Mentes Extraordinárias

Brenda Belo: Mentes Extraordinárias

Ao Leitor: O Mapa das Mentes Extraordinárias

O que define uma Mente Extraordinária?

Não é um único feito, um golpe de genialidade isolado ou uma conquista singular. Descobrimos, ao longo de nossa jornada editorial, que a verdadeira excepcionalidade reside na coerência entre quatro dimensões distintas, porém inseparáveis: a jornada que molda o caráter, a filosofia que guia a mente, a disciplina que move a ação e o impacto que define o legado.

Para capturar a essência completa de cada coautor presente nesta obra, não nos contentamos com uma biografia linear. Fomos mais fundo. Estruturamos cada capítulo como um mergulho em quatro atos, permitindo ao leitor não apenas conhecer a história, mas dissecar o mecanismo por trás das realizações.

Ao navegar por este livro, você encontrará cada perfil dividido da seguinte forma:

  1. Trajetória
    Aqui, estabelecemos a fundação. Esta seção é a bússola que nos situa, apresentando uma descrição pessoal e profissional que revela as origens, os valores absorvidos e os pontos de virada que forjaram a identidade do indivíduo. É o mapa de onde ele veio e quem ele se tornou.
  2. Pensar
    Esta é a arquitetura da mente. Mergulhamos no mundo interno, explorando os modelos mentais, as crenças inegociáveis e a filosofia que serve como alicerce para todas as decisões. É aqui que entendemos por que eles fazem o que fazem.
  3. Agir
    Se “Pensar” é a estratégia, “Agir” é a execução. Investigamos a ponte entre a ideia e a realidade: os hábitos, a gestão do risco, a tomada de decisão sob pressão e a disciplina diária que transforma visão em movimento concreto.
  4. Realizar
    Este é o resultado, o impacto tangível no mundo. Analisamos as conquistas não como um ponto final, mas como a manifestação de tudo o que veio antes. É a prova viva do alinhamento entre sua trajetória, seu pensamento e suas ações, consolidando o seu legado.

Ao seguir esta estrutura, convidamos você a fazer mais do que admirar; convidamos você a compreender. Bem-vindo às Mentes Extraordinárias.

1. Trajetória: A Diplomacia do Afeto e a Liturgia do Consenso

A existência, quando observada sob o prisma da causalidade, raramente se revela como um acúmulo de acasos, apresentando-se, antes, como uma progressão deliberada de silêncios que aprendem a se tornar verbos. No itinerário daquela que se define pela missão divina, o ponto de partida não reside na aspereza dos tribunais, mas na suavidade de uma sala de estar em Alagoas. Ali, em meio ao dinamismo de sete irmãos, a criança que um dia seria a voz do equilíbrio descobriu que a força mais potente da convivência não reside no volume do argumento, mas na precisão da escuta. As primeiras memórias de triunfo não são sentenças, mas o retorno do pai do exterior para sua formatura do ABC, um marco onde o afeto e a conquista se fundiram pela primeira vez em seu íntimo. Onde o conflito se apresentava como a regra da infância, a pequena mediadora exercitava o que viria a ser sua assinatura existencial: a arte de apaziguar.

Esta inclinação primordial para a conciliação não surgiu de uma passividade complacente. Pelo contrário, emergiu do atrito entre e com os irmãos. As arengas constantes com os irmãos, as provocações que hoje a modernidade rotularia sob nomes técnicos, foram o laboratório inicial para uma mente que se recusava a aceitar o desentendimento como destino. Quando os irmãos se desentendiam, a tática era cirúrgica: conversar com cada parte em isolamento, desarmar os espíritos no segredo do diálogo individual e reconstruir o convívio através da compreensão mútua. Sua estratégia repousa na convicção de que quase nunca funciona conversar com os dois ao mesmo tempo, pois onde o embate direto ergue muros, o segredo do diálogo a sós abre frestas. Ela opera sob a lógica do desarmamento individual: no encontro reservado, entrega o verbo exato que o espírito necessita para que as guardas baixem e a vaidade recue. É nesse silêncio protegido que o impossível se torna admissível e o indivíduo, despido de suas certezas absolutas, permite-se finalmente admitir que o outro também possui sua parcela de verdade. Ver a paz no outro, ouvir a paz pelo outro, promover a paz para o outro. 

Mesmo quando acompanhava sua irmã mais velha nos passeios com o namorado, a sua aceitação era absoluta; onde a etiqueta veria uma intrusa, os envolvidos viam um elemento de leveza, provando que a sua natureza é capaz de transformar a mera presença em um convite ao bem-estar e ao diálogo sem arestas. Essa inclinação para a concórdia era tão latente que, na efervescência da juventude, as mães de seus amigos celebravam sua presença como um salvo-conduto; onde outros buscavam o ruído dos excessos, ela oferecia a sobriedade do exemplo, tornando-se o ponto de repouso em meio ao caos alheio. Os pais de seus contemporâneos depositavam nela uma confiança quase institucional, pois reconheciam que sua quietude não era um desinteresse pela vida, mas uma escolha deliberada pela estabilidade, agindo como a âncora invisível que impedia que a efervescência juvenil se perdesse em correntes perigosas. Esta tríade operacional, forjada entre brinquedos e disputas fraternas, antecipava a profissional que, décadas depois, substituiria o litígio pela restauração de laços.

A formação desse caráter sólido encontrou seu porto seguro na reverência absoluta aos seus genitores. Romero Belo e Bárbara Belo não foram apenas provedores, mas os pilares de um sistema de valores onde a autoridade se confunde com o afeto. Para Brenda, o que eles dizem ainda é lei, uma baliza moral inabalável que confere segurança a cada passo dado no terreno incerto da vida adulta. A herança recebida não foi de privilégios materiais, mas de instrumentos éticos. Seus pais lhe entregaram a bússola; cabia a ela aprender a navegar. Esta obediência filial, longe de ser uma limitação, tornou-se a fundação de sua independência. Quem aprende a respeitar a origem, conquista a legitimidade para projetar o futuro.

Contudo, a transição entre o desejo de agir e a capacidade de se expressar foi marcada por um hiato de timidez. Durante a academia em 1997, o Direito se apresentava como um campo de possibilidades vastas, mas a voz ainda parecia prisioneira de uma introspecção severa. Havia um “travamento” que sugeria uma incompatibilidade entre a alma da estudante e a exigência da oratória jurídica. Ela olhava para a plateia de colegas e o verbo se dissipava. A dúvida sobre o próprio lugar no mundo das leis chegou a sugerir a magistratura como um refúgio, um posto onde o silêncio da decisão superaria o ruído da sustentação oral. O pensamento encontrava o abismo, e a voz, prisioneira de um nó físico, recusava-se a atravessar o umbral dos lábios. O desejo de autonomia financeira, entretanto, foi o cinzel que quebrou essa pedra de timidez, provando que a vontade de prover para si mesma era mais vasta que o pavor de ser ouvida. 

A transfiguração definitiva ocorreu na mudança para Pernambuco, logo após o casamento com Otley Farias, que este ano completa duas décadas. O ponto de inflexão teve nome e conselho: Nancy Farias. A sogra, dotada de uma sabedoria prática e encorajadora, não permitiu que a hesitação se tornasse estagnação. Diante do desafio de assumir uma cátedra acadêmica em uma terra nova, o comando foi definitivo: entre na sala de aula e dê o seu melhor, fazendo com que todos acreditem que você é uma veterana. Esta exortação não era um convite à falsidade, mas uma convocação à identidade latente: Brenda Belo não entrou na sala para lecionar, ela entrou para encontrar a mulher que o medo havia escondido; não vestiu uma máscara, mas despiu-se da hesitação. Esta provocação foi a ignição necessária. A necessidade de independência financeira e a vontade de provar sua competência dissiparam a fumaça da timidez. Ao simular a autoridade, ela acabou por possuí-la. A prática do ensino tornou-se o remédio para o medo da exposição. Ensinar para aprender, aprender para comunicar, comunicar para transformar.

A advocacia que emergiu dessa evolução não busca a vitória pela destruição do adversário. Após dezoito anos de maturação técnica, a fundação de seu próprio ecossistema consultivo em 2018 revelou um método onde o Direito é utilizado como um mapa para o entendimento, não como um manual de combate. Ela escolheu os territórios mais sensíveis da experiência humana — a família, as sucessões, os contratos que sustentam o teto e o afeto — para aplicar a lição aprendida na infância alagoana. A resolução de disputas, em suas mãos, torna-se um exercício de humanidade. Ela não apenas lida com processos; ela ampara propósitos.

O sucesso, portanto, é lido por ela como um fenômeno de retrospecção e projeção. É a capacidade de olhar para a criança que buscava apaziguar os irmãos e reconhecer nela a semente da docente que hoje coordena milhares de futuros profissionais. A alagoana que adotou Pernambuco compreendeu que a vida não é uma linha reta, mas uma série de curvas que exigem ousadia moderada pela prudência. Seu itinerário é a prova de que a maior conquista não é o prêmio que se exibe, mas a gratidão que se colhe nos corredores dos fóruns ou no abraço de um ex-aluno. O percurso de Brenda Belo é a narrativa de quem aceitou a missão divina de ser o equilíbrio no centro da tempestade, transformando o silêncio da dúvida na eloquência do acolhimento.

2. Pensar: A Hermenêutica da Fé e o Otimismo da Vontade

A mente que pacifica as turbulências alheias é, primordialmente, um território de reverência silenciosa e análise retrospectiva. Se a seção anterior revelou a gênese da mediadora, a compreensão de seu intelecto exige a decifração do sistema operacional que sustenta sua resiliência. O pensar desta civilista não se origina em algoritmos frios de lógica processual, mas em um modelo de Providencialismo Operacional. Para ela, a existência não é um deserto de acasos, mas um campo de missões coordenadas por uma instância superior. Esta consciência retira o peso da vaidade pessoal e introduz a leveza do dever cumprido. O pensamento não é um fim, é um culto; a decisão não é um fardo, é uma entrega.

A fonte de sua clareza estratégica reside em um processo que podemos denominar Alquimia do Recolhimento. Enquanto a maioria dos decisores busca soluções no ruído da atividade frenética, sua criatividade floresce na fronteira do sono. É no sutil silêncio da noite que a mente executa uma retrospectiva rigorosa do dia, uma triagem de eventos, diálogos e silêncios. Esse hábito de “conversar consigo mesma” não é um solipsismo vazio, mas um tribunal interno onde os fatos são destilados. É nesse estado de espírito, entre a memória e o sonho, que os insights se manifestam com a precisão de um veredito. O travesseiro é o seu sínodo particular, onde o ruído do mundo se cala para que a voz da Providência se faça ouvir; ali, o cansaço não é um fim, mas o filtro que separa o essencial do acessório. Noventa e cinco por cento de suas soluções nascem não da pressão do escritório, mas da paz do travesseiro. É a evidência de que a sabedoria exige pausa, e a inteligência demanda escuta.

Nesse ecossistema intelectual, a dúvida é processada através de um Sexto Sentido Institucionalizado. Após quase cinco décadas de vivências, a incerteza não é mais uma ameaça, mas um sinal de alerta que convida ao alinhamento com seu guia transcendental. Quando confrontada com a névoa do indecifrável, o diálogo interno não é de angústia, mas de confiança nas “luzes que vêm lá de cima”. Ela opera sob a convicção de que o caminho correto se revela àqueles que mantêm a sensibilidade aguçada. É uma fé pragmática: ela acredita para ver, e vê porque acredita. Essa segurança interna permite que ela navegue por vidas alheias, muitas vezes tragadas por lides sucessórias ou familiares, com a estabilidade de quem sabe que não caminha solitária.

O pensamento de Brenda Belo opera sob uma lógica de preservação: preservar o vínculo, preservar a dignidade e preservar a ordem. Sua mente atua como uma âncora em águas revoltas, estabilizando o entorno antes que o conflito se transforme em naufrágio. Para ela, levantar a bandeira branca não é um ato de rendição, mas um gesto de inteligência. Ela compreende que ceder um palmo de razão para ganhar um quilômetro de paz é o melhor dos acordos. Este movimento é o seu raciocínio mais audacioso: audacioso por preferir o consenso, audacioso por renunciar à vitória efêmera e audacioso por priorizar a continuidade dos afetos sobre a rigidez das sentenças. Se o mundo oferece o atrito, ela oferece o polimento; se a vida apresenta o caos, ela entrega a constância. É uma busca incessante pela harmonia, onde o silêncio do ego permite que a voz da justiça seja ouvida com clareza.

Um pilar inegociável de sua estrutura cognitiva é o Otimismo Teleológico. Para Brenda, enxergar o copo meio cheio não é uma ingenuidade romântica, mas um imperativo de evolução. Ela postula que a visão negativa sobre a vida é a âncora que causa a estagnação. O otimismo, portanto, funciona como o combustível necessário para o avanço. Sem a crença na possibilidade do melhor, o intelecto paralisa e a ação definha. Esta filosofia interna transforma obstáculos em pontos de apoio. Se o presente é desafiador, o futuro é visto como um território de felicidade a ser conquistada. A busca pela alegria não é um bônus, mas o princípio máximo que orienta toda e qualquer vida humana sob sua supervisão, seja no escritório ou na academia.

A sua percepção sobre o tempo e a tecnologia revela uma Dialética da Consciência Analógica. Pertencente a uma geração que viu o mundo se tornar digital, ela interpreta a aceleração dos processos da vida como uma metamorfose necessária, porém onerosa. Sua mente processa o paradoxo da modernidade: a tecnologia que facilita a coexistência é a mesma que adoece a mente através da ansiedade. Sua visão para a próxima década é de um equilíbrio restaurado. Ela antevê uma humanidade que, após o choque da velocidade, aprenderá a pausar, a respirar e a respeitar os próprios batimentos. O pensar, nesse contexto, deve ser o freio que garante a saúde do corpo. Daqui a dez anos, ela espera que a tecnologia seja nossa ferramenta, mas que a paz continue sendo nossa meta.

Finalmente, a arquitetura de seu pensamento culmina na aceitação do erro como uma variável gerenciável. Embora busque o acerto com o rigor de uma veterana, ela mantém a prontidão de espírito para o “Plano B”. A rigidez é inimiga da solução sustentável. Sua mente é elástica: ela estica o raciocínio para abranger as necessidades do outro, mas retorna sempre ao centro de gravidade que é sua fé. Deus, o Dever e o Devir formam a tríade que simplifica o complexo. Ao reduzir o mundo a missões divinas e práticas do bem, ela descomplica a existência e prepara o terreno para a execução. O Pensar é o plano de voo; o Agir, que veremos a seguir, é a decolagem firme em direção ao horizonte da restauração humana.

3. Agir: A Execução da Harmonia e a Prática do Cuidado

Se o pensar reside no recolhimento, o agir precipita-se na arena pública com a precisão de quem já antecipou os riscos sob o silêncio do travesseiro. A transição entre o modelo mental de providência e a realidade material do fórum exige mais do que competência técnica, requer uma postura de prontidão absoluta. Para Brenda Belo, a ação é o terreno onde a fé se converte em movimento e o otimismo se valida na solução. A sua forma de operar no mundo jurídico não é a de um combatente que busca a aniquilação do opositor, mas a de uma pacificadora que utiliza a lei como instrumento de restauro. O seu agir é, em essência, uma diplomacia da convivência.

A metodologia de execução da advogada fundamenta-se num pilar inegociável: a advocacia de composição. Enquanto a tradição civilista frequentemente se perde no emaranhado de litígios intermináveis, a consultora redireciona a sua energia para a raiz dos problemas. O seu processo operacional inicia-se com a escuta ativa, uma técnica que transcende a simples audição para se tornar um exercício de sensibilidade profunda. Ouvir para entender, entender para sugerir, sugerir para pacificar. Esta tríade guia cada atendimento, permitindo que ela identifique não apenas o que o cliente pede, mas do que a relação necessita para ser preservada. Nos domínios sensíveis do direito familiar e sucessório, o seu agir é uma cirurgia na dor, onde a precisão da escrita e a fluidez da oratória servem para abrir canais de diálogo que o conflito havia obstruído.

Este modelo de atuação foi severamente testado no início do seu percurso em Pernambuco. A superação da timidez introspectiva não ocorreu por um processo de negação, mas por uma estratégia de encenação consciente da autoridade. O conselho de Dona Nancy Farias tornou-se o protocolo de ação: atuar como se fosse uma veterana até que a experiência tornasse a ficção em verdade. Este “fingir para ser” foi um ato de ousadia pedagógica. Ao entrar na sala de aula para lecionar Direito das Obrigações, a jovem docente transformou o seu travamento interno numa performance de segurança. A ação precedeu o sentimento. Ela agiu com confiança antes de a possuir inteiramente, descobrindo que o domínio do palco, seja ele acadêmico ou jurídico, é uma questão de posicionamento e entrega ao outro. Hoje, vinte anos depois, essa mesma postura garante que ela dialogue com plateias de qualquer dimensão, trocando o receio pela satisfação da partilha.

A gestão da sua consultoria e da coordenação universitária reflete uma filosofia de governança colaborativa. A gestora rejeita a individualização do sucesso, operando sob a convicção de que nada grandioso nasce de um esforço solitário. Para ela, a solidão na decisão é a antessala da miopia: quem decide sozinho, enxerga apenas o próprio horizonte; quem decide em conjunto, habita o futuro de todos. Obras de duas mãos apenas são, na sua visão, necessariamente diminutas. O seu agir é plural. Ao conceber um novo projeto, ela inicia a criação na mente, projeta o escopo no papel e, imediatamente, submete a ideia ao crivo da equipe. A lapidação é coletiva. Ela ouve os ajustes, absorve as críticas e ajusta o curso para que a execução final seja um produto de muitas cabeças pensantes. Esta forma de atuar gera um ecossistema de pertencimento, onde o colaborador não apenas cumpre ordens, mas sente-se coautor da solução.

No cotidiano, a atuação da advogada é marcada por uma prudência que não teme o risco, mas que o calcula com o rigor de quem lida com fragilidades humanas. Ela reconhece que a vida não é uma linha reta e que os altos e baixos são as matérias que dão corpo à experiência. Quando uma decisão difícil se impõe, a sua estratégia é a da prontidão para o inesperado. Ela atua com um plano A robusto, mas mantém sempre um plano B estruturado. Se o primeiro movimento falha, o segundo já está em curso. Esta resiliência operacional é o que lhe permite “matar um leão por dia”, gerindo as crises de ansiedade próprias da modernidade com a calma de quem confia no próprio percurso. A urgência do mundo contemporâneo é contrabalançada pela sua capacidade de respirar fundo e manter o foco no essencial.

A relação de Brenda com os seus clientes é a tradução máxima do seu compromisso com a humanidade. Ela não gere apenas processos, ela ampara vidas. Em cada causa abraçada, existe a consciência de que o resultado impacta toda uma rede de convivência. O seu agir é, portanto, imbuído de uma responsabilidade que ultrapassa o contrato. Ela segura na mão do cliente durante a jornada, garantindo que ele não se sinta desamparado nas intempéries do judiciário. Esta proximidade não é apenas uma cortesia, é uma tática de eficácia. Um cliente que se sente compreendido é um parceiro na construção do acordo. A vitória, para ela, não se mede pela sentença favorável, mas pela sustentabilidade da paz que se alcança após o encerramento do dossier.

Por fim, o seu agir acadêmico, enquanto coordenadora e gestora acadêmica, é um exercício de protagonismo. Ela incentiva docentes e discentes a assumirem as rédeas da sua própria evolução, utilizando as inovações tecnológicas como suportes para o crescimento humano. Brenda entende que a educação é um momento de troca incessante, onde a autoridade não se impõe pelo cargo, mas pela capacidade de inspirar ação. Ao olhar para os seus alunos, ela vê futuros colegas e busca plantar neles a semente da empatia que rege a sua própria vida. O agir da alagoana que conquistou Pernambuco é, em última análise, um convite à ação harmoniosa, provando que o direito pode ser o caminho para a reconciliação, desde que a mão que o conduz esteja disposta a ceder para ganhar e a ouvir para curar.

4. Realizar: O Testemunho da Conciliação e o Amanhã do Acolhimento

A culminância de uma existência devotada ao equilíbrio não se revela no inventário de bens acumulados, mas na densidade das relações que foram restauradas sob a égide do seu cuidado. Se a reflexão noturna permitiu o alinhamento com o sagrado (Pensar) e a postura pedagógica conferiu segurança ao movimento (Agir), a realização apresenta-se como o estuário onde estas águas se encontram. Brenda Belo não edificou apenas um escritório de advocacia; ela estabeleceu um novo paradigma de coexistência. A sua assinatura inconfundível é a substituição do confronto pela composição, provando que a eficácia jurídica atinge o seu ápice quando consegue curar as feridas que a lide costuma abrir.

O legado dela estende-se para muito além dos prazos processuais e das sentenças. Ele reside, primordialmente, na escala humana da sua influência pedagógica. Doze mil alunos não são apenas estatísticas de uma carreira acadêmica; são doze mil consciências que levaram consigo a semente de um Direito mais empático e menos belicoso. É no abraço de um ex-aluno, agora colega de profissão, que o seu trabalho se perpetua. É na gratidão silenciosa daquela pupila que reprovou cinco vezes, mas que encontrou na persistência da professora o exemplo para não desistir de si mesma, que a sua obra ganha contornos de eternidade. Neste episódio, a disciplina não foi um castigo, mas um pacto; o rigor não foi um muro, mas uma ponte. A aluna não buscava a aprovação na matéria, buscava a aprovação da própria alma através do olhar de quem não aceitava o seu fracasso. Onde a lógica acadêmica dita o afastamento do mestre rigoroso, aquela estudante escolheu a permanência, provando que o amparo que corrige é mais magnético que a facilidade que estagna, e que o verdadeiro mestre não é aquele que simplifica o caminho, mas aquele que fortalece o caminhante. A alagoana radicada em terras pernambucanas não ensinou apenas leis; ela ensinou a dignidade de quem sabe ouvir.

Este impacto social transborda para o seio das famílias que buscaram o seu conselho. No direito sucessório e familiar, onde o patrimônio é frequentemente o cenário de mágoas ancestrais, a atuação dela serviu como um filtro de serenidade. A mudança que ela induziu no seu campo de atuação foi a de humanizar o que era estéril, de trazer luz onde havia sombra e de oferecer a mão onde o sistema oferecia apenas o código. O sucesso, para ela, é este estado holístico de saúde física, mental e espiritual, ancorado no propósito de servir. É o reconhecimento de que a profissão de advogado é uma ferramenta de meio para um fim muito maior: a felicidade do próximo.

Ao projetar o amanhã, sua mente antevê um futuro onde a tecnologia, embora onipresente, será finalmente domesticada pelo desejo de paz. O seu vaticínio para a próxima década afasta-se da angústia da aceleração e caminha em direção ao equilíbrio. Ela vislumbra um mundo onde as pessoas, exaustas da vertigem digital, aprenderão a pausar, a respirar e a valorizar a coexistência harmônica. A sua própria projeção futurista está ancorada na continuidade do seu testemunho através das gerações. Ver o desenvolvimento da filha, Maria Luiza, que já exibe a mesma precisão intelectual e o desejo de simplificar o complexo, é a garantia de que o seu modo de ver o mundo possui raízes profundas e ramificações férteis. Sua herdeira, ao decodificar complexidades tecnológicas para seus pares no Cesar School, não apenas repete o gesto materno de instruir, mas valida a tese de que a clareza é uma herança de sangue e a empatia, um dialeto familiar.

A realização íntima da mulher, no entanto, permanece ancorada na base sólida que Romero Belo e Bárbara Belo forneceram. A família continua a ser o seu centro de gravidade, o solo onde as suas ambições mais elevadas encontram alimento. O sucesso que começa em casa é o único que ela verdadeiramente reverencia. Ser base de sustentação para os seus, ser o porto seguro para o marido Otley Farias e a referência de integridade para a descendência são as vitórias que ela celebra com maior fervor. A vida vivida com alegria, o trabalho exercido com entrega e a fé praticada com constância formam o tríptico de uma história que recusa o ponto final.

O parágrafo final desta narrativa devolve-nos ao telhado da infância, não para buscar o tempo perdido, mas para validar o tempo ganho. A criança que apaziguava os irmãos em Alagoas é a mesma mulher que hoje pacifica as lides em Pernambuco. A missão que Deus lhe deu não foi uma tarefa de um único dia, mas uma vocação de uma vida inteira. Se o Direito foi o instrumento, o amor foi a pauta. Se sua existência fosse um livro, o título não ostentaria cargos, mas a simplicidade de sua devoção: “Vivendo a missão que Deus me deu”, uma legenda que transforma cada ato jurídico em um capítulo de serviço ao próximo. Este título encerra uma verdade que define seu caráter: a de que seu caminhar reflete nada do que ela quer, mas tudo do que o Alto escolheu para si. Ao silenciar os apelos da vontade própria em favor do desígnio divino, ela revela que sua resiliência e falta de vaidade provêm da mesma fonte: a consciência de que a verdadeira autoridade não reside no que se busca, mas no que se acolhe; não no que se impõe, mas no que se recebe; não no que se dita, mas no que se cumpre. Brenda caminha em busca da paz. Paz que não é ausência de luta, mas a presença constante da harmonia. Ao olhar para trás com gratidão e para o amanhã com esperança, ela confirma que o seu percurso extraordinário é, em última análise, a tradução do bem que se faz sem olhar a quem. A missão continua, e a cada passo, o mundo torna-se um pouco mais acolhedor porque ela escolheu, simplesmente, viver o que Deus desenhou.

Keplinho Lafayette
Editor Executivo do Grupo Paradigma, empreende em novas ideias e novos horizontes estratégicos e operacionais através da congruência entre criatividade e imaginação.

Deixe um comentário