Gisele da Costa Pereira Martorelli reconfigurou a prática do Direito de Família em Pernambuco. Para isso, ela o infundiu com uma sensibilidade interdisciplinar. Nesse sentido, substituiu a frieza dos códigos pela centralidade do afeto. Sua trajetória de mais de duas décadas foi definida por uma escolha consciente: humanizar um campo jurídico que lida com pessoas em seu estado mais vulnerável.
A Busca pela Vocação Humana no Direito
Embora sua família tivesse forte inclinação para a Medicina, Gisele ingressou na Universidade Católica de Pernambuco (1990-1994). Contudo, ela tinha dúvidas se o Direito lhe permitiria lidar com o lado humano. A resposta, a princípio, veio em sua primeira experiência no Centro Dom Helder Câmara de Estudos e Ação Social (Cendhec). Ali, o trabalho com crianças em situação de risco quebrou o paradigma da lei distante. Dessa forma, ela compreendeu sua vocação.
O Marco de uma Nova Prática
Sua bússola profissional foi ajustada em 1997. Um complexo caso pro bono de investigação de paternidade, que exigiu anos de batalha, culminou em uma vitória de grande repercussão. Naquele processo, ela decantou as habilidades que se tornariam sua assinatura: a escuta ativa, a empatia, o controle emocional e a firmeza para restaurar a justiça. Finalmente, o Direito de Família a encontrou de forma definitiva.
Martorelli Família e Sucessões: Um Novo Método
Em 2007, Gisele fundou o Martorelli Família e Sucessões, o primeiro escritório do Recife dedicado exclusivamente a esta área. A inovação, no entanto, não estava apenas no foco, mas também no método. Gisele introduziu um conceito de atendimento sob medida, focado em pacificar o conflito. Além disso, implementou a interdisciplinaridade, trazendo o apoio da psicanálise (com Lúcia Duque) para um espaço de acolhimento, diálogo e orientação. A própria estrutura física, por exemplo, foi pensada para eliminar a intimidação, promovendo uma relação horizontal com o cliente.
Postura Profissional e Liderança Feminina
Sua atuação se baseia no reconhecimento das novas dinâmicas sociais. Assim, ela entende que a família contemporânea, em suas múltiplas configurações, prioriza a dignidade da pessoa humana. Em uma profissão com vestígios de machismo, sua postura proativa é essencial. Ela equilibra o acolhimento com o “enquadramento”, a chamada às responsabilidades, buscando sempre a moderação e a conciliação. Em 2019, associou-se ao Menezes, Rabelo e Napravnik Advogados. Portanto, formalizou uma estrutura societária composta apenas por mulheres para ampliar o alcance dos serviços.
Legado de Pacificação e Diálogo
Gisele Martorelli honra Pernambuco ao provar que a advocacia pode ser um instrumento de pacificação. Ela redefine o sucesso não como a vitória em um litígio, mas como a restauração da dignidade e do diálogo. Sua carreira, em conclusão, reverbera a sensibilidade de uma de suas ídolas, Clarice Lispector. Se a escritora, que viveu no Recife, mergulhou nas profundezas das relações familiares e da condição humana para revelar verdades complexas, Gisele navega nessas mesmas águas turbulentas com o arsenal jurídico. Por conseguinte, ela oferece estrutura, amparo e caminhos de resolução para as dores que definem a existência.






