Segundo o autor Leite (2000) discute uma proposta de angústia apresentada no homem contemporâneo. Ele diz também que o homem é filho desta angústia, por estar presente na construção desta contemporaneidade. E, mesmo tendo momentos diferentes, determina os movimentos negando esta angústia. Assim, o autor chamará este movimento de recalque, que seria o recurso de cada cultura para negar a angústia. “O recalque é um não querer saber da angústia” (LEITE, 2000, p.17).
O que diz Freud
Freud (1969) diz que a transferência é uma forma fundamental para o sujeito suportar as suas angústias. O sujeito tende a transferir para o terapeuta, de forma que culpe o outro pelos seus sofrimentos, atribuindo muitas vezes a esse a responsabilidade das suas angústias.
Ainda em Freud (1973 apud Leite, 2000) encontra-se que o sujeito pode se assegurar de si, “desde que possa descartar dúvidas no seu discurso, o qual aparece como revelador de um sujeito dividido; por isso, para Freud, o lugar do ‘eu penso’ é independente do ‘eu sou’” (LEITE, 2000, p. 18).
Freud (1970) em seu texto “As perspectivas futuras da terapêutica psicanalítica”, escrito em meados dos anos 1909-10, discute que o analista está muito longe de curar a neurose dos pacientes, uma vez que o conhecimento do inconsciente é muito além do acesso. Porém, a medida de cada avanço no conhecimento do discurso do paciente, é possível acrescentar um certo domínio terapêutico, mas quando o tratamento não avança, nada se pode fazer. “Quanto mais compreendemos, mais alcançaremos” (FREUD, 1970, p.127).
Através do raciocínio de Freud, é possível pensar no tratamento no homem contemporâneo. Este homem apresenta uma demanda de ansiedade ou angústia diante dos seus valores perante a sociedade. Há um sofrimento psíquico, por não atingir normas apresentadas na lei, lei esta chamada de mídia. E que usa-se como forma de necessidade para atingir um padrão de vida. Como que, quem atingisse este padrão, pudesse também atingir um prazer pleno e que parece remeter a tal “felicidade”. Mas nada garante a felicidade plena. Pois a felicidade pode estar em encontrar-se bem, em um estado de autoaceitação, em uma disposição a gostar das coisas, na capacidade de ligar-se à vida e com ela, saber se relacionar.
Angústia na era contemporânea
A era contemporânea apresenta um cenário marcado pela euforia da alegria, esse novo contexto também traz uma nova roupagem as novas formas de sofrimento psíquico. Ou seja, apresentando um outro lado da moeda, como a depressão e o pânico, que aparecem como novos sintomas na população. Chama-se atenção para se ter um olhar mais amplo a respeito do que de fato ocorre na contemporaneidade.





