Karina Viana Fonsêca chegou ao direito pela insistência da Mãe Rosa Maria Viana Fonsêca, que sempre quis ter uma filha advogada. Antes de abrir qualquer código, contudo, ela cortou raia nas pistas de atletismo. Como campeã brasileira dos 100 metros rasos e vice-campeã sul-americana, pagou os próprios estudos com cada largada, desde o Colégio Boa Viagem até a faculdade. Correr ensina uma coisa que a jurisprudência não registra: a pressão do percurso importa menos do que a clareza sobre onde se quer chegar.
O Legado Familiar e a Docência
O pai, Gilson Maia Fonsêca, vibrou quando ela ingressou na faculdade de Direito. Havia ali o cumprimento de uma herança, pois o avô, João Domingos da Fonsêca, foi advogado em Garanhuns, cidade da qual ela herdou o nome de família e, talvez, o chamado. Karina demorou para respondê-lo. Primeiramente, formou-se em Serviço Social e passou a lecionar na Uninassau da Caxangá. A docência fez o que a timidez não permitia: abriu voz, abriu postura e abriu a dimensão pública de alguém que até então preferia ouvir a falar.
Da Pista à Advocacia Especializada
Doze anos depois da primeira formatura, ela cruzou a segunda linha de chegada. Especializou-se em Família, Sucessões e Processo Civil. Trabalhou no IMIP como assistente social enquanto estagiualmente cursava direito, de domingo a domingo, sem argumento para a fadiga. Atualmente, o escritório Karina Fonsêca Advocacia e Consultoria Jurídica atende clientes em todo o Brasil. O foco principal reside no melhor interesse da criança, nas relações socioafetivas e no direito à saúde, áreas que ela considera as mais sensíveis da vida humana.
O Ponto de Inflexão e a Dedicação Exclusiva
O ponto de inflexão veio num caso de alienação parental: um pai afastado do filho por mais de um ano. Ela resolveu a questão com precisão. “Eu posso ser um instrumento transformador na vida das famílias”, entendeu ali. Desde então, escolhe cada causa pelo que ela vale para quem a vive, e não pelo peso que ocupa no processo. A mentora Thaynna Ferrer ajudou a transformar essa convicção em estratégia. Em 2025, portanto, Karina deixou o serviço social para dedicar-se exclusivamente à advocacia.
Em suma, a conjugalidade pode acabar, mas a parentalidade nunca. Karina Fonsêca sabe disso por ofício e por fé. Defende essa verdade com a mesma determinação de quem sabe que o último metro é decidido antes mesmo da largada.


