Marco Antônio de Araújo Costa carrega, aos 74 anos, a essência do engenheiro como um “realizador” de transformações. Sua vocação manifestou-se na infância, não em teorias, mas na prática. Por exemplo, ele consertava os próprios carros e construía suas pranchas de surf. Esse impulso para “engenhar” soluções, aliado ao talento artístico e ao domínio da física e matemática, foi calibrado por uma disciplina rigorosa.
Sem mentores, pois perdeu o pai aos 15 anos, sua estrutura de foco e competitividade foi moldada em um colégio interno britânico. Ele trilhou um percurso inverso ao convencional. De fato, foi empresário por 11 anos antes de ingressar em uma grande organização, a Camargo Corrêa. Nessa organização, por mais de duas décadas, ele encontrou realização plena e construiu uma carreira de imensa escala.
Obras de Grande Escala e Complexidade
Aos 27 anos, ele estava na selva amazônica abrindo caminho para a Hidrelétrica de Tucuruí. Esta foi sua formação completa. Para se ter uma ideia, ele gerenciava 15 mil funcionários em uma obra que produzia em concreto armado o equivalente a um prédio de 40 andares a cada 24 horas. Anos depois, ele retornaria, mais maduro, para gerenciar a segunda fase do projeto.
Como diretor da companhia, sua responsabilidade abrangeu feitos de alta complexidade. Um exemplo é a ponte de 5,5 quilômetros sobre o Rio Negro, em Manaus. Outro é um mineroduto de 730 quilômetros, que transporta minério de ferro de Minas Gerais ao Rio de Janeiro. Em Pernambuco, seu legado está em obras determinantes, como o Estaleiro Atlântico Sul.
O Maior Feito Técnico em Pernambuco
Contudo, seu maior feito técnico talvez seja o Túnel da Via Mangue. Sem parar o trânsito, sua equipe mergulhou uma estrutura sob uma avenida movimentada. Nesse local, o lençol freático estava a apenas um metro de profundidade, em puro mangue e areia.
Além da construção, sua visão de futuro se manifesta no projeto do Waterfront do Porto do Recife. O estudo de viabilidade econômica e o dimensionamento do projeto foram inteiramente concebidos por sua gestão na Camargo Corrêa. Isso ocorreu quando ele era Diretor Regional.
Filosofia e Liderança
Ainda ativo, com o que chama de “jeitinho de 40”, ele segue a bússola deixada pelo pai. “Se você resolver fazer alguma coisa, faça o melhor possível” é a filosofia que rege sua atual empresa, a C2C Gestão e Projetos. O maior objetivo da empresa, em suma, é a estruturação de empreendimentos.
Marco Antônio honra Pernambuco ao materializar a raça forte e aguerrida que ele identifica no povo do estado. Ele foi a prova viva dessa tenacidade em um ambiente corporativo paulista. Assim, ele se tornou o único nordestino a alcançar o cargo de Diretor Superintendente do grupo Camargo Correa Mineração e Projetos Privados. Este grupo lidava diretamente com clientes altamente exigentes, tanto nacional quanto internacionalmente, a exemplo da Vale e da Anglo American.
Visão e Legado
Sua trajetória demonstra que a engenharia é a aplicação da criatividade para solucionar o impossível. Sua capacidade de antever e viabilizar infraestruturas dialoga com a admiração que nutre por Marco Maciel. Maciel o chamava carinhosamente de “meu xará preferido” na época em que trabalharam juntos. Isso ocorreu quando Costa estava numa transição sem mandato ou cargo público. Assim como Maciel, que ele define como um colaborador autêntico, teve a visão de consolidar o Porto de Suape — a “cereja do bolo” da economia estadual —, Marco Antônio Costa dedica sua existência a engenhar as fundações complexas sobre as quais o progresso de Pernambuco pode se edificar.






