Nomes que Honram Pernambuco

Bruno Lacerda: Legado, Inovação e a Advocacia Penal Artesanal

Bruno Frederico de Castro Lacerda redefiniu a trajetória de um dos nomes mais reverenciados da advocacia pernambucana. Para isso, provou que um legado não é apenas herdado, mas ativamente expandido. Há mais de três décadas, ele se dedica ao Direito Criminal. Atualmente, ele é titular do Lacerda Advogados Associados, ao lado do irmão Fernando Octavio. A banca é a continuação do escritório fundado pelo pai, o célebre Bráulio Lacerda, sua referência natural.

A vocação foi selada na infância. A princípio, aos 7 anos, ele assistia aos júris do pai pela TV Universitária, como o histórico “júri de Ninon”. Posteriormente, aos 12, a imersão foi literal: levado por Bráulio, acompanhou uma sessão escondido no plenário que hoje pertence ao TJPE, até ser avistado pelo magistrado Nildo Nery dos Santos. O magistrado era seu futuro professor na UNICAP. Assim, o professor determinou sua retirada por ser menor de idade.

O Desafio de um Legado Extraordinário

Ele cresceu “literalmente dentro de uma Banca”. Afinal, o pai inaugurara o home office décadas antes. As aulas de penal na faculdade eram prazerosas. Isso aconteceu porque o tema já compunha seu cotidiano. Assumir a profissão foi um fluxo natural. Contudo, o peso da referência o desafiou.

Bruno confessa que a inevitável comparação com a atuação do genitor, dono de uma formação muito sólida e de uma capacidade de argumentação extraordinária, o inibiu. Esse paradigma extremamente elevado o levou, por um tempo, a evitar os julgamentos populares. Ele ficou focado em sustentações mais técnicas.

A Luz Própria e o Direito Penal Econômico

A coragem para encontrar sua luz própria, incentivada pelo próprio pai, foi o ponto de virada. Bruno adquiriu identidade própria ao inaugurar e capitanear uma nova abordagem no escritório: o Direito Penal Econômico. Enquanto Bráulio se notabilizava como excepcional advogado de júri, o filho atualizava o legado para as complexidades contemporâneas.

Essa expertise o levou a atuar em causas de notoriedade, como o “Caso Serrambi”. Por exemplo, este foi um dos julgamentos mais longos da história do estado, com cinco dias de duração.

A Advocacia Artesanal e a Coerência Ética

Ele compreende a dificuldade de atuar sob holofotes e julgamentos antecipados. Por exemplo, o desafio se agrava pelos “tribunais das redes sociais”, que destroem reputações em tempos sombrios de intolerância. Em sua prática, mantém os princípios íntegros de ética e moral aprendidos com o pai.

Além disso, ele rejeita a advocacia em escala industrial. Em vez disso, prefere o que denomina advocacia artesanal. Cada cliente é tratado como único. Isso permite, por conseguinte, a dedicação personalizada essencial para teses jurídicas.

Também seguiu o pai na defesa da Polícia Militar de Pernambuco. No entanto, se desvinculou ao ser convocado para atuar contra policiais grevistas. Foi um ato de coerência. “Não me senti confortável… destinado à punição dos mesmos”, explica.

A Missão de Fazer Triunfar a Justiça

Para ele, advocacia é “90% transpiração e 10% inspiração”. O maior estímulo na mais árida das especialidades é a experiência indescritível de fazer triunfar a justiça. Um exemplo disso é ao devolver um filho confinado a uma mãe desesperada.

Em suma, sua trajetória honra Pernambuco. Demonstra, assim, como a reverência ao passado pode ser o alicerce para a inovação. Ele atualiza a tradição jurídica do estado, tal qual fez Tobias Barreto, pilar da Escola do Recife. Se Barreto desafiou o formalismo legal com uma visão sociológica e humanista, Bruno Lacerda projeta essa profundidade intelectual para os novos e complexos desafios do direito penal moderno.

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