Expressão

Geórgia Airola: da biomedicina ao direito com propósito e excelência

Geórgia Airola troca o jaleco pelo terno sem perder o hábito de investigar cada detalhe até o fim. Foram vinte e sete anos de biomedicina, entre os grandes laboratórios do Recife (Gilson Cidrim, CERPE, Marcelo Magalhães, Fleury). Nesse sentido, as próprias chefes, cansadas de vê-la resolver disputas trabalhistas informalmente no corredor, passaram a repetir a mesma frase: você devia fazer Direito. A princípio, ela ria da sugestão. Fez a inscrição como quem faz aposta, tão descompromissada que passou as primeiras duas semanas de aula viajando pela Itália.

Bastou a primeira aula com a advogada Brenda Belo para a brincadeira virar vocação. Dessa forma, Geórgia conciliou o expediente noturno do laboratório, que só terminava depois da meia-noite, com o estágio que conquistou entre mais de duzentos candidatos. Nesse ínterim, escrevia, sob pressão, uma notificação extrajudicial real para um cliente de carne e osso. “A gente chega a um ponto que não sabe quem escreveu o quê”, diz sobre a sintonia que amadureceu ao lado da mentora. Levantava às cinco para deixar os filhos na escola, seguia direto para a faculdade e, ao entardecer, voltava ao laboratório: rotina que só a força de vontade sustentava.

Geórgia Airola: Excelência Acadêmica e Conquistas Profissionais

Laureada na colação de grau, aprovada na OAB com nota 9,8, recebeu na véspera do juramento a ligação do então presidente da instituição avisando que seria a oradora da turma, a de nota mais alta entre todos. Oito dias depois, pediu demissão do único emprego do qual, ironicamente, foi de fato desligada.

A especialização em Família e Sucessões nasceu do TCC sobre maternidade e paternidade socioafetiva. Além disso, a atuação em Direito da Saúde surgiu de uma negativa da Unimed ao tratamento de um filho, resolvida com uma petição redigida em poucas horas, ainda como estagiária.

Propósito e Liberdade na Prática Jurídica

Mãe de Isabela e Heitor, Geórgia não busca riqueza, não busca ambição, busca liberdade. “Eu quero viver bem”, resume, recusando as migalhas de uma vida sem tempo para os que ama, algo que a rotina de jornalista de sua mãe, Gessina Primo, jamais permitiu.

Em suma, hoje Geórgia advoga com a certeza de quem trocou de profissão sem trocar de propósito. Por fim, ela continua a cuidar de gente, com o mesmo rigor de quem antes cuidava de exames.

Keplinho Lafayette
Editor Executivo do Grupo Paradigma, empreende em novas ideias e novos horizontes estratégicos e operacionais através da congruência entre criatividade e imaginação.

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