Noelma Santos Costa administra a OAB de Jaboatão dos Guararapes e Moreno com uma lógica que saiu das clínicas, não dos tribunais. Formada primeiro em Psicologia, depois em Direito, ela trouxe para a presidência da subseção aquilo que os livros de gestão raramente ensinam. Em outras palavras, trouxe a capacidade de ler o que o outro não diz.
O ambiente que moldou essa leitura foi político e humano, ao mesmo tempo. Seu pai, o delegado aposentado Manoel Pereira da Costa Neco, percorreu oito mandatos de vereador e um de deputado estadual a serviço de Jaboatão. Além disso, seu irmão Neco Filho hoje também é vereador na câmara municipal. Sua mãe, Neide Costa, pedagoga, abriu escola e depois uma ONG que acolhia crianças carentes com esportes e cuidado. Crescer nesse território, próxima ao povo por obrigação afetiva, instalou em Noelma uma bússola que nenhum código civil oferece sozinho.
Transformações e Conquistas na Subseção
A gestão que conduz desde janeiro do ano passado tornou-se referência nos quatro cantos de Jaboatão e Moreno por uma razão concreta. A OAB deixou de ser apenas o lugar onde se renovam certidões. Hoje há médicos atendendo advogados gratuitamente, exames disponíveis, e mais de 60 comissões temáticas funcionando com autonomia para gerar visibilidade, clientes e oportunidades para seus membros.
Do mesmo modo, a porta da subseção também se abriu para a sociedade, prestando orientação jurídica em diversas comunidades. A conquista que mais surpreendeu Noelma veio sem aparato. Foram advogadas mães solo, recém-divorciadas, que ao entrarem nas comissões viram a vida profissional mudar, a vida financeira mudar para melhor, e que foram ao seu gabinete agradecer. “É um motivo de orgulho imenso”, diz ela, com a serenidade de quem não precisa ornamentar o que é real.
O Valor do Coletivo e a Visão de Futuro
A gestão ensinou ainda o valor do coletivo: ouvir antes de decidir, cercar-se de quem se confia, construir em conjunto. Noelma assimilou isso nos primeiros meses difíceis, quando os erros foram, antes de tudo, aulas.
Aos 51 anos, ela se vê em expansão. O que move esse avanço não é ambição de palco, mas a convicção que carregou de casa: estudar, planejar, entregar. Em suma, quem aprendeu a escutar o ser humano antes do processo sabe que o serviço mais preciso começa muito antes da primeira petição.



