soberania da escolha. Foi com essa blindagem que a jovem estudante enfrentou a sua primeira arena jurídica: um tribunal simulado na escola sobre as Cruzadas. Enquanto os colegas buscavam o brilho da acusação, ela escolheu a defesa da instituição. Ali, a voz de doze anos descobriu que o Direito não é apenas a aplicação da norma, mas a construção da narrativa que protege o valor. A vocação não foi um raio súbito; foi a sedimentação de uma facilidade com o argumento e de um apetite insaciável pela escrita.

A entrada na vida adulta exigiu a fusão do rigor acadêmico na Universidade Católica de Pernambuco com a crueza da operação financeira nas empresas familiares. Fabiana habitava uma dualidade exaustiva e produtiva: estudava as leis ao anoitecer e as aplicava na contabilidade e na gestão dos negócios de Severino ao amanhecer. Ela não queria ser apenas a herdeira; ela desejava ser a detentora do saber que validaria sua presença no topo. Chegar antes do primeiro funcionário e sair após o último não era uma obrigação contratual, mas uma necessidade de autoafirmação. Ao buscar cursos de sucessão em Londres e especializações na FGV, ela operava como uma tradutora de mundos, unindo a prática empírica dos antepassados à sofisticação técnica da modernidade. O conhecimento tornou-se seu passaporte para a independência, permitindo que ela olhasse para o patrimônio ancestral não como um fardo de manutenção, mas como um ativo de expansão.

O desvio planejado em direção ao mercado jurídico externo, sugerido por José Alberto para testar sua têmpera, levou-a aos corredores de Martorelli Advogados. O ingresso no setor de Família e Sucessões foi um breve interlúdio de aprendizado sobre as fragilidades humanas, mas o seu destino estava na precisão matemática do Direito Tributário. Foi nesta transição que o percurso biográfico encontrou o seu catalisador definitivo: Gustavo Costa. O encontro com o sócio que se tornaria seu marido em 2007 não foi apenas uma união de afetos, mas uma fusão de intelectos. Gustavo era a exigência em forma de mestre, o professor que não admitia a indisciplina mental e que ensinava que toda brecha é uma criação do advogado atento. Ele não oferecia o caminho; ele exigia que ela o inventasse. Ao lado dele, e sob a mentoria de João Humberto Martorelli, a quem Fabiana descreve como o melhor advogado em linha reta do mundo, ela refinou sua agressividade comercial e sua precisão técnica. A relação com Martorelli era de uma franqueza absoluta, uma simbiose onde o silêncio de um voo era preenchido pela vibração de quem ansiava por realizar o próximo grande negócio.

A imersão em Londres para o mestrado no King’s College foi o rito de passagem para o cosmopolitismo. Fabiana e Gustavo trocaram a zona de conforto do Recife pelo desafio da Queen Mary e da King’s, onde a advocacia era ensinada sob o signo da objetividade absoluta. Enquanto o mundo acadêmico lusófono se perdia em extensões verbais, a escola inglesa exigia a economia das palavras para a maximização do sentido. Esta vivência internacional cimentou a metodologia que ela aplicaria em sua carreira meteórica: advogar com arte e gerir com rigor. O retorno ao Brasil como head da área Empresarial e diretora de Operações foi a consagração de sua capacidade executiva. Ela liderava sócios mais experientes com a autoridade de quem compreendia que a gestão de um escritório de elite exige tanto a sensibilidade para o cliente quanto a dureza com o indicador.

A maternidade de Francisco e Isabela trouxe o teste supremo de sua logística existencial. Gestações de risco, perdas de gêmeos e internações não foram obstáculos à sua produção, mas combustíveis para sua resiliência. Fabiana trabalhava no leito, negociava durante a amamentação e ensinava aos filhos que o trabalho é uma das bases da felicidade. Para ela, o sucesso na rua era o espelho da harmonia no lar. No entanto, o ano de 2021 reservava o “cavalo de pau” mais violento de sua trajetória. Em meio à pandemia e apenas três meses após ter tido a coragem de sair de uma estrutura de dezoito anos para fundar a própria banca, ela enfrentou a partida súbita de Gustavo Costa.

A perda não foi apenas do parceiro, mas da bússola de uma vida inteira. Diante do desespero e da raiva, Fabiana escolheu a rota da aceitação radical. “Resistir não era uma alternativa”, ela compreendeu. A sobrevivência exigia a continuidade do legado. Ao fundir o seu projeto recém-nascido, F. Nunes, com o escritório de Gustavo, o Cavalcante Costa, ela deu origem ao Nunes | Costa Advocacia. Esta união não foi um ato de conveniência, mas de destino. Ela assumiu a responsabilidade sobre vinte e uma famílias e o cuidado com clientes históricos. O trabalho salvou a mulher; a mulher salvou o escritório. A trajetória de Fabiana Nunes é, em última análise, a prova de que a coragem não reside na ausência de lágrimas, mas na capacidade de enxugar o rosto e entrar na sala de reunião sabendo que o amanhã é uma construção que não aceita o luto como desculpa para o silêncio.

2. Pensar: A Lógica do Vínculo e a Primazia da Solução

Se a formação de uma mente extraordinária exige o equilíbrio entre a tradição herdada e a inovação conquistada, o intelecto de Fabiana Nunes opera como um laboratório de síntese permanente. O seu pensamento não se organiza em gavetas estáticas; ele flui como um sistema de vasos comunicantes onde a sensibilidade da herdeira e o rigor da especialista se alimentam mutuamente. Para compreender a engrenagem cognitiva que sustenta a sua atuação, é preciso despir-se da visão do Direito como um conjunto de normas proibitivas. Na sua arquitetura mental, a lei não é uma cercania que aprisiona a atividade econômica, mas sim o asfalto que a viabiliza. O pensar jurídico, sob sua ótica, é um exercício de tradução: trata-se de converter a angústia do empresário em uma estrutura de segurança e a complexidade do mercado em uma estratégia de crescimento.

O primeiro pilar desse sistema operacional é o que poderíamos denominar de Framework da Brecha Criativa. Esta convicção, amadurecida sob o rigor da disciplina mental, postula que a solução para qualquer impasse não reside na superfície do código, mas na profundidade da interpretação. Onde o olhar comum enxerga uma parede de negativas, o seu intelecto busca a fresta; onde o sistema impõe o silêncio, a sua análise provoca o argumento. Ela opera sob a premissa de que o advogado não é um observador passivo das crises, mas o artesão que deve inventar a saída quando o caminho parece inexistente. Para Fabiana, a advocacia é uma forma de inteligência aplicada que exige que a técnica se curve à utilidade. O Direito, portanto, deixa de ser um fim para tornar-se o meio; o meio para a expansão; a expansão para a perenidade do negócio.

Dessa busca pela utilidade, deriva o segundo modelo mental que estrutura a sua psique: o Pragmatismo da Alteridade. Diferente da advocacia tradicional, que muitas vezes se isola no purismo dos tribunais, o seu pensamento habita o centro nervoso do cliente. Ela não reflete sobre o problema jurídico de forma isolada; ela o projeta contra o mapa de calor do faturamento, do investimento e da sucessão. “Calçar os sapatos do cliente” não é uma metáfora de atendimento, mas uma metodologia de diagnóstico. Ela compreende que o verdadeiro gargalo de uma empresa, muitas vezes, não é uma demanda judicial, mas a ausência de capital ou a estagnação de um mercado. Ao pensar o negócio antes de pensar a norma, ela inverte a lógica do setor. O seu intelecto atua como um radar de oportunidades: se o problema é a escassez, a solução é o fomento; se a dor é a desconfiança, o remédio é a transparência.

Essa clareza estratégica foi refinada pela escola da objetividade britânica, que instalou em seu sistema cognitivo a prioridade do essencial sobre o acessório. O seu pensamento rejeita a prolixidade estéril que tantas vezes contamina o ambiente jurídico brasileiro. A influência londrina não se manifesta apenas no domínio do vernáculo técnico, mas na economia do juízo. Ela pensa em termos de impacto e não de volume; ela decide em termos de precisão e não de hesitação. Para esta mente, a beleza da advocacia reside na eficácia da síntese. O seu processo criativo exige o silêncio necessário para separar o ruído do sinal, permitindo que a solução surja com a nitidez de um diagnóstico cirúrgico. A arte de advogar, em sua concepção, é a capacidade de tornar o complexo compreensível e o impossível negociável.

No centro dessa engrenagem, existe uma relação peculiar com o tempo e com a adversidade, forjada na convicção de que a aceitação é a ferramenta de gestão mais poderosa que um ser humano pode possuir. Diante das rupturas que a vida impõe, o seu pensamento não se perde na ruminação do “porquê”, mas acelera em direção ao “como”. Ela opera sob a lógica da Aceitação Radical como Vetor de Êxito. Ao compreender que resistir ao fato consumado é um desperdício de energia vital, ela ganha a agilidade necessária para recalcular rotas enquanto outros ainda lamentam o naufrágio. Essa resiliência mental transforma o luto em legado e a queda em impulso. Para Fabiana, a força não é a dureza que se quebra, mas a fluidez que se adapta; é a vontade que não se curva; é o propósito que não silencia.

A visão de futuro que emana desse pensamento é de um otimismo fundamentado na conexão. Ela projeta um amanhã onde a advocacia pernambucana não seja apenas uma espectadora das tendências globais, mas uma protagonista ativa. O seu papel, como ela o percebe, é o de uma conectora de mundos. Ao pensar o local com ferramentas universais, ela eleva a barra de exigência do ambiente ao seu redor. A sua inteligência é voltada para a construção de pontes que permitam ao investimento estrangeiro encontrar solo seguro no Nordeste e à empresa familiar local encontrar voz nos grandes centros financeiros. O seu pensar é, em última análise, um ato de coragem intelectual: a decisão de não ser limitada pela geografia, pela tradição ou pela dor, mantendo a mente aberta para o que é novo e o coração firme no que é essencial. Este é o motor que prepara o terreno para a execução, pois para Fabiana, um pensamento que não se converte em movimento é apenas uma ideia sem destino.

3. Agir: A Cinética da Ousadia e o Vigor do Vínculo

A transição entre a arquitetura intelectual e a realidade tangível do mercado ocorre, na conduta de Fabiana Nunes, através de uma força motriz que recusa a inércia da burocracia. Se o seu pensar é povoado pela estratégia, o seu agir é governado pela metodologia da imersão. Para ela, a execução não é o cumprimento de uma tarefa isolada, mas a orquestração de um ecossistema. A sua atuação profissional evidencia que a eficácia jurídica reside no equilíbrio entre a agilidade técnica e a presença física, uma simbiose que ela aplica com a precisão de quem sabe que o advogado não deve ser o freio do negócio, mas o seu acelerador consciente. O agir, neste contexto, revela-se como uma coreografia deliberada onde a advocacia de valor agregado substitui a produção em massa. Ela não atende clientes; ela habita empresas. Ela não assina contratos; ela viabiliza destinos. Esta postura de “advogada de negócios” é o que permite que sua banca opere em uma frequência de alta performance, onde o foco não é o processo na prateleira, mas o lucro na conta e a segurança no conselho.

O método de execução desta jurista inicia-se, invariavelmente, no solo fértil do planejamento estratégico alheio. Fabiana recusa o papel do causídico que aguarda ser provocado por uma crise. Todo início de ciclo, ela se coloca como observadora e participante dos planos de seus constituintes, buscando entender onde as interseções jurídicas podem potencializar o crescimento. Seja analisando a logística de um terminal de contêineres, o refino de uma usina de açúcar ou a escalabilidade de uma empresa de tecnologia, a sua ação é cirúrgica: ela identifica o gargalo antes que ele se torne um impedimento. Esta antecipação operativa define o seu modo de agir, transformando a Nunes | Costa Advocacia em um centro de inteligência empresarial. O estudo gera a confiança; a confiança permite a inovação; a inovação restaura a competitividade. Nada é deixado ao acaso do improviso; cada movimento é costurado sob medida, no rigor da alfaiataria jurídica que aprendeu a admirar nas praças europeias.

Essa capacidade executiva de construir pontes foi testada em escala global durante a sua missão em Nova York. Ao perceber que a crise econômica no Nordeste exigia capital e não apenas doutrina, ela não esperou a providência do mercado. Ela agiu. Mobilizou parceiros internacionais, articulou diálogos com gestores de fundos de pensão norte-americanos e convocou lideranças como Leo Cerquinho e Raul Henry para apresentarem as potencialidades de Pernambuco em solo estrangeiro. Diante do ceticismo de investidores habituados ao brilho da Avenida Paulista, ela ofereceu a substância das oportunidades locais. A sua ação foi pautada pela ousadia de quem sabe que, enquanto alguns choram a escassez, outros vendem o lenço da solução. Ela não buscou apenas o investimento; ela pavimentou a credibilidade. O resultado dessa manobra não foram apenas operações de M&A bem-sucedidas, mas a consolidação de uma advocacia que fala a língua de Wall Street com o sotaque da resiliência nordestina.

A verdadeira magnitude do seu agir, contudo, manifestou-se no contraste entre a expansão comercial e a austeridade do dever pessoal. A fusão que deu origem ao escritório atual não foi um ato de conveniência administrativa, mas um exercício de bravura operacional após a partida de Gustavo Costa. Em apenas dez dias, o luto teve de conviver com a logística. Ela não permitiu que a estrutura de dezoito anos de Gustavo fenecesse; ela a integrou à sua própria visão, garantindo que nenhum cliente fosse perdido na transição. Agir, para ela, tornou-se o ato de sustentar o legado enquanto construía o novo. A decisão de não recuar para uma estrutura menor, mas sim de ocupar uma sede que permitisse o crescimento de sete para vinte e um colaboradores, foi o seu manifesto de fé no porvir. Ela agiu com a clareza de quem sabe que a sobrevivência exige velocidade e que a liderança exige coragem. Mesmo quando a dor física da coluna a sitiava, a sua resposta foi a persistência: realizou reuniões deitada, cercada por travesseiros, provando que a vontade de realizar é o analgésico mais potente para quem possui um propósito.

A liderança de Fabiana, exercida no cotidiano do Nunes | Costa, é pautada pela pedagogia da transparência e pela valorização da diversidade. Ela rejeita o autoritarismo estéril que muitas vezes permeia as bancas tradicionais. Para ela, a ação mais importante de quem conduz equipes é inspirar a autonomia. Ao manter um ambiente onde as mulheres possuem protagonismo e as soluções criativas são estimuladas pela troca franca, ela institui uma cultura de excelência que se auto alimenta. A autoridade, em sua visão, não é imposta pelo sobrenome herdado de Severino ou pela titulação acadêmica, mas conquistada pela coerência entre o que se exige e o que se entrega. É a antítese do comando pelo medo: ela lidera pela paixão e pela disponibilidade. Quando um colaborador é incentivado a inovar, a solução se torna coletiva; quando a solução é coletiva, o resultado é sólido.

Para sustentar este nível de entrega e lidar com a carga de uma rotina que exige o equilíbrio entre a maternidade e a alta gestão, Fabiana recorre a uma disciplina emocional inegociável. A sua performance é mantida pela recusa ao vitimismo. Ela ensina aos filhos, Francisco e Isabela, que a vida não é o que nos acontece, mas o que fazemos com o que nos acontece. No campo do futebol, onde Francisco busca seus próprios gols, ou na inteligência emocional vibrante de Isabela, a mãe atua como a mentora da resiliência. Ela não esconde as lágrimas, mas ensina a importância de não permitir que elas turvem a visão do horizonte. A sua rotina é uma operação logística complexa, onde a Cônsul da Dinamarca e a mãe que organiza aniversários para vinte e quatro crianças coabitam em um equilíbrio dinâmico. A pressão do agir contínuo é o oxigênio que a faz sentir viva.

O agir de Fabiana Nunes é, em última análise, um ato de tradução de valores em resultados. Ela traduz a herança de trabalho de José Alberto em uma advocacia incansável; ela traduz a sofisticação de Londres em objetividade processual; ela traduz a saudade de Gustavo Costa em vigor institucional. A sua ação é movida pelo impacto que causa no outro, seja fechando um negócio milionário que salva uma empresa da falência ou orientando um cliente familiar na delicada travessia da sucessão. A sua mão que assina o parecer é a mesma que sustenta a família, provando que a execução da visão é, acima de tudo, um compromisso com a perenidade da vida. O ciclo da eficiência está em pleno movimento, preparando agora o terreno para a última etapa de sua caminhada: a cristalização de um legado que aspira à universalidade.

4. Realizar: A Perenidade do Vínculo e o Relevo do Amanhã

A culminância de uma existência que se permitiu habitar a fronteira entre a tradição e a vanguarda não se traduz em um somatório estático de ativos, mas na vitalidade de um organismo que respira utilidade. Se a fundação foi cimentada pelo suor do campo, o intelecto amadurecido pelo rigor do código e a execução pautada pela fluidez do capital, o ato de realizar, para esta mente, configura-se como a fixação da credibilidade em algo que sobrevive ao tempo. O percurso iniciado sob o sol de Carpina e elevado sob a névoa de Londres encontra agora o seu ponto de maturação absoluta. A presença gera o diálogo. O diálogo permite a segurança. A segurança fundamenta o êxito. Esta sucessão lógica define a contribuição duradoura de quem compreendeu que a advocacia corporativa, quando despida de alma, é apenas um conjunto de normas frias, mas, quando banhada em propósito, torna-se o asfalto por onde a prosperidade caminha.

O legado que se consolida sob o nome de Fabiana Nunes transcende as fronteiras do direito empresarial para habitar o território da diplomacia econômica. A sua assinatura inconfundível no mercado jurídico pernambucano é a redefinição do papel do conselheiro: ela não é a voz que interdita o risco, mas o braço que estrutura a audácia. Ao atuar como Cônsul da Dinamarca, ela não exerce apenas uma função protocolar; ela estabelece uma ponte funcional que aproxima o talento local das praças de investimento global. Atende ao investidor, protege a família, expande o negócio. Esta sequência operacional revela que a sua maior obra é a desmistificação da distância. Ela provou que o asfalto da Caxangá pode conduzir diretamente às mesas de negociação de Wall Street ou às bibliotecas jurídicas de Londres, desde que a mão que conduz o processo possua a firmeza da ética e a clareza da técnica.

Contudo, para esta mente que aprendeu com Ester que a alegria é um compromisso matinal, o monumento mais sagrado não é feito de alvenaria ou contratos vultosos. O seu legado primário, o projeto que recebe a sua oração mais ardente e o seu zelo mais profundo, atende pelos nomes de Francisco e Isabela. A realização máxima manifesta-se na capacidade de transferir aos herdeiros a resiliência necessária para enfrentar as rupturas e a curiosidade necessária para desbravar o novo. Pelos olhos de Francisco, ela enxerga a continuidade da disciplina e da pontualidade metódica; pelos passos de Isabela, ela percebe a inteligência emocional que manda a tristeza embora para dar lugar à vida. O exemplo de uma mãe que enfrentou os dias de sol e as noites de vigília com a mesma integridade é a fortuna imaterial que nenhum mercado instável pode confiscar. Ela ensina, no silêncio da rotina e no estridor das grandes vitórias, que o trabalho não é um fardo de sobrevivência, mas uma base sólida de felicidade e realização pessoal.

A projeção do futuro desenha-se como uma página em branco que ela se propõe a preencher com a tinta da expansão e do fomento coletivo. O Nunes | Costa Advocacia não é apenas um escritório; é o veículo de uma visão que aspira à perenidade institucional. A meta de ampliar a influência em nichos de inovação digital e sucessão familiar é ancorada na sabedoria de quem já fez as contas do fracasso e descobriu que ele é, em verdade, o prefácio do triunfo. Ela vislumbra um cenário onde a advocacia do Nordeste dialogue de igual para igual com os grandes centros, não por mimetismo, mas por identidade e competência técnica superior. O futuro, para Fabiana, é a manutenção qualificada do que foi construído, garantindo que o legado de Gustavo permaneça vibrando em cada parecer, em cada negócio fechado e em cada nova vida que o escritório ajuda a transformar.

No encerramento deste perfil biográfico, retornamos à premissa que ecoa desde as primeiras memórias da infância: a aceitação radical como ferramenta de poder. A história da mulher que uniu as raízes de Josiane e José Alberto à sofisticação do King’s College é um manifesto contra a estagnação. Ela habita agora a plenitude de quem descobriu que a vida exige movimento, exige entrega e, sobretudo, exige coragem para ser protagonista da própria narrativa. Ao deitar a cabeça no travesseiro após um dia de oração, gestão e afeto, ela encontra o sucesso na coerência entre o que prega e o que vive. O seu livro ainda está sendo escrito, mas o fundamento é eterno: o legado de Sr. Severino e D. Ester, a força de José Alberto, a sensibilidade de Josiane e a luz de Gustavo convergem em uma única voz que agora guia Pernambuco em direção ao mundo. Trabalho. Estudo. Amor. São essas as coisas que definem a essência de uma mente que se recusa ao raso para mergulhar no infinito das possibilidades.

Keplinho Lafayette
Editor Executivo do Grupo Paradigma, empreende em novas ideias e novos horizontes estratégicos e operacionais através da congruência entre criatividade e imaginação.

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