Dan Lócio Rosado reconfigura a percepção da atividade extrajudicial. Para isso, converte-a em um pilar de cidadania e acesso ao conhecimento. Sua trajetória, inicialmente, foi definida pela superação de barreiras geográficas e pessoais. Após uma separação e já com filhos, tomou a decisão de deixar o interior pernambucano para cursar Direito na capital.
A biblioteca da UNICAP tornou-se seu segundo lar. Ali, um refúgio de estudos intensos, o levou à aprovação como funcionário do TJPE. Foi ali, mais precisamente assessorando o Juiz Corregedor Auxiliar Dr. Alexandre de Vasconcelos Aquino, que ele conheceu as atividades extrajudiciais e descobriu uma vocação.
Retorno e Atuação em Pernambuco
Determinado, focou sua energia nos complexos concursos para cartórios, uma escolha que exigiu renúncia e perseverança. Ele foi aprovado em 2010 para Minas Gerais. Lá, atuou por sete anos como Tabelião. Contudo, alimentava o sonho de retornar e aplicar seu saber em seu estado natal.
Em 2018, obteve a aprovação em Pernambuco. Assim, iniciando em Parnamirim e estabelecendo-se, posteriormente, em Toritama, cidade que hoje o reconhece como cidadão honorário.
Semeador de Conhecimento
Sua atuação transcende os limites do tabelionato. Ele se define como um “semeador de conhecimento”. Para ele, seu projeto maior é disseminar a importância da atividade notarial e registral para toda a sociedade. Essa missão, por conseguinte, se desdobra em múltiplas frentes:
- Ele ministra cursos de práticas notariais, registrais e sucessões para colegas, escreventes e advogados;
- Participa ativamente do programa Moradia Legal do TJPE, onde atua como professor;
- Integra a mesa interinstitucional do NUREF (Núcleo de Regularização Fundiária).
Defesa da Classe e Resiliência
Sua defesa da classe foi notória como vice-presidente da ANOREG entre 2022 e fevereiro de 2025. Ademais, ele se destacou em sua luta direta em Brasília contra a PEC 471, em 2015, que ameaçava o acesso à atividade notorial por concurso.
Inspirado pela decisão de seu avô, Pedro Rosado, um agricultor analfabeto que deixou o campo para formar os filhos, e pela persistência ensinada por seus pais, Dan Lócio honra Pernambuco. Dessa forma, devolve ao estado a plenitude de seu preparo. Ele personifica o impulso transformador que identifica em seus conterrâneos.
Como Paulo Freire, ele vê a educação como libertação. Por isso, aplicando-a ao campo jurídico para emancipar o pensamento. Similarmente, como Chico Science, ele promove inovação, unindo a tradição do cartório à modernidade digital e até à música.
Em suma, tal como Bárbara de Alencar ou Luiz Gonzaga, ele manifesta a resiliência sertaneja que utiliza a coragem criativa para romper estruturas e garantir que a lei seja, acima de tudo, um instrumento de dignidade.






