Expressão

Dalva Cabral: Uma Trajetória Dedicada à Justiça e à Inclusão

Dalva Cabral de Oliveira Neta soma vinte e seis anos de beca junto ao Ministério Público de Pernambuco. Por conseguinte, ela carrega consigo a certeza de que não se aprende em manual algum que promover a justiça e, por vezes, acusar, exige, antes de tudo, a escuta atenta e o estudo sério e responsável.

Atualmente, ela atua como titular da 50ª Promotoria de Justiça Criminal da Capital. Ali, ela atua junto ao segundo Tribunal do Júri do Recife. Ela concilia a dureza dos processos que atentam contra a vida — dentre os quais o feminicídio, que cresce ano após ano — com a Coordenadoria do Núcleo da Pessoa com Deficiência do Ministério Público de Pernambuco. Essa última área lhe ensinou a enxergar invisibilidades antes ignoradas pela sociedade, ainda excludente. Ademais, ensinou a entender que todos fazem parte do compromisso da inclusão e da acessibilidade. Hoje, ela compreende a importância do engajamento de todas as famílias atípicas no grande seio da cidadania.

Fomento à Cultura e Formação Humanizada

Pela terceira vez, ela assume a presidência do Instituto do Ministério Público. A entidade fomenta a cultura e a arte na instituição. Dessa forma, a promotora tem transformado e levado filiados e filiadas a cursarem cada vez mais idiomas e técnica vocal. Além disso, promove imersões em palestras, reflexões, seminários jurídicos e participações em espetáculos culturais que fazem parte da multicultura pernambucana. Sobre o que a move a atuar em tantas frentes, ela diz-se convicta de que uma sociedade adoecida também se cura na convivência leve, na risada sem pressa e no congraçamento entre pessoas.

Formada pela Universidade Católica de Pernambuco, ela é pós-graduada em Direito Processual Penal. Igualmente, é especialista em violência contra criança e adolescente pela USP. Ela agregou a essa bagagem a experiência de professora de direito, escritora de artigos jurídicos e palestrante. Adicionalmente, concluiu há dois anos o curso de psicanálise pelo Instituto Freudiano de Pernambuco. “Eu queria compreender o comportamento humano antes de rotulá-lo, entender o que sobra quando se tiram do processo as pessoas do réu e da vítima como seres autônomos, dotados de vivências e experiências próprias, o que muda suas formas de verem e se relacionarem com o mundo”, afirma. Ela assevera ainda: “Eu não sou promotora de justiça de gabinete; gosto de gente, de conhecer suas realidades”.

Atuação no Interior e Compromisso Social

Em sua carreira, ela passou por Custódia, Betânia, Sertânia, Macaparana, Surubim e tantas outras comarcas do interior. Ela buscou sempre melhorar a vida das pessoas e combater a desigualdade social, muito presente no nosso povo. Foram cinco anos no combate à improbidade administrativa. Além disso, realizou mais de quarenta e quatro visitas por comarcas de várias regiões do estado. O objetivo era fazer a escuta ativa da cidadania e identificar os principais problemas de cada sociedade, enquanto esteve à frente do Centro de Apoio Operacional às Promotorias de Cidadania. Por fim, foi junto de pessoas que ela coordenou o Núcleo de Apoio à Mulher (NAM) do MPPE.

Valores e Legado no Tribunal

Ela é mãe de George Affonso e Marjorie. Também é filha de Miguel Alves Ribeiro e de Maria Auxiliadora Porto. Desde jovem, ela carrega os princípios que hoje aplica no júri e na vida: respeito, moralidade, transparência e ética. “A vida é o grande portal que permite a todas as pessoas lutarem pelas suas garantias e direitos”, resume. É essa convicção, mais do que qualquer premissa, que orienta sua atuação diária.

Hoje, Dalva segue no lugar que escolheu contra a tradição médica da própria família. Em suma, ela tem a certeza de que a verdadeira solenidade da beca e do tribunal onde atua está em tratar cada processo como vida, como luta, como esperança e, jamais, como um simples papel.

Keplinho Lafayette
Editor Executivo do Grupo Paradigma, empreende em novas ideias e novos horizontes estratégicos e operacionais através da congruência entre criatividade e imaginação.

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