Quando assumiu a Secretaria de Turismo e Lazer do Estado de Pernambuco, Roberto Asfora Filho não chegou do gabinete de um partido. Chegou do Agreste, trazendo a memória física de quem já segurou o volante de um caminhão perfuratriz serra acima para entregar água a uma comunidade. Desse modo, essa comunidade dependia de favor político para beber. Esse repertório, construído em décadas de mandato legislativo em Brejo da Madre de Deus, foi o que ele carregou para a escala estadual. Em suma, tratou-se da perspectiva concreta de quem administrou a escassez antes de administrar a abundância.
A família Asfora tem em Brejo uma origem que começa com uma travessia de fé. Os bisavós Abraham e Lussaper chegaram atraídos por uma fonte de reputação milagrosa. Assim, fixaram raízes que definiram, décadas depois, o destino do bisneto. O avô Teófilo ergueu comércio e indústria sobre um código simples: conta clara, nome limpo e trato reto. Posteriormente, o pai, Roberto Asfora, converteu esse legado em cinco mandatos de prefeito. Com isso, mostrou ao filho, pela prática cotidiana, que o poder público existe para responder ao que falta, e não para administrar o que sobra.
Roberto Asfora Filho: A Trajetória Legislativa e o Compromisso Prático
Eleito vereador em 2012, o secretário percorreu quatro mandatos com uma metodologia que dispensa o protocolo do distanciamento. Em parceria com o governo estadual, articulou mais de uma centena de poços artesianos no Agreste Setentrional. Um episódio definitivo aconteceu em Chã do Amaro, na Serra do Ponto. Como o motorista da perfuratriz não apareceu e as famílias dependiam de caminhão-pipa, ele simplesmente assumiu o volante. Subiu a serra e comandou a operação até a água romper o solo. Aquele jorro dissolveu, ao mesmo tempo, a sede e a sujeição. Portanto, o parlamentar licenciou-se do mandato para servir em escala maior, levando consigo a mesma gramática de presença.
Visão Estratégica para o Turismo em Pernambuco
Agora, como Secretário de Turismo e Lazer de Pernambuco, o gestor carrega esse instinto para uma arena inédita. O Agreste que conhece de cor, com seus circuitos de confecção, suas festas de ciclo e sua culinária de herança, deixa de ser pano de fundo. Torna-se, pelo contrário, pauta dentro da pasta estadual. O Polo das Confecções de Santa Cruz do Capibaribe, o maior polo têxtil da América Latina, integra agora uma visão estratégica. Consequentemente, a gestão enxerga no turismo de negócios e na identidade cultural do interior um filão que o litoral, sozinho, jamais cobrirá. O interior, que muitas gestões trataram como destinatário passivo de programas, ganha voz ativa na política do Estado.
Método de Gestão e Desenvolvimento Regional
A transição do mandato legislativo para o cargo executivo exigiu ampliação de horizonte, mas não de método. O secretário opera pela escuta antes da decisão e pela consulta antes do anúncio. Desse modo, a secretaria incorpora a perspectiva de quem conhece o município pelo nome das ruas e pela cadência das feiras. Sabidamente, o turismo sustentável começa onde a dignidade do morador está preservada. Pernambuco tem no litoral um cartão-postal maduro. Todavia, o que o gestor defende é que a memória viva do Estado pulsa com igual força nos brejos, nos agrestes e nas serras que ainda aguardam roteiros e infraestrutura.
Roberto Asfora Filho é o primeiro nome de Brejo da Madre de Deus a ocupar uma secretaria de Estado. A cidade que acolheu Isabel e Abraão por promessa de saúde hoje envia um de seus filhos para cuidar da imagem de Pernambuco diante do mundo. Essa circularidade não é detalhe biográfico. Afinal, é o argumento mais sólido de que o interior pode e deve ocupar os espaços que sempre lhe foram negados.
Sua gestão aponta para o fortalecimento dos roteiros do interior, o resgate de tradições culturais como vetor econômico e a construção de parcerias que sobrevivam a ciclos eleitorais. A visão é a de quem perfurou o solo árido até encontrar água: pressão constante, no ponto certo, sem atalho. A busca de cura que trouxe os bisavós a Brejo encontrou, nas mãos do secretário, um novo propósito. Em conclusão, esse propósito transforma a beleza plural de Pernambuco em oportunidade concreta para quem vive dela, e não apenas para quem a contempla de longe. A água segue brotando, agora em escala de Estado.


