Nomes que Honram Pernambuco

Rosalva Silva: A Resiliência do Agreste à Referência em Saúde Pública

Rosalva Raimundo da Silva nasceu em Jupi, agreste pernambucano, em uma realidade onde o destino parecia traçado pela escassez. Ela foi criada na zona rural, numa casa simples que seu pai, Reginaldo, ergueu após a família ser deixada sem terras. Consequentemente, ela conheceu as privações mais duras. Sua mãe, Lucineide, e o pai fabricavam gaiolas e trabalhavam na roça para garantir o feijão, muitas vezes a única refeição. Rosalva e os irmãos dormiam em colchões de capim seco que sua mãe costurava. Além disso, a mãe frequentemente renunciava à própria comida por eles.

Rosalva entendeu cedo que a educação seria sua ferramenta de mudança. Para seguir além da terceira série da escola rural, ela precisou ir à cidade. Nesse sentido, enfrentava caminhadas de nove quilômetros, caronas em carros de boi ou caminhões de lixo. O transporte escolar, um “pau de arara” e depois um ônibus velho, falhava no barro. Por isso, todos eram obrigados a caminhar. Mesmo com o ensino precário, sua sede de aprendizado era absoluta.

Quando o pai pedia que faltassem às aulas para ajudar nas gaiolas, ela chorava o dia inteiro, até que seus pais cediam. Os irmãos ficariam. Contudo, Rosalva iria à escola.

A Virada de Chave: Escolha e Conquista

A virada de chave ocorreu quando ela precisou faltar à aula para arrancar feijão. Ao fim do dia exaustivo, ela recebeu dez reais. Ali, ela fez uma promessa: “Nunca mais. Eu vou estudar e nunca mais quero fazer isso por necessidade.” A partir daquele dia, ela escolheu um curso de informática ao invés do primeiro celular, visto que a mãe não podia arcar com ambos.

Ela cursou o ensino Normal Médio à tarde e o tradicional à noite. Por fim, formou-se laureada nos dois. Sem cursinho, apenas com sua disciplina, ela foi aprovada na Universidade de Pernambuco. Assim, ela se tornou a primeira em toda a família, materna e paterna, a entrar no ensino superior. Morando em Jupi, ela ia e vinha de Garanhuns, chegando em casa após a meia-noite.

Impacto na Educação e o Revés Político

Na graduação, ela foi professora do Projovem Urbano. Posteriormente, ela lecionou em sua antiga escola, num projeto para alunos que não sabiam ler ou escrever. Sua turma, que os outros rotularam como “pior”, alcançou o primeiro lugar municipal no índice de desenvolvimento da educação. Contudo, ela perdeu o emprego por questões políticas, por não ir a comícios. Em contrapartida, ela usou o revés como motivação para a Saúde Pública.

Ascensão na Saúde Pública e Pesquisa

Rosalva fez especialização em Saúde Pública. Depois, ela foi aprovada no mestrado na Fiocruz, na capital. Ela chegou sem ter onde morar e ganhou R$ 600,00 para pagar sua parte do aluguel. Em suma, sua dissertação foi extraordinária: saiu em vários sites e jornais. Além disso, ela contribuiu para a criação do Estatuto da Pessoa com Câncer em Pernambuco. O doutorado a tornou referência, de tal forma que sua tese sobre câncer de mama ganhou destaque nacional, recebeu o Prêmio Oswaldo Cruz e foi publicada no site da OMS.

Legado e Transformação Social

Rosalva honra Pernambuco ao recusar o destino imposto pela geografia e privação. Ela é a prova viva de que a resiliência do agreste, quando encontra o conhecimento, se torna uma estratégia para a mudança. Afinal, sua obra não é apenas acadêmica. Ela usou sua ascensão para contribuir em leis e impactar na saúde pública, atuando na atenção especializada do Ministério da Saúde. Sua história atualiza o legado de Paulo Freire. Em outras palavras, ela demonstra que a educação é a ferramenta mais poderosa para reescrever a própria realidade e libertar coletivamente o futuro.

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