Camila Reis Guimarães Baleeiro é a personificação da calma estratégica e da liderança pelo diálogo. Ela opera no epicentro de sistemas complexos. Sua atuação como perita criminal é o ponto de partida para uma missão muito maior: reposicionar a Polícia Científica de Pernambuco como um pilar central e respeitado da Segurança Pública. Nascida em Salvador e autodefinida como “pernambaiana”, sua trajetória acadêmica começou com as Ciências Biológicas na UFBA. Posteriormente, ela fez uma iniciação científica na Fiocruz, onde o interesse forense despertou.
Formação e Inflexão na Carreira
Antes de encontrar sua vocação definitiva, ela trabalhou seis anos no Banco do Brasil. A aprovação no concurso público em 2018 a trouxe para o estado. Adicionalmente, o concurso a alocou diretamente em sua área de estudo, a genética forense. Este também é o tema de seu mestrado pela UFPE. Contudo, o ponto de inflexão de sua carreira não foi técnico, mas institucional. Ao ingressar e assumir a presidência da Associação de Polícia Científica, sua perspectiva se alterou. Assim, a profissional focada no DNA deu lugar a uma defensora convicta do potencial da instituição. Onde muitos veem apenas burocracia, ela enxerga uma ferramenta subutilizada.
Desafios e Filosofia de Ação
Sua principal luta, ela confessa, é conciliar as divergências internas e resgatar a autoestima dos que compõem a instituição. Além disso, ela busca transformar uma cultura organizacional resistente à inovação e acostumada a soluções já comprovadamente ineficazes. Para superá-la, ela utiliza seu diferencial mais apurado: a capacidade de manter o pensamento lógico e ponderado em situações caóticas. Adicionalmente, ela consegue escutar ativamente pessoas com ideias conflitantes.
Sua filosofia de ação é coletiva. Ela reitera, dessa forma, que sua força não está no indivíduo, mas no coletivo que consegue articular. Ela acredita que a criatividade nasce do desconforto. Por exemplo, a aversão a uma planilha de Excel a levou a cocriar um software de gestão para o Instituto de Genética Forense de Pernambuco. Além disso, a criatividade também nasce da coragem de conversar com quem discorda. Isso porque ela vê no contraditório a melhor forma de antecipar riscos.
Conquistas e Legado
Camila não busca uma grande realização singular. Pelo contrário, ela celebra conquistas concretas que pavimentam o caminho. Por exemplo, a efetivação de um novo concurso público para a categoria, uma pauta que encabeçou. O objetivo de seu legado é claro: “acender a luz” sobre o potencial da ciência para resolver grandes entraves sociais e elevar seus profissionais ao patamar que merecem.
Ela honra Pernambuco ao absorver a ousadia e a autoestima que, segundo ela, o estado lhe proporcionou. É essa confiança, que ela identifica como pernambucana, que a impulsiona a querer ser a melhor e a não ver limites para o potencial da instituição que representa. Ela se inspira na sensibilidade de grandes músicos pernambucanos. Por exemplo, João Gomes. Assim como o músico de Serrita quebrou barreiras com uma autenticidade que renovou a música popular, Camila usa sua voz para desafiar e renovar uma estrutura tradicional. Em suma, ela prova que a verdadeira transformação exige coragem para defender o potencial do que é nosso.






