Superação e Vocação Precoce
Alexandre de Mattos Gomes descortina uma visão singular sobre o cuidar. De fato, ele converte a própria vulnerabilidade infantil em alicerce para o desenvolvimento da geriatria. Primeiro médico da família, ele é filho de Elísio Gomes, retirante sertanejo, e da professora Martha de Mattos Gomes. Criado no Recife com o irmão Felipe em classe baixa, sua inclinação profissional delineou-se por meio da adversidade.
Diagnosticado com hemofilia sob tratamentos precários, passou a infância entre internamentos e terapias hemoterápicas frequentes. Foi nessa convivência compulsória com a dor hospitalar que assimilou uma sensibilidade inacessível aos bancos acadêmicos: a compreensão do sofrimento sob a ótica de quem ocupa o leito.
A Base Acadêmica e a Prática Clínica
Essa bagagem, relatada como a primeira matéria do entrevistado na última edição da revista, fundamenta sua atuação. Ele próprio ressalta que seus diplomas e pós-graduações jamais ensinariam o que absorveu como paciente.
Muito aplicado, alcançou a segunda colocação no vestibular da UPE, graduando-se em 1999 na UFPE. Posteriormente, conquistou o primeiro lugar geral no concurso de residência médica estadual. Durante sua atuação no Hospital Barão de Lucena, a complexidade dos idosos despertou sua certeza profissional, consolidada no Congresso Brasileiro de Geriatria de 2002.
Liderança e Legado na Geriatria
Após se especializar na PUC do Rio Grande do Sul em 2004, obteve a primeira colocação nacional na prova de título de especialista em 2006. Desse modo, tornou-se o sexto médico titulado em geriatria no estado de Pernambuco.
Além disso, presidiu a Sociedade Brasileira de Geriatria – Seccional Pernambuco por dois mandatos, fundou o IMEDI e co-criou a residência médica no Hospital Oswaldo Cruz. Em conjunto com a professora Marília Siqueira Campos, fundou a primeira disciplina de geriatria de um curso de medicina em Pernambuco: a disciplina de Geriatria da FCM/UPE, da qual atualmente é professor-coordenador.
Com mais de duas décadas de atuação clínica na geriatria, ele encontra o equilíbrio junto à esposa Fabiana e à filha Mariana. Em síntese, o menino que decifrou o ambiente hospitalar pela dor hoje retorna para ensinar o valor do acolhimento.




