Expressão

Murilo de Moraes Guerra: Legado e Tradição na Advocacia

Murilo Roberto de Moraes Guerra sustenta, aos 86 anos, um ofício de cinco gerações com a disciplina de sempre. Desse modo, chega cedo ao escritório, cumprimenta um a um e revisa o que ainda precisa de revisão. Com efeito, não se trata de uma simples visita, mas de uma verdadeira rotina. Formado em 1965 pela Faculdade de Direito do Recife, da Universidade Federal de Pernambuco, ele não fundou uma vocação. Pelo contrário, deu sequência a ela. O precursor foi o avô, Manoel Claro de Moraes Guerra, que iniciou o curso no Recife e o concluiu em São Paulo, no distante 1906. Depois veio o pai, Adalberto Gomes Pereira Guerra, formado em 1936, também pela Faculdade de Direito do Recife. Murilo recebeu de Adalberto o que Adalberto recebeu de Manoel Claro. Além disso, passou adiante o que recebeu: um sobrenome, um ofício e uma mesa de trabalho.

A Especialização e a Continuidade da Família

Foi ao lado do filho mais velho, Guilherme de Moraes Guerra, quarta geração da família, que o centenário Moraes Guerra Advocacia (MGA) deixou a advocacia generalista. Como resultado, passou a ter uma dedicação exclusiva ao direito imobiliário. Essa escolha, tomada décadas atrás, provou-se certeira. Atualmente, sustenta um escritório que atravessa o século e chega à quinta geração pelas mãos da neta Beatriz. Trata-se da prova de que um bom nome de família se transmite, mas também se atualiza. Casado há 56 anos com Maria da Graça Freire de Moraes Guerra, Murilo é pai de quatro filhos: Guilherme, Murilo Filho, Gustavo e Maria Cláudia. Cada um deles carrega, à sua maneira, o mesmo sobrenome e o mesmo compromisso com um ofício que atravessou o Recife de 1906 até os corredores do escritório hoje.

O Legado Através da Presença Diária

Aos 86 anos, o advogado ainda senta à mesma mesa e lê o mesmo tipo de contrato com a atenção de sempre. Igualmente, ainda ensina sem parecer que ensina, pela simples presença diária. É essa presença, mais do que qualquer discurso, que forma sucessores. Desse modo, Guilherme aprendeu vendo e Beatriz aprende vendo. Por conseguinte, o escritório segue de pé porque alguém, todos os dias, insiste em chegar cedo. Em suma, um nome de família não se herda. Em vez disso, se defende, geração após geração, até que a defesa vire hábito, e o hábito, legado.

Keplinho Lafayette
Editor Executivo do Grupo Paradigma, empreende em novas ideias e novos horizontes estratégicos e operacionais através da congruência entre criatividade e imaginação.

Deixe um comentário