Hailton Gonçalves reúne, em um único percurso, o que a maioria das vocações prefere manter separado: a precisão da toga e a ternura do púlpito. Nascido em Santaluz, na Bahia, ele é filho de Raimunda Gonçalves, feirante que sustentava o mundo nos ombros, e de um agricultor cuja terra ensinava a resistência antes de nomear o privilégio. Posteriormente, ele chegou ao Recife carregando o único bem que não se confisca: a vontade de saber. Graduou-se em Teologia pelo Seminário Teológico Batista e em Direito pela Universidade Católica de Pernambuco. Não foi por conveniência dupla, mas por uma convicção indivisa. Com efeito, a lei do céu e a lei dos homens exigem, para ele, a mesma intensidade de escuta.
Hailton Gonçalves: A Magistratura como Missão Humana
A atuação de vinte e seis anos no Tribunal de Justiça de Pernambuco, com passagens pelas comarcas de Verdejante, Salgueiro, Cachoeirinha e João Alfredo, não foi a carreira de um jurista de gabinete. Ao contrário, foi a presença de um magistrado que entendeu o agreste pelo calor e as pessoas pelo conflito que carregavam antes de qualquer petição. Em João Alfredo, ele levou o fórum para dentro das escolas e distribuiu materiais educativos. Além disso, narrou, para adolescentes que o viam como autoridade distante, a história do filho da feirante que se tornou juiz e teólogo. Uma jovem que ouviu aquele relato hoje exerce a advocacia. Esse é, portanto, o acórdão que o magistrado mais preza: o que muda uma vida antes de qualquer processo se iniciar.
Conciliação entre Fé e Direito
Aos sessenta e quatro anos, enquanto leciona na FACAL e na UNINASSAU com a paixão de quem ainda tem muito a dizer, ele concluiu o Mestrado em Direito. Esse gesto não tem vaidade; tem fidelidade. É a mesma fidelidade que aprendeu no púlpito da Igreja Batista em Peixinhos, onde pastoreou por uma década antes de cruzar, em 14 de fevereiro de 2000, a soleira definitiva da magistratura. Pastor, advogado e juiz: três papéis que, em suas mãos, nunca foram funções distintas.
O Legado do Serviço
“O trabalho é apenas um meio; o fim é a utilidade que deixamos na vida do outro.” Em suma, para quem passou décadas convertendo a aspereza da lide em amparo real, essa não é uma frase de efeito. Definitivamente, é uma sentença que ele já cumpriu.

