Nomes que Honram Pernambuco

Mano de Baé: Arte, Tradição e Inovação na Cerâmica de Tracunhaém

Evilásio Leão Machado, conhecido no universo da cerâmica como Mano de Baé, é o portador vivo de um saber que define Tracunhaém. Ele é a prova de que a arte pode ser, simultaneamente, destino e escolha.

Herança e Vocação no Barro

Filho de Maria Luiza de França e do célebre artesão Manoel Leão Machado, o “Seu Baé”, Evilásio recebeu do pai mais do que um apelido que se tornou sua assinatura artística. Na verdade, ele foi investido de uma profunda conexão com o barro, a matéria-prima que molda a identidade da Zona da Mata pernambucana.

Nascido em um ambiente de notável modéstia material, mas de abundância cultural, cresceu entre nove irmãos. Nesse cenário, a cerâmica era o epicentro da vida. O barro foi seu primeiro campo de experimentação, um território lúdico que, gradualmente, revelou sua vocação para o sustento e, finalmente, para a expressão plena de sua voz criativa.

A Grande Virada e a Continuidade

A grande virada ocorreu quando, aos 20 anos, o falecimento de “Seu Baé” o colocou diante de uma responsabilidade definidora: assumir a continuidade do nome da família. Decerto, ele escolheu manter o fogo aceso.

Contudo, Mano de Baé compreendeu que perpetuar não significava apenas repetir. Por conseguinte, sua obra é um exercício de lealdade e, ao mesmo tempo, de corajosa individualidade.

Inovação e Estilo Inconfundível

Enquanto preserva a essência da escola que herdou, ele introduz elementos que são só seus. Por exemplo, os distintivos traços achatados e quadriculados. Como resultado, eles conferem uma geometria única e uma identidade visual inconfundível às suas peças. Mais do que uma simples estilização, essa é a marca de um artista que domina a técnica a ponto de poder reinventá-la.

Sua ousadia se manifesta também nos temas. Mano de Baé não se restringe ao repertório tradicional da arte figurativa local. Pelo contrário, ele expande as fronteiras do barro para explorar assuntos de relevância universal, como a diversidade sexual e as narrativas mitológicas. Estas são materializadas em suas aclamadas esculturas de sereias. São peças que carregam a terra de Tracunhaém, mas falam sobre oceanos de possibilidades inclusivas.

Embaixador Global da Cerâmica

Sua presença constante em eventos de prestígio, como a Fenahall e a Made Pernambuco, e a circulação de suas obras por galerias de arte, solidificam sua posição como um embaixador vital da cerâmica brasileira no cenário global. Ele se converteu, assim, em um narrador visual cujas criações promovem um diálogo entre a cultura local e mensagens globais.

Sua trajetória honra Pernambuco. De fato, ela demonstra que a inovação mais autêntica brota do respeito profundo às raízes. Ele prova que a arte popular pode ser complexa, contemporânea e questionadora. Do mesmo modo que Francisco Brennand, que utilizou o barro e o fogo para construir um universo mitológico particular e de alcance mundial, Mano de Baé usa a cerâmica de Tracunhaém para esculpir uma visão de mundo mais bela e inclusiva. Por fim, perpetua, assim, o poder transformador da arte pernambucana.

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