Expressão

Teresa Asfora: Um Legado de Educação e Propósito

Teresa Asfora carrega, aos noventa e três anos, a autoridade silenciosa de quem converteu cinco décadas de pedagogia em algo que os dossiês não registram. Com efeito, trata-se da certeza, guardada em cartões de Natal e bilhetes manuscritos, de que formou gente antes de formar alunos.

Mineira de Poços de Caldas que chegou ao Recife pelo mar, ela não encontrou no Nordeste apenas um endereço novo. Pelo contrário, encontrou a claridade que definiria o ritmo de cada decisão futura. Descendente de Abraham e Lussaper, imigrantes armênios que atravessaram o oceano para reconstruir o nome da família em solo brasileiro, Teresa aprendeu desde cedo que a identidade não sucumbe ao desraizamento. Antes de tudo, ela se afirma, ela se adensa, ela se perpetua.

Teresa Asfora: A Trajetória na Escola O Pequenote

O casamento com Teófilo Asfora abriu uma fase de empreendimento industrial; logo depois, o fim desse ciclo abriu outra, muito mais autoral. Na Escola O Pequenote, ao lado de sua irmã Beta, ela governou por quarenta e seis anos um espaço onde a métrica de sucesso não era a nota do boletim. Em vez disso, buscava o brilho nos olhos de quem se sentia verdadeiramente visto. Aposentou-se aos oitenta e cinco. O tempo do relógio, ela sempre soube, não governa o tempo do propósito.

A sua pedagogia apostou no que a velocidade da modernidade insistia em apagar. No pátio, ela ensinava a corda dupla, ela media o tempo da corda, ela lançava a gude com a naturalidade de quem sabe que o brincar é o veículo mais honesto da formação humana. Quem aprendeu a pular aprendeu, sem perceber, a conduzir. Além disso, quem recebeu o jogo recebeu, sem perceber, a generosidade. Seu agir era multiplicador: ao plantar a semente da brincadeira esquecida, ela colhia gerações mais autônomas e mais capazes de cuidar umas das outras.

Compromisso Social e Valores Familiares

Rotariana por convicção e fé, Teresa nunca limitou o bem a quem estava por perto. Expandiu-o, com paciência e persistência, para além dos muros da escola e do círculo familiar. Ademais, ela é mãe de quatro filhos, avó de nove netos e bisavó de nove bisnetos.

Em conclusão, hoje, o legado desta educadora de alma mineira e coração nordestino se resolve numa conta simples: ajudar foi o seu modo de ser, e ser foi o seu modo de ajudar.

Keplinho Lafayette
Editor Executivo do Grupo Paradigma, empreende em novas ideias e novos horizontes estratégicos e operacionais através da congruência entre criatividade e imaginação.

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