Madalena Caldas dedicou décadas a construir em Pernambuco um polo de reprodução assistida que figura entre os cinco maiores do Brasil e os dez da América Latina. À frente da Rede Geare, que fundou e conduziu até sua venda para o fundo FertGroup da XP, realizou mais de mil ciclos anuais. Além disso, respondeu por quase três mil nascimentos, cada um carregando o peso de uma família que acreditou na possibilidade.
Formada pela Universidade de Pernambuco, Madalena Caldas percorreu o seu campo quando o conhecimento sobre o início da vida ainda era tratado como segredo de corporação. O silêncio dos laboratórios, o silêncio dos métodos e o silêncio dos mestres eram a norma. Ela respondeu ao silêncio com ensino, abrindo as portas para residências, mentorando egressos e disseminando a prática da fertilização in vitro quando a maioria preferia reter. A decisão de escalar o acesso foi uma aposta no coletivo sobre o individual. Como resultado, o resultado foi a expansão da rede para Caruaru, Alagoas e João Pessoa, descentralizando uma esperança que antes só existia na capital.
Madalena Caldas: A Atuação no Setor Público e no IMIP
A sua atuação no IMIP, entre 2004 e 2014, é o capítulo mais revelador dessa convicção. Ali, coordenando o primeiro serviço público de bebê de proveta do Norte e Nordeste, Madalena provou que a dignidade do cuidado não tem endereço privado. A ciência praticada no setor privado foi a mesma oferecida ao serviço público, sem concessões à qualidade e sem aceitar que o berço de uma criançaseria determinado pela conta bancária dos pais.
Conexões Internacionais e Legado Familiar
Membro da Sociedade Americana de Reprodução Assistida. Da Sociedade Europeia de Reprodução Humana, a médica mantém Pernambuco conectado às discussões que moldam o futuro da especialidade. Em casa, o marido Gustavo e os filhos Catarina e Lucas, todos médicos. São a prova de que os valores cultivados em família possuem a persistência das convicções que se sustentam sob qualquer pressão.
Em suma, quem trabalha com o princípio da existência aprende, cedo ou tarde, que os números explicam o processo, mas não esgotam o mistério. Por fim, compreende que a maior habilidade de um cientista é saber a diferença entre os dois.


