Expressão Geral

Case de sucesso – Bruno Lacerda

Bruno Frederico de Castro Lacerda (51), mais conhecido no meio jurídico como Bruno Lacerda, se dedica ao exercício da advocacia criminal há mais de 28 anos. Casado com a Relações Públicas Marcela Macêdo Samico Lacerda (47) e pai de Breno (22) e Maitê Samico Lacerda (18), é titular, juntamente com o irmão Fernando Octavio Lacerda, do escritório de advocacia Lacerda Advogados Associados. A sociedade, que é a continuação de um escritório familiar, avança com o legado deixado pelo célebre criminalista Bráulio Lacerda, seu pai e fundador do escritório que inicialmente se chamava Escritório de Advocacia Bráulio Lacerda.

Tido como referência natural para Bruno, ele revela que desde muito jovem já acompanhava a atividade profissional do pai. Afirma que aos 7 anos de idade já assistia a júris de Bráulio exibidos pela TV Universitária, entre os quais o júri de Ninon, que marcou época, sendo um dos mais famosos da década de 70. Recorda-se, ainda, que aos 12 anos de idade foi levado por Bráulio para acompanhar um júri (na Sala de Sessões onde atualmente funciona o Plenário do Tribunal de Justiça de Pernambuco), ficando escondido no primeiro andar, circunstância, entretanto, que não impediu de ser avistado, tão logo se iniciaram os debates, pelo magistrado Nildo Nery dos Santos, seu futuro professor de Criminologia na UNICAP, que determinou a sua retirada do recinto, por se tratar de um menor de idade.

A carreira de criminalista veio de forma muito natural para Bruno Lacerda, que percebeu sua vocação desde muito cedo. Cresceu literalmente dentro de uma Banca (mesmo porque o seu pai já teve escritório em casa, inaugurando, há décadas, a era do home office…) e assegura que as aulas de penal e processo penal na faculdade sempre foram as mais prazerosas, pois aquele tema já fazia parte do seu cotidiano.

Relata que teve a oportunidade de dar continuidade a mais um legado do seu pai, que foi defensor criminal da Polícia Militar de Pernambuco. Porém sua atuação não se prolongou, visto que houve uma divergência com suas diretrizes quando, em uma determinada greve, viria a ser convocado para atuar em desfavor dos policiais que aderiram ao movimento. “Como eu era contratado para defender os militares, não me senti confortável em estar inserido em um procedimento destinado à punição dos mesmos. Por isso optei por me desvincular, mas tive uma grande satisfação, e me sinto muito honrado, por ter dado continuidade, embora por curto período, à atividade que por quase três décadas meu pai exerceu, na defesa dos oficiais e praças da Polícia Militar de Pernambuco”, declara o advogado.

Homem de princípios íntegros, aprendidos principalmente através dos exemplos práticos ministrados por seu pai em questões de ética e moral, Bruno trata cada cliente como se fosse o único do escritório. Afirma que a advocacia criminal não pode ser exercida em escala industrial e que prefere atuar no estilo que denomina de advocacia artesanal, em que diz ter condições de se dedicar de forma quase que exclusiva para cada cliente, em atendimento personalizado, circunstância muito importante para a construção de teses jurídicas.

Confessa que sempre fez uma inevitável comparação entre a sua atuação e a do seu genitor, processo que o levou a evitar júris durante algum tempo, como explica: “Eu tinha um paradigma extremamente elevado das defesas que eu assisti do meu pai. Ele tinha uma formação muito sólida, humanista, um conhecimento geral, de história, e tinha uma capacidade de argumentação extraordinária. Então esse paradigma elevado, de certo modo, me inibiu, e eu iniciei as defesas e sustentações, mais técnicas, perante cortes togadas, para depois de alguns anos, aí sim, expandir a minha atuação para julgamentos populares, embora já participasse ativamente de todas as outras fases dos processos de júri”.

Ter luz própria é uma característica que sempre esteve presente em Lacerda e que foi incentivada pelo pai. O advogado reconhece que embora tenha bebido dessa fonte, que considera ser um dos maiores casos de sucesso da advocacia criminal brasileira, o que o fez adquirir uma identidade própria foi ter inaugurado e capitaneado uma nova abordagem no escritório, direcionada ao direito penal econômico, enquanto que Bráulio se notabilizava como excepcional advogado de júri, embora igualmente transitasse com maestria pelas outras subespecialidades do direito criminal.

Nas últimas décadas o advogado atuou em diversas causas criminais de notoriedade, algumas delas de repercussão nacional, a exemplo do caso da “Orquestra Sinfônica de São Caetano” e do “Caso Serrambi”. O julgamento do caso de Serrambi, inclusive, foi um dos mais longos da história de Pernambuco, tendo durado cinco dias. Assegura que nunca é fácil atuar em casos de notoriedade por causa dos holofotes e dos julgamentos antecipados, influenciados principalmente pela mídia. “Hoje em dia percebo essa questão de prejulgamento até mais evidente pelos ‘tribunais’ das redes sociais. Você tem um massacre em determinados casos, sem direito à defesa, em que reputações são destruídas num piscar de olhos pelo tratamento que é conferido pelas pessoas, ainda que de forma involuntária, ao julgar. É um momento muito complicado o que estamos atravessando, de intolerância, e gostaria de aproveitar o ensejo para manifestar minha extrema preocupação com esses tempos sombrios que nós estamos atravessando”, alerta Lacerda.

Em relação à sua atuação de êxito, em quase 28 anos de carreira jurídica, o advogado afirma que hoje se sente um advogado criminal realizado, embora isso não diminua o seu ritmo de trabalho. Destaca, ainda, que advocacia é 90% transpiração e 10% inspiração, e que ingredientes como ter paixão pelo que faz, empenho, dedicação, qualificação e experiência são fundamentais. Ter um bom índice de obtenção de resultados, mantendo sempre os princípios éticos, é o que define sua atuação profissional. “O grande estímulo do advogado na mais árida das especialidades do Direito, o direito penal – que é extremamente desgastante e com embates muito intensos – é a experiência indescritível na obtenção do resultado, especialmente em situações onde o advogado pode contribuir para fazer triunfar a justiça, no reconhecimento do bom Direito, na entrega, por exemplo, de um filho, que estava confinado intramuros, a uma mãe desesperada. Então, a angústia que o advogado criminal vive diariamente é amenizada, em certa medida, por esses episódios de êxito. Isso realmente não tem preço, é o que me estimula diariamente a trabalhar e a perseverar”, finaliza o criminalista.


“Nas últimas décadas, o advogado atuou em diversas causas criminais de notoriedade, algumas delas de repercussão nacional, a exemplo do caso da ‘Orquestra Sinfônica de São Caetano’ e do ‘Caso Serrambi’, tendo sido, ainda, Membro da Comissão Especial de Estudos do Anteprojeto de Reforma do Código Penal, instituída pela OAB/PE em 2012, além de ter participado, na condição de Palestrante/Debatedor/Mediador, de numerosas palestras sobre temas jurídicos, além de debates promovidos em rádios”.

Manu Asfora
Publicitária com especialidade em conectar marcas a pessoas, é a responsável pelo sucesso editorial que confere a Paradigma Jurídico o título de líder do setor editorial jurídico impresso em Pernambuco.

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