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João Varella: Vocação e Prazer no Direito Previdenciário

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Era 2011. João Varella olhava para a pequena sala vazia que seria o berço de seus sonhos profissionais e sentia o peso da responsabilidade misturado com a adrenalina da aventura. Ao seu lado, Alyne Aleixo, sua parceira na vida e agora também nos negócios, segurava nas mãos não apenas a chave do escritório, mas a promessa de que juntos construiriam algo maior que eles mesmos.


“Ela me fez ver que eu tinha que ser empreendedor”, reflete João hoje, lembrando-se da lição que absorveu ainda jovem na empresa familiar. Mas havia uma diferença crucial: enquanto crescia observando o mundo dos negócios, ele sonhava em aplicar essa visão empresarial ao universo jurídico. “Eu trouxe os princípios do ramo empresarial para o direito e é isso que tem feito o escritório dar certo.”

O início foi um teste de resistência e cumplicidade. Alyne, já formada, tornou-se a âncora financeira dessa embarcação nascente. “Eu tinha uma renda, então eu bancava o escritório junto com ele, com o pouco cliente que entrava”, relembra ela, sem romantizar a dureza daqueles primeiros meses. Enquanto isso, João se lançava na missão hercúlea de conquistar confiança em um mercado saturado de promessas vazias.

‘Ah, vai no Dr. João Varella que ele é bom’

Mas algo mágico começou a acontecer. Cada vitória jurídica se transformava em algo muito mais valioso que honorários: transformava-se em uma história. Uma história contada na mesa do jantar, no café da esquina, na conversa entre vizinhos. “Um cliente foi indicando pro outro: ‘Ah, vai no Dr. João Varella que ele é bom’. E assim a gente foi conquistando os clientes e estamos onde estamos.”

O segredo não estava em grandes campanhas publicitárias ou estratégias de marketing sofisticadas. Estava em algo aparentemente simples, mas revolucionário na era da automação: tratar cada pessoa como única. “Apesar de eu trazer essa parte empresarial, a gente tenta humanizar o máximo possível o atendimento. Cada cliente aqui é tratado como único”, explica Varella.

A Filosofia dos momentos íntimos

Essa humanização não é retórica de marketing. Pelo contrário, é uma filosofia que invade até os momentos mais íntimos. “Às vezes a gente tá em casa e pensa: ‘dona Fulaninha, aquele processo…’ e a gente acaba parando o que está fazendo para ir olhar”, confessa ele. De fato, isso revela como as fronteiras entre o profissional e o pessoal se dissolvem quando o compromisso é genuíno.

Toda grande jornada profissional tem seu momento de epifania. Para João Varella, por exemplo, esse momento chegou através de um homem simples, de mãos calejadas pelo trabalho na terra: “Seu João”. Suas perguntas sobre direitos previdenciários acenderam uma chama que nunca mais se apagaria.

Posteriormente, aquelas questões aparentemente corriqueiras se transformaram em um mergulho profundo nos meandros da seguridade social. O que começou como curiosidade evoluiu para especialização. Como resultado, a especialização revelou uma realidade social perturbadora que pulsa no coração do Direito Previdenciário.

“A sociedade tem criado um grupo de pessoas incapazes. Ela tem tornado as pessoas fisicamente ou mentalmente incapazes, porque elas estão adoecendo”, observa João com a precisão clínica de quem acompanha esse fenômeno diariamente.

Histórias Reais

Não são apenas números em processos. São histórias reais: o metalúrgico que desenvolveu doença após décadas na linha de produção, a enfermeira consumida pelo burnout após plantões intermináveis, o construtor civil que perdeu a mobilidade em um acidente de trabalho. Cada caso é um sintoma de um problema maior que a sociedade prefere não enxergar.

“Não é o direito previdenciário que está errado por estar crescendo. Ele está crescendo porque a sociedade está fazendo ele crescer”, pontua com a clareza de quem enxerga além das aparências.
As reformas recentes, em sua análise, criaram um cenário ainda mais cruel: uma geração de trabalhadores que se encontra em um limbo kafkiano — velhos demais para o mercado de trabalho, jovens demais para a aposentadoria pelas novas regras.

Quando jovens advogados procuram João em busca de orientação, ele oferece não apenas conselhos profissionais, mas verdadeiras lições de vida. Sua primeira recomendação soa como um antídoto contra a cultura do “sucesso rápido”: “Primeiro, não se iluda com o direito que está crescendo ou que está na moda. Você precisa fazer o direito que você se identifica, porque senão você não vai fazer um direito que vai lhe dar prazer.”

Ele desmascara qualquer ilusão romântica sobre a profissão: “Não é uma profissão para fracos.” A advocacia previdenciária, em particular, exige uma devoção quase monástica ao estudo constante. “Você precisa estar preparado para dormir com o direito de um jeito e acordar tendo que estudar toda uma instrução normativa nova com pelo menos 1.000 artigos.”

O Coração de um Sonhador

Por trás do pragmatismo do advogado experiente, pulsa o coração de um sonhador. Se pudesse reescrever as regras do jogo, João criaria uma reforma verdadeiramente justa, focada em amparar aqueles que mais precisam: as pessoas que, pela idade ou por enfermidades, tiveram sua capacidade de trabalho reduzida.

Sua visão se estende além dos tribunais. Ele sonha com uma sociedade onde a educação sobre seguridade social comece na escola, onde os jovens compreendam que contribuir não é perder dinheiro, mas investir no principal seguro de suas vidas.

Ao final da conversa, emerge o retrato de um homem completo. Inspirado pela sabedoria de sua avó Ivone, fortalecido pela admiração de sua esposa Alyne e pelo amor de sua filha Duda, João encontrou no refúgio de seu lar e na companhia de seus cavalos a serenidade necessária para enfrentar as batalhas diárias nos tribunais.

O Papel Social da Advocacia

“A advocacia guarda a lei, o estado de direito, a democracia. No dia que faltar o advogado, certamente tem alguma coisa errada”, reflete ele, revelando sua compreensão profunda do papel social de sua profissão.

Sua trajetória prova uma verdade simples mas poderosa: o maior sucesso não se mede apenas em vitórias judiciais ou crescimento financeiro, mas na capacidade de exercer a profissão com prazer, propósito e, acima de tudo, humanidade.

João Varella não é apenas um advogado previdenciário de sucesso. É um guardião de histórias, um defensor dos esquecidos pela sociedade, um homem que transformou sua vocação em missão e sua missão em legado.

Revista Paradigma Jurídico Ed. IV Capa – Agosto 2025.

Keplinho Lafayette
Editor Executivo do Grupo Paradigma, empreende em novas ideias e novos horizontes estratégicos e operacionais através da congruência entre criatividade e imaginação.

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